quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crenças Pagãs - III (Final)


(continuação)
O deus sacrificado, outra fórmula antiquíssima, já foi uma deturpação do culto aos homens-deus. Um sacrifício humano anual, para ajudar a colheita, era então um rito genérico entre todas as tribos agricultoras da Europa e da Ásia Menor há cinco mil anos, e mesmo nos primórdios do romanismo ainda era praticado por tribos indo-européias. O sacrificado era, originalmente, o rei da tribo, reinava durante o ano, e era executado nos Ritos da Primavera, ou Páscoa. Era tratado como encarnação do deus tribal, e adorado até o momento de sua morte. Com seu sangue os campos de cultivo eram salpicados, sua carne era comida por nobres e sacerdotes e o povo tinha de contentar-se em respirar a fumaça de certas partes queimadas e oferecidas à divindade que ele havia encarnado (estas partes variavam: algumas tribos queimavam os órgãos sexuais, outras o coração). Eventualmente uma fórmula tornou-se mais conveniente para os reis: concebeu-se a idéia de um vicário e, desde então, um rei substituto era simbolicamente ungido para a ocasião, para ser sacrificado no lugar do rei verdadeiro. Primeiro usaram voluntários, depois velhos e doentes ou criancinhas, a seguir inimigos, e, por último, animais.
Em muitas tribos os pais, em vez de se sacrificarem, sacrificavam seus primogênitos (neste caso os pais eram os chefes ou patriarcas das tribos). Esse costume foi abolido na tribo do Abraão bíblico, por Iaweh (Gn 22:9-13), e substituído pelo sacrifício animal. Sacrifícios humanos, acompanhados de antropofagia ritual, eram costume no continente indo-europeu, na Austrália, no continente africano e no Novo Mundo. A presença universal de tal rito, numa época em que a arte da navegação era praticamente nula, indica uma origem comum na Antigüidade.
Já a religiosidade monólatra fenícia se baseava no culto às forças naturais divinizadas. A divindade principal eraEl, adorado junto com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar. Desses dois descendiam outros, como Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit nas colônias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. Entre os rituais fenícios mais praticados, tiveram papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente de crianças. Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estrelas decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas freqüentemente herdavam da família o ofício sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.
Para os finlandeses, no princípio havia somente Luonnotar (a Filha da Natureza), completamente sozinha num enorme vazio. Flutuou no “oceano cósmico” durante eons, até que uma águia fez um ninho em seu joelho. Assustada terminou quebrando os seus ovos, dos quais surgiram o céu, a Terra, o Sol, a Lua e as estrelas. NoKalevala (pátria dos heróis), o mais antigo poema épico finlandês, fala-se dos deuses do ar, da água, do fogo e das florestas, do céu e da Terra. Nele Mariatta, Virgem-Mãe das Terras Nórdicas, é escolhida por Ukko, o Grande Espírito, como veículo para se encarnar por meio dela em Homem-Deus. Repudiada pelos pais, dá nascimento a um “Filho imortal” numa manjedoura de estábulo. Mais tarde o menino desaparece e Mariatta se põe aflita a procurá-Lo perguntando a uma estrela, à Lua, até que quando pergunta ao Sol este diz onde achá-Lo.
De um modo geral, as religiões primais, além dos conceitos acerca da Divindade, tinham as mais diversas formas de explicar a origem, a finalidade e até a extinção do mundo e do homem. Usavam uma água lustral, ou santa, para purificar suas cidades, seus campos, seus templos e a si próprios. Nas suas cerimônias sacrificiais, o pontífice (curion) aspergia essa água em todos os presentes com um ramo de louro; possuíam em seus templos altares para a consagração aos deuses. Muitos sacerdotes pagãos se castravam, com o fito de serem mediadores puros e santos entre o povo e deus ou a deusa. A castração ritual era encontrada na Babilônia, no Líbano, na Fenícia, no Chipre, na Síria e no culto frígio de Átis e Sibele.
Muitas tribos primitivas, como os aborígenes da Austrália, os zulus da África do Sul e os peles-vermelhas da América celebravam também algumas cerimônias tribais de mistérios, que consistiam na escolha de um lugar isolado, marcação dos direitos e deveres da virilidade dos rapazes, um período de instrução e exercícios de resistência à dor. Então os candidatos, em transe, passavam por uma morte simbólica e após se erguerem (ressurreição) recebiam um novo nome (uma nova vida) junto com a exibição de algum objeto sagrado sob juramento. Além desses ritos, conhecidos como “ritos de puberdade”, outros ritos, conhecidos como “ritos de passagem”, eram também importantes: nascimento, casamento e morte.

Crenças Pagãs - II


O termo “pagão” é uma denominação cristã que se refere àqueles que professavam uma religião onde não havia batismo. Hoje em dia, a moderna teologia chama às religiões primitivas de religiões primais. O homem primitivo mais evoluído achava que o Sol, a Lua e as estrelas eram manifestações de um Ser Supremo, bondoso. Por outro lado, a maioria achava que as forças da natureza eram manifestações de vida de espíritos vingativos e egoístas aos quais tinha que conquistar a amizade e acalmar a ira (animismo, do latim animus, alma ou espírito). O culto aos antepassados, seria uma forma de animismo.
Enquanto o povo passeava entre o animismo vulgar e se aproximava de um politeísmo ignorante, os eleitos viam tudo como manifestações da Divindade. O Edda escandinavo, o livro das lendas, proclama a idéia de um Deus único, pai do Universo, ser de amor e bondade. Da junção entre o politeísmo popular e o monoteísmo verdadeiro, formas mistas surgiram. Havia os que acreditavam em vários deuses, mas com um deles predominando, o deus do clã ou da tribo, o deus principal (monolatria), e havia os que passaram a ver a Divindade manifestada, como que dissolvida, em tudo o existente (panteísmo). A monolatria ainda é vista hoje em alguns povos de Uganda, e por fiéis menos esclarecidos de quase todas as atuais religiões.
Pode-se enquadrar na categoria de “pagãs”, tanto as religiões mais primais, confinadas a tribos e clãs, como as mais institucionalizadas e espiritualizadas, como a religião finlandesa, celta e escandinava, a egípcia, a persa, a mesopotâmica, a grega e a romana. Essas serão detalhadas mais adiante. A rigor, o termo pagão, para os cristãos, incluiria o hinduísmo, o budismo, o xintoísmo, o taoísmo e até o islamismo.
Para a maioria, o Sol, como fonte e sustentação de toda a vida, passou a ser a divindade principal, ou a manifestação visível da Divindade (Ez 8:16). Observavam o Sol e em sua honra foram construídos templos e instituídas festas e cerimônias. O curso do Sol pelo zodíaco originou o mito das 12 encarnações de Vishnu (Cf. emBRAMANISMO), os 12 trabalhos de Hércules, etc.
À aparente perda de calor do Sol durante o inverno, se seguia seu reaquecimento (renascimento) a partir do solstício de inverno, que corresponde ao dia mais curto do ano (no hemisfério Norte entre 22 e 23 de dezembro), que perdurava até o equinócio da primavera (21 de março no hemisfério Norte, data em que dia e noite têm a mesma duração devido ao fato de o Sol nascer precisamente no leste e se por precisamente no oeste), chegando ao seu apogeu no solstício de verão (22 ou 23 de junho no hemisfério Norte, o dia mais longo do ano). Esse ritmo fez os antigos dizerem que o Sol nascia e era o mesmo para todas as nações no solstício de inverno, fortificava-se até o equinócio da primavera chegando à sua glória no solstício de verão, para então morrer e descer aos infernos durante o equinócio do outono (23 de setembro). Daí teria surgido a lenda da morte, descida ao inferno e ressurreição dos diversos deuses de quase todas as religiões (citados anteriormente).
Da relação das fases da Lua com as datas dos Solstícios e Equinócios, no hemisfério Norte, originaram-se as datas de todas as festas e cerimônias pagãs, que nomeavam seus dias da semana com o nome dos astros até então conhecidos.
Outra forma de religiosidade era o culto a homens-deus que vinham à existência e se sacrificavam em prol do povo. Desse modo personificaram-se figuras mistas de divindade e humanidade como Hórus, Osíris, Hermes, Apolo, etc., representando homens que existiram e foram elevados à categoria de deuses por suas ações pelo bem da humanidade. Esses deuses, após a morte, ressuscitavam em glória, para o bem da humanidade.
Paulatinamente a degradação tomou conta dos ritos, que originariamente tinham um significado simbólico que se tornou deturpado. Pã era a “Natureza Absoluta, o Único e o Grande Todo”. Os festivais ao grande deus da Natureza Pã, celebrados nos Equinócios e Solstícios, em que se celebrava a Natureza como criação divina, se transformaram em festas orgiásticas (daí sua popularidade), e Pã foi transformado no princípio do mal dos cristãos (Cf. em CRISTIANISMO). Da mesma forma o Falicismo, que era o culto ao falo como símbolo da fecundidade da Natureza, se deturpou.

