sábado, 14 de junho de 2014

O CÍRCULO MÁGICO

O CÍRCULO MÁGICO
Organizar um círculo mágico cria um espaço sagrado inaugura um tempo sagrado. Para muitas de nós, estar num círculo é como reingressar no tempo original ou no tempo onírico que existiu no começo do mundo. Na linguagem dos contos de fadas, colocamo-nos no instante em que o universo principiou, o momento a que chamamos "era uma vez". Sentimos o que Carlos Castañeda, em sua descrição da magia yaqui, chama "parar o mundo". Estamos num anel, segurando-nos as mãos, e situados "entre os mundos" da realidade ordinária e não-ordinária. Todos os tempos e todos os lugares se encontram no interior do nosso círculo, que se converte no centro do universo para nós. Tal como o pentáculo, somos a estrela dentro do grande círculo da vida.
Os círculos são lugares poderosos para realizar trabalho espiritual e curativo. Aí podemos atrair para baixo as energias celestiais da lua, planetas e estrelas, e atrair para cima os vastos fluxos de vida que emanam do interior da Terra-Mãe. Tal como Yggdrasil, o nome dado pelo povo nórdico à mágica Arvore do Mundo que une os mundos inferior, central e superior com suas vastas raízes e ramos, o anel dos nossos corpos contém Céu e Terra, e toda a energia flui através de nossas mentes concentradas e equilibradas. Num círculo, encontramos os deuses — essas forças arquetípicas que nunca morrem — e em alguns rituais atraímos para baixo o poder do Deus e da Deusa, e assim nos convertemos neles. Cantando, dançando ou tocando ritmadamente tambores, a nossa consciência ordinária desloca-se e altera-se, e a nossa percepção torna-se mais centrada em Deus. O humano é elevado; podemos ver mais claramente o significado e o desígnio que servem de esteio ao cosmo. Nesses círculos onde a consciência está intensamente sintonizada em alfa, os sortilégios são muito poderosos. A magia funciona. Os resultados são espetaculares.
Ao organizar um círculo mágico, purificamos primeiro o espaço que usaremos com os quatro elementos de terra, ar, fogo e água. Caminhamos ao redor da área que se tornará o círculo mágico levando conosco uma grande tigela de sal e água (representando a terra e a água) e um incensório (representando o fogo e o ar). Enquanto percorremos a trajetória do círculo, dizemos: "Pela água e pela terra, pelo fogo e pelo ar, pelo espírito, seja este círculo amarrado e purificado como desejamos. Assim seja." Depois, a suma sacerdotisa, empunhando seu cetro, caminha na direção dos ponteiros do relógio em redor do círculo três vezes, dizendo: "Faço este círculo para proteger-nos de todas as forças e energias negativas e positivas que possam surgir para causar-nos dano. Encarrego este círculo de atrair unicamente as mais perfeitas, poderosas, corretas e harmoniosas forças e energias que sejam compatíveis conosco. Faço este círculo para servir de espaço sagrado entre os mundos, um lugar de perfeito amor e de perfeita confiança. Assim seja.''
Depois convidamos os poderes animais e os espíritos a que se juntem a nós. Do sul, convidamos o leão; do oeste, a águia e o salmão; do norte, o javali, o urso, o lobo e o boi de chifres brancos; do leste, os pássaros do ar. Convidamos essas criaturas de poder, vigor, visão, coragem e saber mágico para que adicionem suas energias ao nosso círculo. A seguir, convidamos os Deuses e Deusas Celtas: Cernunnos, ou Cerne, o Homem Verde; o Deus Cornífero; Brigit, Deusa do Fogo, da Família e da Fertilidade; Ceridwen, Deusa da Lua e da Magia, e a Feiticeira dos Deuses; Gwyddian, Deus da Mágica e Supremo Druida dos Deuses: Dagda, o Pai dos Deuses, e Anu, a Mãe dos Deuses. Pedimos-lhes que nos concedam sabedoria e compreensão para os nossos trabalhos mágicos, de modo que sejam para o nosso bem e para o bem de todos. Fazemos então a nossa magia para a ocasião. Realizamos os nossos sortilégios. Produzimos curas e rituais de renovação. Compartilhamos nossas esperanças e sonhos umas com as outras.
