quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um pouquinho sobre Freya...


Freya (Frija, Frowe, Frea, Fro, Vanadis, Vanabrudr, Mardöll, Hörn, Syr, Gefn) - “A Senhora”
Tantos nomes para poder designar a mais gloriosa e brilhante deusa nórdica, e talvez mesmo assim ainda não se faça jus a tudo o que ela personificava e significava para os pagãos nórdicos.
Alguns autores consideravam Freya e Frigga aspectos de uma mesma Deusa, porém, as diferenças são óbvias. Enquanto Frigga é a padroeira da paz e da vida doméstica protetora da família, Freya é a regente do amor e da guerra, da fertilidade, da magia e da morte.
Chamada de “Afrodite nórdica”, Freya era considerada “A Senhora” e seu irmão Frey, “O Senhor”, ambos invocados para atrair a fertilidade da terra e a prosperidade das pessoas.

Filha da deusa da terra Nerthus e do deus do mar Njord, Freya fazia parte das divindades mais antigas, Vanir, e foi cedida junto com o pai e o irmão ao clã dos Aesir, como parte do acordo firmado entre os dois clãs de deuses. Da análise de seu arquétipo, podem ser feitas algumas comparações com deusas de outras culturas e identificadas semelhanças.
Como Perséfone, Freya também se ausentava da terra por alguns meses, causando a queda das folhas e a chegada do inverno.
Da mesma forma que Hécate, Freya ensinou as artes mágicas às mulheres e era a padroeira das magas,bruxas e das profetisas (völvas e seidhkonas).
Assim como Afrodite, Freya regia o amor e o sexo e teve numerosos amantes (segundo os comentários de Loki, todos os aesir, todos os elfos, quatro gnomos e alguns mortais), sendo considerada adúltera e promíscua pelos historiadores cristãos. Era casada com Odr, mas, em razão de seu desaparecimento por alguns meses do ano, Freya chora lágrimas de âmbar e ouro, procura-o e lamenta sua ausência. As duas deusas são aficionadas por ouro e jóias. Afrodite tem seu cinto mágico, Freyja usa o famoso colar Brisingamen e o nome de suas duas filhas - Hnoss e Gersemi, que significam, respectivamente, tesouro e jóia.
Cibele, em seu mito, era servida por sacerdotes eunucos; os magos nórdicos que usavam as práticas seidhr eram considerados efeminados e vistos com desdém pelos guerreiros que os apelidavam de ergi. Enquanto a carruagem de Cibele era puxada por leões, a de Freya era conduzida por gatos.
Também são citadas as deusas celtas Maeve, Morrigan e Macha, pois Freya tanto era guerreira, quanto sedutora, e usava a magia ou a astúcia para atingir seus objetivos.
Outras deusas correlatas são Anat, Ishtar e Inanna, que têm em comum com Freya os traços guerreiros, a licenciosidade amorosa, as habilidades mágicas e a morte e renascimento (ou retorno) de seus amados.
A escritora Sheena McGrath compara Freya não apenas a essas deusas, mas também a Odin, pois ambos se valiam do sexo para atingir seus propósitos. Ambos são adúlteros e ardilosos, viajam metamorfoseados entre os mundos e recebem as almas dos guerreiros mortos em seus salões.
Freya possuía um colar mágico, Brisingamen, obtido de quatro gnomos ferreiros, em troca do qual ela dormiu uma noite com cada um. Odin, com inveja dos poderes mágicos do colar, enviou Loki para que o roubasse. Ele se transformou em uma pulga e mordeu o pescoço de Freya que, ao se coçar, soltou o colar, permitindo que Loki o roubasse. Para reavê-lo, Freya teve que fazer algumas concessões para Odin com relação à disputa sobre os ganhadores nas batalhas (cada um deles queria a vitória para seus protegidos).
Freya vivia na planície de Folvangr (”campo de batalha”), em um palácio chamado Sessrumnir (”muitos salões”). Diariamente, ela cavalgava, como condutora das Valquírias, e recolhia metade dos guerreiros mortos em combate. Nesse aspecto, seu nome era Val-Freya. Como recompensa por ter iniciado Odin na prática da magia seidhr, Freya podia escolher quais heróis desejava, os demais cabiam a Odin. Ela também recebia as almas das mulheres solteiras.