Crenças Pagãs - I

Os fósseis encontrados na Europa e na Ásia atestam que o homem deNeanderthal e o homem de Cro-Magnon (vide anteriormente na época doPleistoceno) já tinham alguma forma de religiosidade, de crença numa vida após a morte: sepultavam seus mortos na posição de quem está dormindo, com a cabeça pousada sobre uma pedra, sobre o cadáver lançavam pó de ocre que tem a cor da vida (pardo, amarelo, vermelho, castanho...) e junto ao defunto colocavam flores, alimentos, armas, instrumentos diversos e figuras ornamentais, que lhe serviriam na viagem para o além. Já acreditavam na vida após a morte, há cerca de 150 ou 35 mil anos atrás. As tradições bramânicas citam que a nossa civilização iniciou-se há cerca de 50.000 anos atrás e que há cerca de 7 ou 8 mil anos ela chegou a seu auge na Índia e no Egito.
Segundo Edouard Schuré (1.841-1.929) existem duas correntes que trouxeram até a atualidade nossas idéias, mitologias e religiões, artes, ciências e filosofias. Ele as chama de corrente semítica e ária, cada uma com uma concepção oposta da vida, válidas e complementares, facetas de uma mesma verdade, compostas para as diferentes mentalidades existentes.
A mentalidade semita desce Deus ao homem e a corrente ária eleva o homem a Deus. O arcanjo justiceiro que desce à Terra, armado de espada e raio, representa a primeira, e Prometeu que sobe ao Olimpo e volta à Terra com o fogo, a segunda. Remontando à corrente semítica se chega a Moisés no Egito e ascendendo pela segunda se chega à Índia. Egito e Índia foram as grandes mães das religiões humanas.
Da mesma forma, a transformação humana, necessária ao encontro com Deus, segue duas correntes. Numa o combate ao mal com o bem é necessário, tanto para contê-lo, como para vencê-lo. Na outra corrente, o combate não se faz necessário. O mal perde por si mesmo quando deixado sob observação e encarado com compaixão e compreensão. Numa se chega ao Yoga hindu, ao Budismo, ao Zen e à maioria das religiões do mundo. Na outra se chega ao Tantra hindu e budista, ao taoísmo e à tendência atual de se ver o todo (Holística).
Mas todas as religiões ensejam a uma união com a Divindade, através de experiências místicas: o pangreeafricano, o samadhi hindu, o êxtase contemplativo cristão, o nirvana budista, o fanan muçulmano, a superconsciência de Sri Aurobindo (1.872-1.950), etc...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Runas e a Mitologia Nórdica.



A mitologia diz que Odin, o todo poderoso, antes de ser santificado e adorado, era um homem comum, que vivia de pequenos furtos e roubos ao longo de sua vida nômade. Preso depois de anos burlando as leis germânicas, Odin foi condenado a morrer preso à uma árvore.
De uma forma um tanto grotesca para os dias atuais, o condenado deveria ser amarrado na árvore sagrada( Yggdrasil ) em Asgard, por nove dias e nove noites de cabeça para baixo, quando sem bebida nem comida, morreria invariavelmente dentro de muito pouco tempo. Entretanto, foi durante este castigo que Odin encontrou pedras brilhantes dentro de um lago sob o qual ele fora dependurado.
Livrando-se das cordas que o prendiam, Odin apoderou-se daquelas fascinantes pedras desenhadas que tanto o encantaram e viveu durante anos, escondido nas montanhas do alto Rio Reno. Nesse tempo, ele conseguiu desvendar seus mistério e elaborar vários hieróglifos, quase todos baseados na escrita germânica, e um significado especial para cada um deles. Depois, então, os revelou aos mortais.
As runas lembram pedras "pré-históricas“ e são símbolos pictóricos gravados pelos antigos que não conheciam a escrita mas já se utilizavam deles para fazer suas previsões.É um oráculo criado e usado pelos vikings há aproximadamente 9 séculos. Os xamãs (ou sacerdotes) bárbaros as usavam como ferramenta primordial. 
Por volta de 150 a.C à 250 a.C. uma tribo Germanica estabeleceu o sistema fonético conhecido por : "FUTHARK" derivado das seis primeiras runas. Assim teria sido criada a escrita alfabética, partindo de um modelo encontrado no norte da Itália. A partir destes grifus, surgiram as runas cujo significado é " Coisa Secreta ". 
Seus praticantes eram conhecidos como os " Praticantes de Rumenal", que sacudiam a bolsa que continha as pedrinhas e espalhavam-nas pelo chão, interpretando os seus significados, através de seus símbolos, invertidos ou não.
Foi por volta de 117 d.C. que as runas chegaram ao Ocidente, trazidas pelas mãos dos emissários, aventureiros e comerciantes, que propagaram este método, utilizando madeira, metal ou até mesmo o couro. 
Muitas vezes desenhavam seus símbolos com o sangue de animais sacrificados.
Os Deuses da Mitologia Nórdica deram nomes aos dias da semana, em alemão e em inglês:
Domingo 
Sunday - Santag - Dia do Sol, dia de Baldur, Deus do Sol, da juventude e da beleza, Dia de Apolo
Segunda-Feira 
Monday - Montag - Dia da Lua
Terça-Feira
Tuesday - Dia de Tyw, deus da guerra, Dia de Marte ou Ares
Quarta-Feira
Wednesday - Dia de Woden, Dia de Mercúrio.
Quinta-Feira
Thursday - Donnerstag - , Dia de Thor, Dia de Júpiter
Sexta-Feira 
Friday - Dia de Freya, a Venus nórdica.
Sábado
Saturday - Dia de Saturno, ou das Nornes, para os germânicos, Deusas da adivinhação
As runas podem ser feitas de pedras, favas, madeira ou couro. A cartolina poderá ser utilizada para treinar, pois, do ponto de vista do ritual, o material é inadequado. Faça retângulos de 2 X 4 cm e desenhe os grifos. Faça um saquinho com pano vermelho, para guardá-las e para utilizar na ocasião da consulta. Pintar as Runas nas cores: vermelha confere energia vital, em azul cor consagrada a Odin e em amarela que é a cor planetária de Mercúrio. Árvores Sagradas: Bétula, Sorveira e Freixo. Você terá que “sentí-las” e se familiarizar com as formas pelas quais elas interagem. 
 
