quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Crenças Pagãs - II


O termo “pagão” é uma denominação cristã que se refere àqueles que professavam uma religião onde não havia batismo. Hoje em dia, a moderna teologia chama às religiões primitivas de religiões primais. O homem primitivo mais evoluído achava que o Sol, a Lua e as estrelas eram manifestações de um Ser Supremo, bondoso. Por outro lado, a maioria achava que as forças da natureza eram manifestações de vida de espíritos vingativos e egoístas aos quais tinha que conquistar a amizade e acalmar a ira (animismo, do latim animus, alma ou espírito). O culto aos antepassados, seria uma forma de animismo.
Enquanto o povo passeava entre o animismo vulgar e se aproximava de um politeísmo ignorante, os eleitos viam tudo como manifestações da Divindade. O Edda escandinavo, o livro das lendas, proclama a idéia de um Deus único, pai do Universo, ser de amor e bondade. Da junção entre o politeísmo popular e o monoteísmo verdadeiro, formas mistas surgiram. Havia os que acreditavam em vários deuses, mas com um deles predominando, o deus do clã ou da tribo, o deus principal (monolatria), e havia os que passaram a ver a Divindade manifestada, como que dissolvida, em tudo o existente (panteísmo). A monolatria ainda é vista hoje em alguns povos de Uganda, e por fiéis menos esclarecidos de quase todas as atuais religiões.
Pode-se enquadrar na categoria de “pagãs”, tanto as religiões mais primais, confinadas a tribos e clãs, como as mais institucionalizadas e espiritualizadas, como a religião finlandesa, celta e escandinava, a egípcia, a persa, a mesopotâmica, a grega e a romana. Essas serão detalhadas mais adiante. A rigor, o termo pagão, para os cristãos, incluiria o hinduísmo, o budismo, o xintoísmo, o taoísmo e até o islamismo.
Para a maioria, o Sol, como fonte e sustentação de toda a vida, passou a ser a divindade principal, ou a manifestação visível da Divindade (Ez 8:16). Observavam o Sol e em sua honra foram construídos templos e instituídas festas e cerimônias. O curso do Sol pelo zodíaco originou o mito das 12 encarnações de Vishnu (Cf. emBRAMANISMO), os 12 trabalhos de Hércules, etc.
À aparente perda de calor do Sol durante o inverno, se seguia seu reaquecimento (renascimento) a partir do solstício de inverno, que corresponde ao dia mais curto do ano (no hemisfério Norte entre 22 e 23 de dezembro), que perdurava até o equinócio da primavera (21 de março no hemisfério Norte, data em que dia e noite têm a mesma duração devido ao fato de o Sol nascer precisamente no leste e se por precisamente no oeste), chegando ao seu apogeu no solstício de verão (22 ou 23 de junho no hemisfério Norte, o dia mais longo do ano). Esse ritmo fez os antigos dizerem que o Sol nascia e era o mesmo para todas as nações no solstício de inverno, fortificava-se até o equinócio da primavera chegando à sua glória no solstício de verão, para então morrer e descer aos infernos durante o equinócio do outono (23 de setembro). Daí teria surgido a lenda da morte, descida ao inferno e ressurreição dos diversos deuses de quase todas as religiões (citados anteriormente).
Da relação das fases da Lua com as datas dos Solstícios e Equinócios, no hemisfério Norte, originaram-se as datas de todas as festas e cerimônias pagãs, que nomeavam seus dias da semana com o nome dos astros até então conhecidos.
Outra forma de religiosidade era o culto a homens-deus que vinham à existência e se sacrificavam em prol do povo. Desse modo personificaram-se figuras mistas de divindade e humanidade como Hórus, Osíris, Hermes, Apolo, etc., representando homens que existiram e foram elevados à categoria de deuses por suas ações pelo bem da humanidade. Esses deuses, após a morte, ressuscitavam em glória, para o bem da humanidade.
Paulatinamente a degradação tomou conta dos ritos, que originariamente tinham um significado simbólico que se tornou deturpado. Pã era a “Natureza Absoluta, o Único e o Grande Todo”. Os festivais ao grande deus da Natureza Pã, celebrados nos Equinócios e Solstícios, em que se celebrava a Natureza como criação divina, se transformaram em festas orgiásticas (daí sua popularidade), e Pã foi transformado no princípio do mal dos cristãos (Cf. em CRISTIANISMO). Da mesma forma o Falicismo, que era o culto ao falo como símbolo da fecundidade da Natureza, se deturpou.

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