Como Vanadis, Freya era a regente das Disir, que personificavam aspectos das forças da natureza (sol, chuva, fertilidade, abundância e proteção) e eram as matriarcas ancestrais das tribos, reverenciadas com o festival anial Disirblot, na noite de 31 de outubro.
A escritora Monica Sjöo considera Freya e Frigga deusas gêmeas ou, juntamente com Hel, parte de uma tríade, embora, tivessem atributos totalmente diferentes.
Freya também tinha seu aspecto solar: chamada de “Sol brilhante”, ela chorava lágrimas de ouro e âmbar, que eram também os nomes de seus gatos, chamados por Diana Paxson de Tregul (”ouro da árvore”) e Bygul (”ouro de abelha”). Sua busca por Odr seguiu a trajetória do Sol, conforme as mudanças de estações, o que também a ligava a terra. Com o nome de Mardal ou Mardöll, Freya era reverenciada como “o brilho dourado que aparece na superfície da água iluminada pelos raios do Sol poente”. Supõe-s que Gullveig (a enigmática giganta que disseminou a cobiça entre os deuses Aesir) tenha sido um disfarce usado por Freya, enfatizando sua paixão pelo ouro. E foi como a maga Heidhr, “A Brilhante”, que ela ensinou a magia seidhr a Odin.
Outras de suas manifestações são Hörn, “A fiandeira”, regente do linho; Dyr, representada como “A porca”, a protetora dos animais domésticos, e Defn, “A generosa”; mas sempre como “A Senhora”, real significado de seu nome (Frowe, Fru ou Frau).
Atributos: representação da feminilidade, do amor, do erotismo da vida, da prosperidade e do bem-estar. Também era a regente das batalhas, da guerra e da coragem. Era a senhora da magia, a padroeira das profecias e das práticas xamânicas seidhr ou seidr (compostas por transe, necromancia, magia e adivinhação). Suas sacerdotisas eram as völvas e serdhkonas. Freya era a deusa nórdica mais cultuada e conhecida; seu nome deu origem à palavra fru (que significa “mulher que tem o domínio sobre seus bens”), que acabou por se tornar, com o passar do tempo, o equivalente a “mulher”. Renomada pela beleza extraordinária e pelo poder de sedução, ela tinha formas exuberantes e aparecia com os seios desnudos, o manto de penas de falcão nos ombros e inúmeras jóias de ouro e âmbar.
Elementos: fogo, água e terra.
Animais totêmicos: gato, falcão, porca, lince, felinos, cisne, cuco, aves de rapina, doninha, javali (considerado a metamorfose do seu amante Ottar), joaninha (”lady’s bug“).
Cores: dourado, verde, vermelho-escuro.
Árvore: sabugueiro, giesta, maciera, cerejeira, sorveira, tília.
Plantas: avenca, catnip (espécie de valeriana), lady’s slipper (”sapato-de-vênus”), rosa vermelha, lágrimas-de-nossa-senhora, madrágora, verbena.
Pedras: âmbar, olho-de-gato e de falcão, pedra-de-sol, esmeralda, calcopirita, granada, safira, azeviche (chamado de “âmbar negro”).
Metais: ouro, cobre.
Dia da semana: sexta-feira (Freitag ou Friday, dia de Freya). Este dia consagrado a Freya pode ser utilizado para trabalhos de amor, sexo e magia.
Datas de celebração: 08/01, 19-30/04, 25/06, 28/08, 15-31/10, 27/12.
Símbolos: o colar mágico Brisingamen, o manto de penas de falcão, as luvas de pele de gato, gnomos, carruagem solar, o ciclo das estações (símbolo da busca por seu marido Odr), jóias (de ouro e âmbar), mel, veludo, linho, seda, formas de coração, caldeirão, as estrelas Vega e Spica.
Rituais:
Para aumentar a sensibilidade e o poder de sedução
Escolha flores de cores quentes como hibiscos, gerânios e rosas vermelhas. Prepare um banho comas flores, água morna e algumas gotas dde óleo essencial de ylang-ylang. Acenda uma vela laranja ou amarela e um incenso de sândalo ou canela. Banhe-se demoradamente. Sinta a magia e a sensualidade de Freya percorrendo seu corpo e aflorando sua sexualidade.