O Ritual consiste na preparação do consultor e do ambiente para formular as perguntas às Nornes. 
As runas, tradicionalmente, são lidas sobre um lenço branco ao lado de uma vela azul escuro e um incenso de aroma de rosas, uma taça de água com uma água marinha azul (Pedra de Odin) no seu interior , 7 pedras (quartzo branco, ametista, sodalita, quartzo rosa ou verde, citrino, jaspe sanguíneo e uma turmalina negra ) com elas forme uma mandala representando os 7 chacras. 
É usado um pêndulo com a função de limpar as runas, retirando os resíduos da consulta anterior. AS mãos devem ser lavadas antes das consultas e perfumadas com óleo essencial consagrado para este fim. O consultor não pode ingerir álcool nem antes ou durante a jogada. 
Antes do jogo, uma prece invoca o guardião das runas " Odin " e pedindo a iluminação das " Nornes ", a neutralização das forças negativas de " Loki " e a interseção da sabedoria de "Mimir". As runas são retiradas do saquinho e esfreguedas com as mãos para energizá-las. 
O pêndulo é consultado para saber se as runas estão devidamente energizadas: se o pêndulo responder não (oscilante), as runas são lavadas com água e sal,é repetida a lavagem das mãos e a unção com óleo e as runas são esfregadas com as mãos para energizá-las. Caso a resposta seja sim (estiver equilibrado), as runas são recolocadas no saquinho e prossegue a consulta.
O consulente retira as runas e dispõe com a face para baixo, sobre o lenço branco. O consultor, então, vira cada uma (sempre de lado, nunca para cima ou para baixo) para interpretá-las.
Os métodos são vários , sendo os mais comuns o de 1 Runa e 3 Runas . No caso de 1 Runa, chamado de " A Runa de Odin " , formule mentalmente a pergunta ( se o consulente estiver presente, peça que ele a faça ) , misture as pedras no saco e retire uma, esta será a resposta à sua pergunta. No caso de 3 Runas " O Comentário das Nornes ", o processo é o mesmo, porém a primeira pedra retirada significa a situação vivida no momento, a segunda pedra a ação necessária e a terceira pedra a nova situação.
AETTIR - Essa palavra tem origem nórdica e significa grupo de oito elementos.No caso de oito runas no alfabeto rúnico, temos três Aettir.
Aett de FEHU
Está relacionado ao Deus que rege a fertilidade, Freyr, e sua família diz respeito à realização material da nossa vida, ao plano físico, material ou circunstancial (Fehu Uruz Thurisaz Ansuz Raido Kano Geibo Wunjo)
Aett de HAGAL
Este aett está relacionado a nosso plano emocional(Hagal Nauthiz Isa Jera Yr Peorth Algiz Sigel)
Aett de TYR
Dedicado ao Deus de Tiw que rege os assuntos legais e era chamado o Deus da Guerra, pois era invocado para trazer a justiça, esta família está ligada ao plano espiritual (Tyr Berkana Ehwaz Mannaz Laguz Inguz Dagaz Othila )
Além desses dois métodos, existem outros mais complexos, quais sejam : 
5 Runas - " A Cruz de Thor" , 5 Runas - " A Batalha de Tyr ", 5 Runas - " O Esclarecimento de Odim " , 5 Runas - " O Conselho do Mestre ", 7 Runas - " As Sete de Baldur ", 9 Runas " A Mandala de Frigg " , 11 Runas " O Portal de freyr ", 12 Runas - " O Jogo do Relacionamento ". 
O Consulente senta-se à frente do consultor. O referencial sobre a posição das runas : USUAL / INVERTIDA é sempre do consultor e não o contrário. 
O Mundo Espiritual, é o Aett que nos conduz à nossa meta espiritual, ou à procura para o mundo espiritual, nos confere: coragem, nutrição, mudança, auto-conhecimento, despertar intuitivo, novos começos, modificação pessoal, rupturas radicais.
Ainda existe uma runa somada ao alfabeto que não pertence a nenhuma das 3 famílias acima, é a runa do destino. Entre as 25 runas, nove são lidas do mesmo modo, as outras 16 podem ser lidas em pé ou invertidas, e estas indicam uma situação que pode impedir o movimento ou que o movimento não deve ser tentado nesse momento.
Ciclo da auto-transformação: são runas que formam um campo de energia dentro do alfabeto rúnico. Quando duas ou mais dessas runas aparecerem juntas numa leitura, trazem sucesso e crescimento pessoal. São elas: Ansur, Ur, Nied, Thorn, Hagal, Ken, Rad, Eoh, Peorth, Berkana, Ing, Daeg, Othel.
AS RUNAS E OS SEUS SIGNIFICADOS:
FEOH "Gado"
Dinheiro, Nutrição, Fertilidade, Riqueza, Criação. É a runa dos bens móveis, dos investimentos, da nutrição. Em geral a tirada dessa runa é boa. Ela determina a prosperidade e também um recomeço.
INVERTIDA: Avareza, perdas e discórdia.
MENSAGEM: Aproveite o enriquecimento e viva o seu sucesso 
UR "Bisão" 
Teste de força, Novas responsabilidades, Maturidade. Esta runa fala da energia ativa da criação. É o impulso necessário para o início de novas atividades. Ela fala justamente de mudanças na vida de quem a retira num jogo 
INVERTIDA: Pode significar uma força mal direcionada que traz fraqueza e doença.
MENSAGEM: Não tenha medo de enfrentar o novo, renove-se 
THORN "Deus Thor" 
Quebra de dificuldades, Defesa e Proteção, Atitude de alerta. Representa regeneração e fertilidade. Está associada à sexualidade. Significa o ritual de passagem para uma outra situação.
INVERTIDA: Significa perigo de traição, deslealdade e tédio.
MENSAGEM: As vezes a melhor ação é parar. Não reagir também é agir. 
ANSUR "Boca" 
Conhecimento, Comunicação, Nutrição. Representa a consciência, inteligência e comunicação. É a runa do poder espiritual e da sugestão através da palavra. INVERTIDA: Demagogia, manipulação, desilusão e imcompreensão.
MENSAGEM: Toda aprendizagem vale a pena, é tempo de meditar. 
RAD "Roda" 
Movimento, Mudança para melhor, A roda da Vida. Nela estão contidas as idéias de liberdade, de direção e de controle. Mostra que, até atingir o objetivo, o caminho a trilhar será árduo. 
INVERTIDA: Crises, rigidez, irracionalidade, ineficiência, problemas em viagem.
MENSAGEM: Saiba aproveitar as mudanças, liberte-se de desejos e ilusões. 
KEN "Tocha"
Abertura, Claridade, Criatividade. Esta runa está associada ao fogo criador. É a regeneração através do sacrifício e da morte. É a runa dos artistas, pois designa a capacidade de gerar e criar. É a runa das paixões, da sensualidade, indica boa saúde, habilidade e muitas vezes para a mulher, gravidez. 
INVERTIDA: Significa doenças e pouca inspiração. 
MENSAGEM: Os Caminhos Estão abertos, revigore-se com as novas energias. 
GEOFU "União"
Associações, Compromissos afetivos, Uniões com equilíbrio. É a runa indicadora da generosidade, do amor, do dom de dar e receber. Favorece as parcerias, uniões, casamentos. É a runa da harmonia. 
INVERTIDA: Não há.
MENSAGEM: União sem anulação, associe-se, mas em harmonia.
WYNN "Alegrias"
Vitórias e Júbilo, Racionalidade e Racionalismo, Não Passionalidade. Representa alegria, felicidade e a força de atração entre seres de mesma energia. Significa harmonia entre famílias, clãs e países. É a runa da energia aglutinadora. 
INVERTIDA: Significa falta de prosperidade, inimizades. 
MENSAGEM: É necessário calma para se atingir a vitória, deixe a felicidade invadir.
HAGALL "Granizo" 
Interrupções, Limitações Naturais, Forças superiores ou inferiores. É a runa da estrutura, da harmonia cósmica. Representa os fatos que estão fora do nosso controle, fatos que podem nos favorecer ou não. Ela fala também de quebras, rompimento, algo repentino.
INVERTIDA: Não há.
MENSAGEM: Precisamos aprender a conviver com as limitações naturais da vida, é tempo de rompimento, separação.
NIED "Necessidade" 
Carências e Déficitis, Atrasos, Doenças. Acima de tudo esta runa recomenda paciência. A retirada dela num jogo demonstra que tudo virá a seu tempo, o que pode significar algumas dificuldades. Pode trazer perda de liberdade e restrições. Recomenda cuidado ao assumir dívidas. No amor é favorável
INVERTIDA: Não há 
MENSAGEM: Atrasos podem ser providenciais. Aprenda com a adversidade. 
IS "Gelo"
Congelamento, Adiamento,Preservação. Nos fala da preservação e da resistência a mudanças. Previne sobre um obstáculo que está logo à frente e pede cautela e revisão de planos. No amor e nos negócios é desfavorável. 
INVERTIDA: Não há 
MENSAGEM: É melhor deixar para um momento mais propício, é tempo de parar.
JARA "Colheita"
Justiça, Karma, Final de Ciclo. É o ciclo da natureza , significa boas colheitas, bons resultados. É uma runa muito benéfica, runa da esperança, que traz paz, plenitude e prosperidade
INVERTIDA: Não há 
MENSAGEM: Que o martelo de Thor, gire sobre as nossas cabeças, segundo as designações do grande deus Odin.
YR "Teixo"
Reflexão, Abnegação, Espiritualização, Ação. Representa a espinha que sustenta todo o corpo da iluminação espiritual. Pede força mental e flexibilidade. 
INVERTIDA: Não há. 
MENSAGEM: A reflexão deve ser o alicerce da ação, saiba aguardar o momento. 
PEORTH "Revelação"
Revelações, Mistérios, Poderes Ocultos. Significa a revelação. Favorece investimentos e jogos. É a runa da sorte 
INVERTIDA: Grandes perdas em jogos, mistérios e confusão. 
MENSAGEM: As revelações serão agradáveis, é preciso ousar para encontrar. 
EOLH "Alce" 
Proteção e Defesa, Abnegação, Espiritualização. Significa a busca do homem e seu poder de atração. A retirada dessa runa num jogo indica que haverá ajuda divina.
INVERTIDA: Falta de proteção, perigo. 
MENSAGEM: Ajoelhe-se e receba as bençãos, controle suas emoções. 
SIGEL "Sol" 
Vitória Incondicional, Derrota de todo mal, Integralidade. É a grande força diretriz da evolução individual. Runa de grande poder, fala da força vital colocada à nossa disposição. Com ela incorporamos novas energias.
INVERTIDA: Não há. 
MENSAGEM: A Vitória é Incondicional. Receba a força vital. 
TYR "Guerreiro"
Homem, Coragem para lutar, Bom desempenho Sexual. É a runa da justiça, da ordem e da vigilância ,e também, da morte e da fertilidade.
INVERTIDA: Significa injustiça, desequilíbrio e auto - sacrifício. 
MENSAGEM: Coragem para prosseguir a luta, cultue a paciência. 
BEORC "Gestação"
Fertilidade, Crescimento, Concretizações. Runa muito favorável às mulheres e resolução de problemas femininos. Promete crescimento nos negócios, assuntos familiares e relacionamentos.
INVERTIDA: Esterilização, estagnação. 
MENSAGEM: Os Sonhos serão realizados, olhe para o seu interior. 
EOH "Cavalo"
Mudanças rápidas, Notícias, Pequenas Viagens. É o símbolo da lealdade. Ela nos fala de mudanças, viagens, transformações e auxílio.
INVERTIDA: Desarmonia, conflitos. 
MENSAGEM: O Cavalo de Odin, atravessa Qualquer obstáculo, é tempo de mudar.
MANN "Humanidade"
Altruísmo, Ajuda desinteressada, Posturas imparciais. Significa a interdependência da humanidade como um todo. Ela define uma ajuda na resolução das dificuldades.
INVERTIDA: depressão, conflitos, cegueira. 
MENSAGEM: O Homem como ser social, mantenha a modéstia. 
LAGU "àgua"
Mulher, Aspectos Inconscientes, Intuição e vidência. Ela define um crescimento de nossas forças inconscientes.
INVERTIDA: Medo, impedimentos. 
MENSAGEM: Como a água, Intuição é fonte de vida, libere a criatividade. 
ING "Herói"
Pendências, fechamento de ciclo, términos e reinício. Essa runa prenuncia um novo acontecimento, novo começo, até mesmo um nascimento. Mas pode definir também uma certa aridez.
INVERTIDA: Não há. 
MENSAGEM: Nenhuma ousadia é fatal, aproveite para recomeçar. 
OTHEL "Velho"
Conservadorismo, Legados Materiais e Morais, Separação. Representa ganho de dinheiro através do esforço e do trabalho. Pode designar também algo que chega em consequência de uma separação.
INVERTIDA: Não se prenda a velhos condicionamentos e autoridades estabelecidos. MENSAGEM: É preciso envelhecer com sabedoria, faça sem fazer. 
DAEG "Dia"
Esperança, fim de dificuldades, Retorno da perfeição. Símbolo do crescimento em qualquer área da vida. Desígna também aumento de conhecimento e de prestígio no trabalho, além do aumento de dinheiro. Às vezes fala de mudança de opinião e de atitude.
INVERTIDA: Não há. 
MENSAGEM: A escuridão está prestes a terminar. Esteja de olhos abertos para não perder uma chance.
WIRD - O Nada
Destino, Situação em aberto, sem comentários. Essa runa é chamada de "Runa Branca". É a runa da confiança total e do começo. É a runa de Odin.
INVERTIDA: Não há. 
MENSAGEM: Assim é, e assim será.
A RUNA DE ODIN - Jogo de uma pedra
Esta é a utilização mais simples e prática do oráculo, consistindo na seleção de uma Runa para uma visão global de uma situação inteira. Retirar apenas uma runa pode ajudá-lo a focalizar mais claramente sua questão. Por exemplo, quando você estiver preocupado com alguém que se encontre longe e não houver possibilidade de entrarem em contato, concentre-se nessa pessoa e então retire uma Runa. Esta prática abre na mente um portal para o incomum.
LANÇAMENTO POR TRÊS
O número "Três" figura com destaque nas práticas divinatórias dos antigos. Tendo a questão bem clara na mente, escolha três runas, uma de cada vez, e em seguida, coloque-as por ordem de retirada da sacola, da direita para a esquerda. Coloque-as no "campo"com o lado branco para cima e depois desvire-as. Sendo a partir da direita, a primeira Runa falará da SITUAÇÃO como É; a segunda (no centro) sugerirá o CURSO DE AÇÃO REQUERIDO e a terceira indicará a NOVA SITUAÇÀO QUE EVOLVERÁ, após você ter enfrentado seu desafio com sucesso.
                                    
