domingo, 27 de outubro de 2013

Série: Mitologia Brasileira - Nhanderuvuçú.

Índios Tupi Guarani.
Nhanderuvuçú (também grafado Nhamandú, Yamandú ou Nhandejara) considerado o deus supremo na mitologia tupi-guarani. Nhanderuvuçú não tem a chamada forma antropomórfica, é a energia que existe, sempre existiu e existirá para sempre, portanto Nhanderuvuçú existe mesmo antes de existir o Universo. Ele não tem uma forma humana, é apenas uma energia que sempre existiu,até mesmo antes do Universo, em meio ao caos. A energia não pode ser criada ou destruída e pode se transformar em outro tipo de energia.

Com a ajuda da Deusa da lua, Araci, Nhanderuvuçú, criou o mundo. Ele vem para a Terra, mais especificamente, para um monte, na região do atual Paraguai. Lá ele cria tudo que existe na face da terra: oceanos, animais, florestas, estrelas etc. No princípio ele destruiu tudo que existia e depois criou a alma, que na língua tupi-guarani diz-se "Anhang" ou "añã" a alma; "gwea" significa velho(a); portanto anhangüera "añã'gwea" significa alma antiga. Os jesuítas durante a catequese dos indígenas brasileiros, interpretaram equivocadamente "Anhangüera" com o significado de "diabo velho" ao invés de "alma antiga".
 Nhanderuvuçú criou as duas almas e, das duas almas (+) e (-) surgiu "anhandeci" a matéria. Depois ele disse para haver lagos, neblina, cerração e rios. Para proteger tudo isso, ele criou Iara. Depois de Iara, Nhanderuvuçú criou Tupã que é quem controla o clima, o tempo e o vento, Tupã manifesta-se com os raios, trovões, relâmpagos, ventos e tempestades, é Tupã quem empurra as nuvens pelo céu. Os indígenas rezam a Nhanderuvuçu e seu mensageiro Tupã. Tupã não era exatamente um deus, mas sim uma manifestação de um deus na forma do som do trovão. É importante destacar esta confusão feita pelos jesuítas. Nhanderuete, "o liberador da palavra original", segundo a tradição mbyá, que é um dialeto da língua guarani, do tronco lingüístico tupi, seria algo mais próximo do que os catequizadores imaginavam. Nhanderuvuçú criou também Caaporã o protetor das matas por si só nascidas e protetor dos animais que vivem nas florestas, nos campos, nos rios, nos oceanos, enfim o protetor de todos os seres vivos. Osvaldo Orico, grande escritor brasileiro e diplomata, foi da opinião de que os indígenas tinham noção da existência de uma força, de um Deus superior a todos. Assim ele diz: "A despeito da singela ideia religiosa que os caracterizava, tinha noção de Ente Supremo, cuja voz se fazia ouvir nas tempestades – Tupã-cinunga, ou "o trovão", cujo reflexo luminoso era Tupãberaba, ou relâmpago. Os índios acreditavam ser o deus da criação, o deus da luz. Sua morada seria o sol. Para os indígenas, antes dos jesuítas os catequizarem, Tupã representava um ato divino, era o sopro, a vida, e o homem a flauta em pé, que ganha a vida com o fluxo que por ele passa.
A primeira mulher criada, Amaú e, o primeiro homem, Poronominare.
A religião "Primitiva do Brasil", não inclui nenhum personagem antropomórfico (forma humana) em suas crenças, apenas Poronominare e Amaú possuem essa forma mas, não são divinos, são animais também e, portanto pertencem à Caaporã o protetor de toda a natureza viva e isso inclui todos os seres vivos inclusive nós os animais humanos. Dizem: "A realidade é a única verdade em que podemos acreditar". Outro equívoco dos Jesuítas foi chamar Caaporã de "curupira" que é o mito de um demônio com forma de gente e com os pés ao contrário criado segundo a imaginação no folclore dos colonizadores cristãos no Brasil durante o processo da catequese destes índios.

Nhandevuruçu então criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos Guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu. 
Os humanos originais criados eram Rupave e Sypave, nomes que significam "Pai dos povos" e "Mãe dos povos", respectivamente. O par teve três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo Guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito Guarani. Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele eventualmente cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e desde então todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá.

Entre as filhas de Rupave e Sypave estava Porâsý, notável por sacrificar sua própria vida para livrar o mundo de um dos sete monstros legendários, diminuindo seu poder (e portanto o poder do mal como um todo). Crê-se que vários dos primeiros humanos ascenderam em suas mortes e se tornaram entidades menores.

Nhanderuvuçú é considerado Deus supremo na religião primitiva dos índios brasileiros que habitavam as terras tupiniquins atualmente chamadas Brasil. Os exploradores portugueses descobriram essas terras em 22 de abril de 1500 e inicialmente as nomearam ilha de Vera Cruz. Depois, verificando que não era possível contornar a tal da ilha, concluiram em se tratar de um imenso território o qual passou a ser chamado Terra de Santa Cruz devido à forte influência religiosa em tudo o que nomeavam em suas viagens exploratórias. Depois, com a exploração e exportação para a Europa, do pau-brasil (madeira avermelhada como brasa) esse grande território passou a ser chamado Brasil.

Brasil este que habitamos e mal sabemos do Panteão Tupi-Guarani. Farei mais postagens sobre os Deuses Brasileiros ao longo desta semana. E para finalizar: 

''O ser humano ao contrario dos demais seres vivos desse planeta, prefere andar sobre o concreto que a grama. Vivem em ambientes artificiais. A habilidade animalesca compartilhada de produzir artificialmente um abrigo ou "defesa", nos assim chamados "humanos", extrapolou todos os limites geográficos do planeta em que coabitam. É de se admirar a competência, visto por alguns como mero acaso, de se manter viva por um tempo relativamente curto, tendo em vista as escolhas atrozes dos que agora vivem e comandam a agenda mundial. É impensável, pois faz parte da realidade dos que ali moram.'' - Autor Desconhecido.

Música e Reportagem: 

Kangwaá - Cantando para Nhanderú

Clique na imagem acima
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2 comentários:

  1. Muito interessante. Se me permite gostaria de lembrar que o nome Brasil já existia muito antes dos colonizadores.Existia na forma da mítica ilha de Hy Brazil ou ainda como o nome Brzl em aramaico ,hebraico e fenício que acrescentado das vogais significa ferro se referindo a uma terra rica em ferro (temos as maiores reservas de minério de ferro do mundo). Pode encontrar referencias disto no livro "As línguas do mundo" de Charles Berlitz (pg 197) e é claro na internet.Abraço

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  2. Olá, estou fazendo um trabalho sobre o panteão tupi e gostaria de saber sua fonte bibliográfica, pois é difícil encontrar livros referentes ao tema. obrigada. Letícia (lesecomandi@hotmail.com)

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