Os rituais da Assembléia são extremamente variados. Alguns são experiências dramáticas e poderosas; outros são monótonos e enfadonhos. Isso depende do espírito individual e coletivo dos participantes, da perícia e do senso teatral que a pessoa que conduz o ritual lhe incute, do entusiasmo da ocasião e da capacidade para invocar e trabalhar com as energias espirituais que a Assembléia atrai para o círculo. A energia psíquica é intensificada pelo canto, a dança ou a música tocada em instrumentos de sopro, de cordas ou de percussão (flautas, tambores, tamborins, flautas pastoris e guitarras são instrumentos favoritos da nossa Arte). 
Quando a energia cresce no círculo, a líder dirige a consciência dos membros pelo canto ou pela meditação grupal para que se concentre e se invista no objetivo ou propósito do ritual. Isso pode ser a cura pessoal de um membro da Assembléia ou de alguém que não está presente; ou um objetivo social, como a paz, a prosperidade da comunidade, a segurança pública ou uma questão ambiental, como chuva, fertilidade, equilíbrio na natureza, curar os males da Terra. Em minha Assembléia, também usamos esse tempo e espaço sagrados para que cada membro leia um sortilégio pessoal ou expresse petições e sentimentos individuais que desejamos compartilhar com o resto da Assembléia.
No ritual de puxar a lua para baixo, um sumo sacerdote e uma suma sacerdotisa invocam o Deus e a Deusa e recolhem em seus corpos a pura essência do poder divino em suas formas masculina e feminina. Num ritual típico, a mulher segura a taça de vinho ou de água de uma fonte, símbolo do ventre, da plenitude e da nutrição. O homem empunha o atame, a sua adaga ritual, com ambas as mãos, a ponta voltada para baixo, o qual simboliza a energia e a proteção masculinas. Quando ele coloca o atame na taça, o casal está reencenando a união das energias masculinas e femininas que são a fonte de todas as coisas vivas. 
O homem traça um pentáculo na superfície do vinho ou da água com o atame, e o ritual de puxar a lua para baixo está completo. A presença do Deus e da Deusa encarnados nesses dois indivíduos é respeitada por todos os membros da Assembléia. Os dois celebrantes tornam-se então receptáculos para a inteligência total do Todo. À semelhança de oráculos, ou do que hoje se chama popularmente "canalizadores", o Bruxo e a Bruxa podem falar ao Deus e à Deusa, e transmitir conhecimentos e informações á Assembléia. Respondem a perguntas sobre questões pessoais nas vidas dos membros, assim como revelam intuições e facilitam a compreensão sobre os domínios espirituais. Nesses rituais, o Deus e a Deusa podem ensinar-nos novos rituais e novos processos para a prática da magia e a realização de curas, ou podem aconselhar a Assembléia ou seus membros individuais sobre novos trabalhos e iniciativas que devem empreender.
Em muitos ritos, os membros da Assembléia repartem a tradicional "refeição" de bolos e vinho, cortando e repartindo o pão ou bolo e passando de mãos em mãos a taça de vinho ou suco para celebrar os frutos da Mãe-Terra. Desse modo expressamos mutuamente o nosso vínculo comum como criaturas da Terra e filhos e filhas dos Magnânimos, de quem dependemos para o alimento e o nutrimento. Também lembramos a nós mesmos nessa partilha que somos dependentes uns dos outros como irmãos e irmãs, e que devemos nos dar uns aos outros e à sociedade para que as pessoas possam viver e ter uma vida abundante.
Quando o ritual termina, a suma sacerdotisa caminha no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio em torno do círculo com seu cetro, declarando que o "círculo está agora aberto, mas não contínuo", e com isso a nossa energia coletiva sai para o mundo a fim de executarmos nossas tarefas. Quando o ritual está concluído, os membros confraternizam socialmente um pouco, antes de se despedirem.

Fonte: O Poder da Bruxa.

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