LANÇAMENTO POR CINCO 
Numa situação mais complexa, este lançamento pode penetrar nas características distintivas desta incerteza. Depois de formular a questão com clareza, retire as cinco pedras da sacola, uma de cada vez, colocando-as uma abaixo da outra em ordem descendente: 
1) Perspectiva Global da Situação 2) Desafio 3) Curso de Ação requerido 4) Sacrifício 5) Situação desenvolvida.
O termo "sacrifício", na quarta posição, aponta para o reconhecimento de que a vida lhe oferece escolhas, opções, que com frequência, são mutuamente exclusivas. O termo sacrifício aqui, se refere ao que precisa ser descartado, mudado, rejeitado, a fim de que surja uma nova integralidade. Não significa sofrimento e perda.
A CRUZ RÚNICA
Este tipo de lançamento é proveitoso, quando queremos um quadro mais completo da situação. Inspirada no Tarot, a disposição requer que sejam selecionadas seis Runas, as quais ficarão dispostas na forma de uma cruz celta.
A primeira runa representa o Passado, aquilo de onde você está vindo , o que jaz à sua retaguarda. A segunda runa representa você agora. A terceira, ou runa do futuro, indica o que está à sua frente, os próximos acontecimentos. A quarta runa fornece a fundação da matéria em consideração, os elementos inconscientes e forças arquetípicas envolvidas. A quinta runa ou desafio indica a natureza dos obstáculos em seu caminho. A runa final aponta NOVA SITUAÇÃO que virá, quando você enfrentar seu desafio com êxito.
A Cruz Rúnica é um lançamento que contém um considerável nível de informação e oferece incentivo para profunda reflexão. Se após retirar as seis runas e considerá-las, você continuar sem clareza de idéias, devolva todas as pedras à sacola e retire uma única runa. Esta sétima, a Runa da Resolução, lhe mostrará a essência da situação.
LANÇAMENTO DAS TRÊS VIDAS
Este lançamento inclui a experiência da reencarnação. Apresenta uma perspectiva de sua passagem em 3 níveis, sendo disposto na forma da Runa INGUZ. As runas representam:
1 - Condições de nascimento e infância 2 - Seu presente 3 - Futuro nesta vida 4-Encarnação Passada 5 - Encarnação Futura
O Lançamento das três vidas proporciona informação relacionada a aspectos não resolvidos de seu passado. Uma vez identificados estes elementos, você pode modificar sua situação presente, desta maneira afetando o futuro nesta vida, bem como seu próximo ciclo.
 
