sexta-feira, 18 de abril de 2014

Cerridwen: Deusa Celta da Morte & Renascimento. + Ritual.

Cerridwen
(MORTE E RENASCIMENTO)
''Eu lhe dou a vida...
Eu lhe dou a morte...
É tudo uma coisa só.
Você anda pelo caminho em espiral
O caminho eterno que é a existência
Sempre se transformando,
Sempre crescendo,
Sempre mudando,
Nada morre que não nasça outra vez
Nada existe sem ter morrido...
Quando vier até mim eu lhe darei as boas-vindas
Então a acolherei no meu útero
Meu caldeirão de transformação
Onde você é misturada e peneirada
Fundida e fervida, derretida e triturada
Reconstituída e depois reciclada...
Você sempre volta para mim
você sempre vai embora renovada
Morte e renascimento...
não são nada mais que pontos de 
transição ao longo do Caminho Eterno''
Mitologia
Para os galeses, Cerridwen é uma Deusa tríplice — donzela, mãe e mulher idosa — cujo animal totêmico é uma grande porca branca. Ela se relaciona com a Lua, a inspiração, a poesia, a profecia, a mudança de forma e a vida e a morte. Cerridwen teve dois filhos. Um era belo e o outro, feio.
Como queria que o rapaz feio tivesse algo de seu, ela fez para ele uma poção mágica. Demorou um ano e um dia para terminar de fazer a poção, que se destinava a torná-lo inspirado e brilhante. Ela ordenou que Gwion, seu assistente, tomasse conta da poção e o advertiu para não bebê-la. Acidentalmente, algumas gotas da poção espirraram na mão de Gwion, e ele levou a mão à boca. Instantaneamente, ele sabia tudo, até mesmo que Cerridwen tentaria matá-lo. Ele fugiu e ela foi atrás dele. Depois de muitas mudanças de forma, Gwion foi engolido por Cerridwen, que o deu à luz nove meses depois.

Mensagem da Deusa pra você: 
A aparição de Cerridwen na sua vida anuncia um tempo de morte e renascimento. Algo está
morrendo, e é preciso deixar que se vá para que algo novo possa nascer. Conhecemos essa dança de morte e renascimento da Terra com as estações do ano. A matéria não pode ser criada ou destruída, mas passa por transformações. O mesmo acontece conosco. Para viver na plenitude e com totalidade é preciso que aceitemos a vida como ela é, que inclui a morte e o renascimento.
Desapegue-se do que não serve mais para você e para sua totalidade.
Talvez você tenha chegado ao final de um ciclo, de um relacionamento, de um emprego, e esteja com medo de deixá-los ir embora. Ou sente que está morrendo, quando apenas uma parte de você tem de dar lugar ao novo. Talvez a ideia de que existe morte e apenas morte seja dolorosa demais para você aceitar. O fato de vivermos em determinada cultura privou a maioria de nós do caminho de morte e renascimento da Deusa. A totalidade é alimentada quando ficamos conscientes de que cada passo no caminho da vida também é um passo rumo à morte e ao renascimento. A totalidade é conquistada quando conseguimos dizer sim e dançar com a morte e o renascimento.
Cerridwen diz que você sempre receberá de volta o que der a ela. Isso será mudado, transformado, mas você o terá de volta.

Sugestão de ritual: O caldeirão de Cerridwen
Reserve um horário e um lugar em que você não seja incomodada.
Sente-se ou deite-se confortavelmente, com a coluna reta. Feche os olhos. Inspire profundamente e expire lentamente, contando até dez. Inspire outra vez e novamente expire contando até dez. Faça uma terceira inspiração profunda e, enquanto solta o ar, visualize ou sinta um túnel. Pode ser um túnel que você conheça ou um túnel que você imagine. Fique em pé do lado de fora do túnel e passe os dedos pela superfície da entrada. Sinta o cheiro. Entre no túnel. Lá dentro está quente e confortável, ele é bem iluminado e agradável. Você vai descendo, descendo cada vez mais fundo.
Descendo, descendo, sente-se relaxada, confortável, até chegar ao final do túnel. Há luz no fim do túnel, a luz do Além. Você passa para o Além e é recebida por Cerridwen. Ela pega você pela mão e a leva até seu caldeirão. Ele é gigantesco e preto. Cerridwen mexe o conteúdo do caldeirão e pede que você ponha ali tudo o que precisa ser transformado e abandonado, tudo que precisa morrer. Você põe tudo no caldeirão e mexe. Cerridwen agita o caldeirão.
Cerridwen pára de agitar o caldeirão, deixa de lado seu bastão e coloca as mãos dentro dele. Ela tira o que você jogou lá dentro, que coloca na sua frente. O que você jogou foi transformado no que é preciso. Você agradece a Cerridwen e ela lhe pede um presente, que você dá de boa vontade. Pronta para voltar, você entra no túnel levando consigo o que foi transformado dentro do caldeirão de Cerridwen. Agora você está subindo, subindo, subindo, sentindo-se revigorada, energizada. Continue a subir até chegar à entrada do túnel. Você sai do túnel e respira profundamente. Ao expirar lentamente, você volta ao corpo. Respire fundo mais uma vez e, quando estiver pronta, abra os olhos. Seja bem-vinda!

Fonte: Livro - O Oráculo da Deusa.

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