Para ativar a intuição e o poder mágico
Freya tem o poder do Amor e da Magia. Utilize a oração a seguir para pedir auxílio no desenvolvimento de poderes mágicos:

"Freya! Senhora das Valquírias
Dama da Magia por quem eu chamo agora
Ajude-me a encontrar o caminho encantado!
Senhora das lágrimas de âmbar, mostre-me a chave da mais profunda Magia!
Para desenvolvimentos dos talentos psíquicos e execução de magia
Unte uma vela verde com óleo de zimbro ou pinho, do pavio à base. Use um colar ou um pingente de âmbar em honra a Brisingamen; ou tenha uma peça de âmbar em suas mãos. Se vista com uma túnica verde ou que tenha detalhes verdes. Sente-se numa cadeira confortável aonde não venha a ser perturbado. Diga:

" Mulher Falcão! A Lua flutua através das árvores.
Freya! Chamo por aquela que chora ouro!
Dama da feitiçaria! Não temo sua presença.
Guardiã de Brisingamen! Revele-me os segredos dos nós e tranças.
Freya! Deusa da Lua! Rainha das Valquírias!
Dê-me a chave para a magia profunda."

Feche os olhos e respire profundamente. Sinta seu corpo relaxando. Diante de você há uma porta brilhante de luz. Visualize-se atravessando essa porta. Você está no salão de Freya em Asgard. A deusa está sentada em seu trono. Há um banquinho a seus pés. Ela acena a você, e você caminha pelo salão para se sentar no banquinho. Dedique o tempo que for necessário a conversar com Freya e receber seus sábios conselhos. Ao terminar, despeça-se e retorne através da porta de luz para seu corpo físico. Respire fundo novamente. Repita o canto e agradeça a Freya por sua ajuda.
Palavras-chave: poder de sedução, magia.

Culto à Freya
Era costume serem realizadas ocasiões solenes ou festivais para beber e honrar a Deusa Freya junto com outros Deuses, mas quando advento do cristianismo se introduziu no Norte, iguais comemorações foram transladadas para a Virgem ou a Santa Gertrudes. A mesma Freya, como todas as divindades pagãs, foi declarada como demônio ou uma bruxa e desterrada aos picos das montanhas norueguesas, suecas e alemãs. Como a andorinha, o cuco e o gato era animais sagrados para Freya nos tempos pagãos, acreditou-se que essas criaturas tinham qualidades demoníacas, e inclusive nos dias atuais se representa as bruxas com gatos pretos ao seu lado.

Curiosidades
O vanádio, é um elemento químico, símbolo V, foi descoberto, em princípio, por um mineralogista espanhol Andrés Manuel del Rio, no México em 1801, num mineral de chumbo. Em 1830, o sueco Nils Gabriel Sefström descobriu o elemento num óxido que encontrou enquanto trabalhava numa mina de ferro e deu-lhe o nome pelo qual é conhecido atualmente Vanádio, que é uma homenagem a deusa Vanadis, que é um dos nomes de Freya.


Autor: Aleteia Glustak
Referências
FAUR, Mirella - Mistérios Nórdicos – Deuses. Runas. Magias. Rituais. São Paulo: Pensamento. 1ª Ed. 2007.
DAVIDSON, H. R. Ellis – Deuses e Mitos do Norte da Europa. São Paulo: Madras. 2004.
GRUPO RODA DA LUA – O Livro das Deusas. São Paulo: Publifolhas. 2005.

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