LANÇAMENTO QUATRO QUADRANTES 
Este lançamento é mais complexo e a leitura poderá ser feita simultâneamente nos grupos e no total do conjunto. São retiradas 11 pedras e dispostas em uma forma retangular, começando pela esquerda, como no desenho. A pedra 11, central, é a estrutura do problema e deverá ser lida em primeiro lugar.As pedras 1,2 e 10, formam a situação e a pessoa, seu momento presente. As pedras 5, 6 e 7, são os envolvimentos e oposições, desafios e sacrificios que envolvem a situação. As pedras 2, 3, 4 e 5, indicam o acontecimento seguinte e as pedras 7, 8, 9 e 10, os futuros acontecimentos.
JOGADA ASTROLÓGICA
A jogada astrológica é conhecida pelas pessoas que estudam astrologia e é muito utilizada no jogo do Tarot e outros oráculos. São retiradas 13 pedras e as mesmas são dispostas em círculo, como no desenho, da esquerda para a direita, no sentido anti-horário. A leitura é feita individualmente em cada casa e também pode ser usada a legenda de quadraturas:
1 - A pessoa e como se mostra ao mundo 2 - Vida profissional e posses 3 - Casa e Viagens 4 - Família 5 - Filhos, Humor 6 - Bens, finanças, rotina 7 - Amor, pessoa amada 8- Saúde 9 - Vida espiritual e viagens longas 10 - Amigos, carreira e mudanças 11 - Vida social, esperanças, desejos, estudos 12- Situação emocional da pessoa, medos 13- O presente
Quadraturas:
1,13,12 = A pessoa 2,6,10 = A vida profissional 3,4 = Familia e casa 5,7 = Vida emocional 3,9 = Viagens e Mudanças


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O tempo de mudar é agora!


:: Maria Isabel Carapinha ::
Águas limpas e transparentes de um azul sem fim, de um nascer do sol de tirar o fôlego e de um pôr-de-sol com a emanação de uma sensação de paz, tranquilidade e confiança impossível de se descrever.
Sim, assim é Cancun, banhado pelo imenso mar azul do Caribe, de belezas naturais incríveis, rios subterrâneos com uma imensa quantidade de peixes de cores mil, de ruínas que nos remetem ao que foi a civilização Maia, um dos povos mais inteligentes que entendiam de astronomia e se baseavam por meio dela para criar suas referências de tempo e espaço, repletas de segredos e mistérios.
Neste povoado Maia que visitei, encontrei uma explicação sobre o 21 de dezembro de 2012 que me fez refletir muito. Dizia o seguinte: a oportunidade de um novo começo.
Conta o livro sagrado dos Maias, chamado Vuh, que no princípio de cada era, um novo ser humano foi criado pelos Deuses, um homem melhor que o anterior, com a responsabilidade de manter a harmonia do universo.
De acordo com os antigos Maias, em 21 de dezembro de 2012, não será o fim do mundo, senão o término e começo de uma nova era e, portanto, surgirá também um ser humano de consciência renovada.
Esse novo ser é você, somos todos nós. Vivamos, então, este fechamento como a oportunidade de renascer com os ensinamentos do passado, para sermos melhores no futuro.
O que me fez refletir foi esse marco de tempo e de dia certo que nos transfere uma imensa responsabilidade de mudança. Mas por que esperar por esse fechamento se o tempo de mudar deve ser agora? Não há mais tempo de espera para ser feliz, para realizar o que você deseja, para eliminar bloqueios de seu passado, soltar sua energia e caminhar rumo à sua felicidade.
O passado sempre será uma referência eterna em nossa vida, mas jamais algo que nos prenda ou que dissipe nossa energia pela tristeza, mágoa ou decepção que pode nos causar.
Essa capacidade de observar, de avaliar e escolher as melhores atitudes para lidar com o que observamos é a expressão do seu verdadeiro poder pessoal. Liberdade, descoberta e conhecimento de tudo que é você são os primeiros passos para que você perceba a imensa conexão com o Divino que há dentro de você.
As pessoas muitas vezes se conectam às mais diversas práticas espirituais, esperando e acreditando sempre que a mudança pode vir de fora, que alguém, alguma coisa ou algum ser especial poderá resolver o seu problema e a decepção virá na sequência.
A receita da decepção é acreditar 100% em alguma coisa, em você mesmo ou em alguém. Portanto, em minha reflexão sobre este ser humano diferente encontrei a imensa sabedoria para dizer que o tempo é agora e que nenhuma mudança se encontrará pronta fora de você, tudo está dentro de você como recurso fornecido pelo Divino.
Somente um dia poderemos nos responsabilizar por manter a harmonia do Universo, se a nossa mudança começar hoje.
Nesta mudança, incluiremos a eliminação de todas as histórias que não mais fazem parte do nosso dia a dia, de todo o sofrimento a que podemos estar conectados neste momento, a algum tipo de frustração pessoal que faz parte de sua vida, de alguma doença que o faz sofrer, enfim, de marcas do passado que carregamos como energia dolorosa que vibra em nosso dia a dia nos prendendo a situações que em nada contribuirão para um futuro melhor.
A Radiestesia através da Mesa Radiônica tem a função de tornar possível todas essas mudanças em sua vida, incluindo a eliminação dos bloqueios energéticos.
Em meu consultório, ouço as mais sofridas e incríveis histórias, mas de todas elas o que me chama a atenção não é a intensidade ou seriedade do que aconteceu mas, sim, a incrível capacidade de mudança do ser humano quando de fato ele deseja e determina para sua vida. Como somos seres humanos em segunda época, aqui estamos com os mais diversos aprendizados de vida e para tanto cada um sempre acha que o seu sofrimento é muito maior que o outro e que a dificuldade de superação também assim o será.
Este é, sim, um tempo de mudança, a cada dia percebemos mais e mais a velocidade com que as coisas acontecem e os dias passam com uma rapidez incrível. As explicações são as mais variadas, mas a realidade é uma só neste tempo de mudança. Cada dia mais percebemos as coisas que não estão certas, as atitudes que podem prejudicar os outros e as pessoas que sofrem porque se prendem a uma repetição de processos.
Há algum tempo, atendi uma moça completamente desestruturada em todos os aspectos de sua vida pelo imenso ciúme que sentia de seu marido. Deixava de trabalhar para segui-lo de carro, olhava seu telefone celular e tentava sempre se aproximar de seus amigos, no intuito de descobrir alguma história que pudesse comprovar o que sentia.
Até mesmo o filho pequeno era deixado de lado. Não encontrava paz e sossego em sua vida e cada dia mais o distanciamento do casal se concretizava, pois o marido se sentia sufocado e ela sabia disto.
Quando me contou a história chorava muito e dizia: "aqui estou por desespero, mas não acredito que esta história se modifique, acho que a única solução é a separação".
Disse então a ela: "antes que tome qualquer decisão que possa se arrepender no futuro, vamos cuidar de sua energia e, assim, quando estiver equilibrada, tome a decisão que seu coração mandar".
Comecei a lhe contar como era o tratamento com a Mesa Radiônica e lhe expliquei que quando a mudança ocorresse nela, toda a situação à sua volta se modificaria. Expliquei ainda que não se tratava de um processo de terapia e, sim, de atuação energética e mudança de frequência vibracional, além da eliminação de bloqueios emocionais de seu passado que a deixaram tão insegura.
Após dois atendimentos, ela estava completamente diferente: segura de si, se dando o devido valor e indiferente ao que acontecia com o marido e me disse ainda: "tudo isso que você observou pode ser complementado por mais um aspecto, percebi que realmente com o aumento do meu poder pessoal e autoconfiança, meu marido também se modificou e hoje podemos dizer que voltamos a ser de fato uma família".

Portanto, a única conclusão que chegamos de fato é que o tempo de mudar é agora!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SEJA MELHOR QUE VOCÊ E NÃO MELHOR QUE O OUTRO!


Certa feita, uma professora disse que não deveríamos nos comparar a ninguém, somente a nós mesmos. Sabe aquelas frases que batem fundo e nós faz repensar algumas atitudes? Pois bem, assim me veio essa citação. Comecei a pensar em como estamos habituados à comparações. Desde a infância, vamos sendo moldados a partir de referenciais, comparações que são feitas e, através das quais, construímos nosso comportamento e valores. Tudo se desenvolve através da observação, escolhendo o que desejamos para a nossa realidade. Os pais se espelham em outros pais e nos seus próprios, determinando o que considera adequado e correto para a educação dos seus filhos. As crianças observam outras crianças e assumem atitudes e comportamentos que gostam. E assim vamos crescendo, comparando, observando e nos moldando conforme nossa avaliação interna. Isso tudo é natural e faz parte do mecanismo da vida. A questão é quando iniciamos uma competição, permitindo que o desequilíbrio de sentimentos e atitudes se instale. Nesse momento, o objetivo não é mais observar e aprender, mas sim, ser melhor que o seu ponto de referência. A questão se torna ser pais melhores que os amigos ou uma criança mais legal que o colega.
Se formos observar a nossa vida desde a infância, podemos perceber que as competições nos acompanham desde cedo: quem andou ou falou primeiro, quem tira as melhores notas, qual o filho mais educado, qual o melhor salário, qual o melhor emprego, quem tem a casa maior e por aí vai! Vamos construindo o habito de nos compararmos e nos valorarmos a partir do outro. O referencial não é a nossa essência e o que devemos melhorar. Olhamos para o outro, percebemos o que desejamos e partimos na conquista, sempre nos comparando e competindo com o nosso modelo. Esse comportamento é estimulado nas escolas, nas faculdades, nos trabalhos e nosso meio social. Não basta ser bom, temos que ser melhor que o outro.

Agora, lhe convido a prestar atenção nos sentimentos que despertamos quando sintonizamos na competição desenfreada. Não fazemos brotar sentimentos de crescimento e evolução, mas o desejo de superar o outro e se mostrar mais capaz. Sintonizamos na inveja, no ciúme, na vaidade e no orgulho que tantas vezes é ferido e, em outras, inflado. E assim vamos construindo a sintonia do nosso entorno. A nossa autoestima sofre altos e baixos porque não respeitamos mais a nossa capacidade e limites internos. Sentimo-nos inferiores por não sermos melhor ou igual aquela pessoa e iniciamos um processo de destruição da nossa autoconfiança e amor próprio.Penso que, na verdade, precisamos dos referenciais para crescer e nos moldarmos, mas o foco nunca deve ser o outro, mas nós mesmos. Precisamos nos conhecer, perceber nossas inferioridades e melhorá-las. Devemos investir nas qualidades inerentes ao nosso ser e buscar a superação dos nossos próprios limites. Se espelhe no outro para compreender como chegar lá, tendo exemplos e trocando experiências, mas nunca desejando ser melhor. Compara-se consigo mesmo. Veja onde você estava há um ano, observe seu crescimento, suas mudanças, como se superou e melhorou a sua realidade de vida. Se anime com as suas próprias conquistas e busque os seus objetivos, respeitando quem você é e as ferramentas que possui. Sei que não é fácil mudar esse padrão de comportamento, afinal, fomos educados assim, mas é necessário acabar com essa sintonia destrutiva de querer ser mais que o outro. A única pessoa a quem você deve superar é a si mesmo! Tenha em mente que você é o foco da sua caminhada e descubra quantos caminhos maravilhosos é possível construir a partir desse ponto de partida. Tente e veja a sua vida se transformar!"Nunca compare sua jornada com a de outra pessoa. Sua jornada é a SUA jornada e não uma competição." - Autor desconhecidoNamastê.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Livro de Kelss - parte V (final)

Uso
Originalmente, o Livro de Kells, tinha uma intenção sacramental e não educativa. Um evangeliário tão grande e luxuoso devia ser deixado em cima do altar da igreja e usado apenas para ler passagens dos Evangelhos na missa. Ainda que seja provável que o sacerdote oficiante não leria realmente o manuscrito, mas que recitaria de memória. A este respeito, é interessante recordar que o roubo da obra no século XI, segundo osAnais de Ulster, aconteceu na sacristia, lugar onde as taças e os outros acessórios litúrgicos estavam guardados, antes mesmo de irem para a biblioteca da abadia. A elaboração do livro parece ter integrado esta dimensão, fazendo do manuscrito um objeto muito belo, porém muito pouco prático. Há numerosos erros no texto que não foram corrigidos e outros indícios dão testemunho do frágil compromisso com a exatidão do conteúdo: linhas demasiadas grandes freqüentemente eram completadas nos espaços livres da linha de cima ou de baixo e os números de capítulo, necessários para poder usar as tábuas canônicas, não foram colocados nas margens das páginas. Em geral, nada foi feito que pudesse perturbar a beleza formal das páginas: priorizou-se a estética, ao invés da utilidade.

Cultura moderna

Um filme de animação intitulado Brendan and the Secret of Kells, cujo tema central é o Livro de Kells, está sendo dirigido por Tomm Moore, baseado no roteiro do próprio Tomm Moore e Fabrice Ziolkowski. Esta co-produção entre República da IrlandaCanadá e Bélgica deverá ser lançada em 2008.[7]


Referências

  1.  ↑ a b Book of Kells, artigo da Universidade de Long Island
  2.    "Book of Kells" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  3.   Book of KellsTrinity College Library Dublin. Trinity College Library. Página visitada em 2007-10-28.
  4.   McCaffrey, Carmel e Leo Eaton. In Search of Ancient Ireland. Ivan R Dee. 2002. PBS 2002.
  5.    "Kildare and Leighlin" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.
  6.   Book of Kells CD-ROM. Ar Bed Keltiek.
  7.   Brendan and the Secret of Kells. Blog de Tomm Moore com ilustrações relativas ao filme de animação.

Bibliografia

Em francês

  • Bernard Meehan, Le Livre de Kells, Thames & Hudson, 1995. ISBN 2878110900
  • René Fédou, Lexique historique du Moyen Âge, Armand Collin, 1999. ISBN 220021622X
  • Peter Harbinson, L'art médiéval en Irlande, Zodiaque, 1998. ISBN 2736902440
  • Francoise Henry, L'art irlandais, vol. 2, Zodiaque, 1991. ISBN 2736900707

Principais referências

  • Livre de Kells, Faksimile Verlag Luzern, Lucerna, 1990. ISBN 3856720316
  • Calkins, Robert G. Illuminated Books of the Middle Ages. Ithaca, New York: Cornell University Press, 1983. ISBN 0500233756
  • Henderson, George.From Durrow to Kells : the Insular Gospel-books, 650-800. New York: Thames and Hudson, 1987. ISBN 0500234744
  • Henry, Francoise. The Book of Kells. New York: Alfred A Knopf, 1974. ISBN 050023213X

Leituras adicionais

  • Alexander, J. G. G. Insular Manuscripts: Sixth to Ninth Century. London: Harvey Miller, 1978
  • Alton, E. H. and P. Meyer Enageliorum quattor Codex Cenannensi. 3 vols. Bern: Urs Graf Verlag, 1959-1951.
  • Brown, T. J. "Northumbria and the Book of Kells". Anglo-Saxon England I (1972): 219-246.
  • Friend, A. M., Jr. "The Canon Tables of the Book of Kells". In Mediæval Studies in Memory of A. Kingsley Porter, ed. W. R. K. Koehler. Vol. 2, pp. 611–641. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1939.
  • Hopkins-James, Lemur J. The Celtic Gospels, Their Story and Their Texts. London: Oxford University Press, 1934.
  • Lewis, Susanne. "Sacred Calligraphy: The Chi Rho Page in the Book of Kells" Traditio 36 (1980): 139-159.
  • McGurk, P. "Two Notes on the Book of Kells and Its Relation to Other Insular Gospel Books" Scriptorium 9 (1955): 105-107.
  • Mussetter, Sally . "An Animal Miniature on the Monogram Page of the Book of Kells" Mediaevalia 3 (1977): 119-120.
  • Nordenfalk, Carl "Another Look at the Book of Kells" In Festschrift Wolgang Braunfels, pp. 275–279. Tubingen: Wasmuth, 1977.
  • Nordenfalk, Carl, Celtic and Anglo-Saxon Painting: Book Illumination in the British Isles 600-800. New York: George Braziller, 1977.
  • Powell, Roger. "The Book of Kells, the Book of Durrow, Comments on the Vellum and the Make-up and Other Aspects" Scriptorum 10 (1956), 12-21.
  • Sweeney, James J. Irish Illuminated Manuscripts of the Early Christian Period. New York: New American Library, 1965.
  • Walther, Ingo F. and Norbert Wolf. Codices Illustres: The world's most famous illuminated manuscripts, 400 to 1600. Köln, TASCHEN, 2005.
  • Werner, Martin "The Madonna and Child Miniatures in the Book of Kells". Art Bulletin 54 (1972): 1-23, 129-139.

Livro de Kells - parte IV


Decoração
O manuscrito contém páginas totalmente repletas de motivos ornamentais de uma complexidade extraordinária, assim como pequenas ilustrações que acompanham as páginas de texto. O Livro de Kells utiliza uma rica variação de cores, com violeta, vermelho, rosaverde ou amarelo, entre as mais usadas. A título comparativo, nas ilustrações do Livro de Durrow foram empregadas apenas quatro cores. De forma totalmente surpreendente e apesar da importância que os monges quiseram dar à obra, não fizeram uso de folhas de ouro ou de prata para adornar o manuscrito. Os pigmentos necessários para as ilustrações foram importados de todos os cantos da Europa e foram objeto de aprofundados estudos: o preto obteve-se das velas, o vermelho vivo do realgar, o amarelo do ouro-pigmento (ou orpiment, um sulfeto de arsênio amarelo) e o verde esmeralda do pó de malaquita. O caríssimo lápis-lazúli, de cor azul, veio da região do Afeganistão.
As iluminuras são mais ricas e numerosas que em qualquer outro manuscrito bíblico da Grã-Bretanha. Há dez páginas repletas de iluminuras que sobreviveram à prova do tempo, além dos retratos de evangelistas, três representações dos quatro símbolos dos evangelistas, uma página cujos motivos recordam uma tapeçaria artística, uma figura de Maria e o Menino Jesus, outra figura de Cristo no trono e finalmente duas últimas imagens consagradas à prisão e à tentação de Cristo. Existem ainda outras treze páginas cheias de iluminuras acompanhadas de um curto texto: em particular, é o caso do início de cada Evangelho. Oito das dez páginas dedicadas às tábuas canônicas de Eusébio de Cesaréia estão também ricamente ilustradas. Além de todas estas páginas, contabiliza-se no conjunto da obra um grande número de decorações menores ou de iniciais iluminadas.
O manuscrito, em seu estado atual, começa com um fragmento da lista de nomes hebreus, que ocupa a primeira coluna do anverso do fólio 1. A outra coluna deste fólio está ocupada por uma iluminura dos quatro símbolos dos evangelistas, hoje levemente apagada. A iluminura está orientada de tal maneira que o livro deve ser girado 90 graus para que ela possa ser examinada. O tema dos quatro símbolos dos evangelistas está presente do início ao fim da obra: quase sempre são representados juntos, com o objetivo de destacar e afirmar a unidade da mensagem dos quatro evangelhos.
A unidade dos Evangelhos fica ainda mais realçada pela decoração das tábuas canônicas de Eusébio de Cesaréia. Estas tábuas foram criadas para estabelecer a unidade dos quatro textos, permitindo ao leitor identificar as passagens equivalentes em cada Evangelho e normalmente ocupam doze páginas. Osamanuenses do Livro de Kells já reservaram doze páginas com esta finalidade (fólios 1 a 7) mas, por motivos desconhecidos, acabaram por condensar as tábuas em dez páginas somente, deixando assim duas páginas em branco (os fólios 6 e 7). Este reajuste deixou as tábuas confusas e inutilizáveis. A decoração das oito primeiras páginas das tábuas canônicas parece fortemente influenciada por manuscritos mais antigos da região mediterrânea, onde o costume era inserir as tábuas no desenho de um arco. Os monges que trabalharam no Livro de Kells empregaram este estilo, mas adicionando a sua própria idiossincrasia: os arcos não estão tratados como elementos arquitetônicos mas como motivos geométricos, decorados com motivos ornamentais tipicamente insulares. Os quatro símbolos dos evangelistas ocupam o espaço existente acima e abaixo dos arcos. As duas últimas páginas representam as tábuas em uma grade, o que é mais conforme a tradição dos manuscritos insulares, como no Livro de Durrow.
O restante do livro, tirando as tábuas canônicas, divide-se em seções, estando cada início de seção indicado por iluminuras e páginas cheias de texto decorado. Em especial, cada um dos Evangelhos é introduzido com iluminuras meticulosamente preparadas. Os textos preliminares são tratados como sendo uma seção, recebendo então uma decoração suntuosa. Além dos Evangelhos e dos textos preliminares, o segundo início doEvangelho segundo Mateus tem direito à sua própria decoração introdutória.
Os textos preliminares são introduzidos por uma imagem em ícone de Maria e o Menino Jesus (fólio 7º). Esta iluminura é a representação mais antiga da Virgem dentre todos os manuscritos do mundo ocidental. Maria aparece em uma rara mescla entre uma pose de frente e de três quartos. O estilo iconográfico da iluminura poderia originar-se de um modelo ortodoxo ou copta.
A iluminura de Maria e o Menino Jesus está na primeira página de texto e é adequada para introduzir as Breves causae de Mateus, que começa por um Nativitas Christi in Bethlem (o nascimento de Cristo em Belém). A primeira página das Breves causae (fólio 8º) está decorada e rodeada de uma elegante moldura. A combinação entre a iluminura posicionada à esquerda e o texto à direita constitui, deste modo, uma introdução muito viva e colorida dos textos preliminares. As primeiras linhas das outras seções dos textos preliminares foram igualmente objeto de cuidados particulares, mas sem alcançarem o mesmo nível que o início das Breves causae de Mateus.
O Livro de Kells foi criado para que cada Evangelho dispusesse de decorações introdutórias altamente elaboradas. Originalmente, cada um dos quatro textos era precedido de uma iluminura de página inteira que continha os quatro símbolos dos evangelistas, seguida de uma página em branco. Depois seguia-se, antes das primeiras linhas ricamente decoradas do texto, o retrato do evangelista correspondente. O Evangelho segundo Mateus conservou o retrato de seu evangelista (fólio 28º) e sua página de símbolos evangélicos (veja mais acima o fólio 27º). No Evangelho segundo Marcos falta o retrato do evangelista, mas sua página de símbolos permaneceu até os nossos dias (fólio 129º). Infelizmente, no Evangelho segundo Lucas não conseguiu-se preservar nenhum dos dois. Finalmente, no Evangelho segundo João, assim como no de Mateus, conservou-se o retrato de João (veja aqui ao lado o fólio 291º) e sua página de símbolos (fólio 290º). Provavelmente, as páginas que faltaram existiram, mas foram perdidas. Em qualquer caso, o uso sistemático de todos os símbolos dos evangelistas no início de cada Evangelho é tremendamente surpreendente, demonstrando o forte empenho em querer manter a unidade da mensagem evangélica.
A decoração das primeiras palavras de cada Evangelho é primorosamente trabalhada. As páginas correspondentes, de fato, parecem tapetes decorados: as ilustrações são tão elaboradas que o texto torna-se ilegível. A página de início do Evangelho segundo Mateus (veja acima o fólio 29º), é um exemplo: só tem duas palavras, Liber generationis (o livro da geração). O libde Liber transformou-se em um monograma gigante que domina toda a página. O er de Liber está representado por um entrelaçado de ornamentos com o b do monograma lib. A palavra Generationis estende-se por três linhas diferentes inserindo-se em uma moldura sofisticada à direita inferior da página. Todo o conjunto está agrupado por um elegante ribete. Este ribete e as mesmas letras estão ainda decoradas com espirais e arabescos, muitos deles zoomorfos. As primeiras palavras do Evangelho de Marcos, Initium evangelii (Início do Evangelho, veja ao lado) e do de João, In principio erat verbum (No princípio era o Verbo), foram objeto de tratamentos semelhantes. Estas ornamentações, ainda que particularmente mais trabalhadas no Livro de Kells, são encontradas em todos os evangeliários das ilhas britânicas.
O Evangelho segundo Mateus, como manda a norma, começa com uma genealogia de Jesus: o relato propriamente dito da vida de Cristo não se inicia até o versículo 1:18, que é considerado, por este motivo, como o segundo iníciodeste Evangelho. O Livro de Kells trata este segundo início com uma ênfase digna de um texto separado. Esta parte do Evangelho de Mateus começa pela palavra Cristo, que os manuscritos medievais tinham por costume abreviar com as duas letras gregas Qui e .
Este monograma Qui Ró, mais conhecido como monograma da Encarnação, foi objeto de um cuidado especial no Livro de Kells, até invadir o fólio 34º em sua totalidade. A letra Qui domina a página, com um de seus braços estendendo-se por uma grande superfície da folha. A letra  está enroscada sob as formas deQui. Ambas as letras estão divididas em compartimentos luxuosamente decorados com arabescos e outros motivos. No fundo do desenho dezenas de ilustrações entrelaçam-se umas nas outras. Entre esta massa de ornamentos ocultam-se toda classe de animais, inclusive insetos. Finalmente, de um dos braços de Quisurgem três anjos. Esta iluminura, no zênite de uma tradição iniciada com o Livro de Durrow, mostra-se como a mais formidável e mais cuidada dos monogramas da Encarnação dentre todos os manuscritos bíblicos das ilhas britânicas. Segundo Claude Médiavilla, especialista em caligrafia, o monograma da Encarnação seria provavelmente a peça de iluminura mais complexa alguma vez produzida […] Exigiu muitas semanas, talvez meses, de um trabalho árduo para o corpo e a visão.
O livro de Kells contém outras duas iluminuras de página inteira, que ilustram episódios da Paixão de Cristo. A primeira (fólio 114º) está dedicada à sua prisão: Jesus, imobilizado por dois personagens claramente menores que ele, está representado sob um arco estilizado. A segunda iluminura (fólio 202º) está consagrada à Tentação de Cristo: Jesus, de quem não se vê mais da cintura para cima, está no topo do Templo, com uma multidão à sua direita, que provavelmente representa seus discípulos. À sua esquerda e abaixo dele está a figura tenebrosa de Satanás, enquanto que dois anjos voam no céu.
A decoração da obra não se limita às passagens principais. Todas as páginas, com exceção de duas delas, contêm um mínimo de ornamentos. Algumas delas trazem iniciais decoradas, com pequenos personagens humanos ou zoomorfos. É a arte dos entrelaçamentos, de figuras de animais e de labirintos microscópicos inspirados, entre outros, na tradição celta. O texto das Beatitudes no Evangelho de Mateus, por exemplo, (fólio 40º) é acompanhado por todo o comprimento da margem de uma grande iluminura, na qual as letras B que iniciam cada linha entrelaçam-se como uma corrente. Da mesma maneira, a genealogia de Cristo no Evangelho de Lucas (fólio 200º) aproveita a repetição da palavra qui no início de cada linha para desenhar uma corrente. À direita das páginas são representados pequenos animais para preencher os vazios ocasionados pelas linhas que desviam-se de sua trajetória, ou simplesmente para ocupar o espaço à direita das linhas. Não existe um motivo idêntico a outro e nenhum manuscrito anterior pode rivalizar com tal profusão de ornamentos.
Todas as ilustrações são de grande qualidade e sua complexidade segue sendo objeto de fascinação. O exame de uma delas, que não ocupa mais que uns 2,5 cm², permitiu contabilizar não menos de 158 entrelaçamentos de faixas brancas orladas de preto de cada lado. A sutileza de algumas filigranas não pode ser apreciada sem a ajuda de lentes de aumento e isto levando-se em conta que não se podia dispor de lentes de amplificação necessária até vários séculos depois da realização da obra. Estas complicadas operações de arabescos foram realizadas do mesmo modo na mesma época sobre metais ou pedras. Desde sua gradual redescoberta a partir do século XIX, esses desenhos têm tido também uma permanente popularidade: muitos destes motivos são usados na atualidade, por exemplo, em jóias ou em tatuagens.
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