terça-feira, 2 de setembro de 2014

A Consagração dos Instrumentos


A Consagração dos Instrumentos
Como o mesmo ritual é utilizado para todos os instrumentos pessoais, daremos como exemplo a consagração da faca. Somente no final é que acontece uma pequena diferença em relação à estaca, que será explicada. Esses rituais incluem o uso do fogo e da água, devendo, portanto, ser realizados ao ar livre. A escolha do local e da época cabe à própria pessoa, ou, se for o caso de uma dupla, a consagração será realizada quando ambos determinarem qual é o momento certo. Para seguir estritamente a tradição, o ritual deverá ser realizado entre a lua crescente e a cheia. Em sentido mágico, a lua crescente equivale ao poder crescente. Durante os estágios minguantes, o poder lentamente decresce, e a energia que impregnará a faca ou a estaca será mais fraca. Prefiro não julgar a validade dessa crença.
Todos os objetos que consagrei sempre foram submetidos a ritual durante períodos de lua cheia. Mas, como mencionei, cabe a cada um julgar o seu melhor momento.
Como acontece com qualquer trabalho mágico, deve-se traçar o círculo. No seu centro fica o fogo, o primeiro dos elementos a ser utilizado no ritual de consagração. Afaça deve ser passada por ele três vezes. A cada vez, repete-se a frase:
"Assim como eu passo essa faca pelos fogos da purificação, seu passado e seu presente são queimados e dela retirados."

O passo seguinte consiste em aspergir a faca com água três vezes, dizendo-se:
"Com as águas do tempo e do perdão, eu lavo as cinzas do passado e do presente. Por isso, ela está pronta para servir a um novo propósito."

Em seguida, a faca é fincada no elemento terra, com as seguintes palavras:
"Assim eu planto essa faca na terra, ventre da Mãe. Desse ventre provém a vida, e essa vida, passando para essa lâmina, terá o poder de fertilizar o vinho e de direcionar a energia que surge dentro do círculo. Assim, pelo ventre da Mãe, essa lâmina torna-se instrumento e foco da minha vontade."

A parte final do ritual é quando a faca é retirada da terra. Em nome do elemento ar, ela é soprada três vezes, empregando-se as seguintes palavras:
"Por esse sopro, da mesma forma que a vida é soprada em nós, eu sopro vida em minha faca. dessa forma, sopro parte da minha vida sobre essa lâmina. Em nome da Nossa Senhora. Assim seja."

Como já vimos antes, o ritual da estaca segue, na maior parte, esse mesmo ritual. A parte diferente é que, quando a estaca é fincada na terra, as palavras são:
"A estaca que planto no solo, pelos poderes da Nossa Senhora, a Deusa, será impregnada pela energia que existe dentro do círculo, tornando essa estaca verdadeiro símbolo do altar da sua criação. Eu o declaro em seu nome."

O passo seguinte é cravar o prego na extremidade da estaca, com estas palavras:
"Com esse ferro, fecho a extremidade da minha estaca, preservando os poderes a ela passados pela Nossa Senhora, a Rainha dos Céus e da Noite. Em seu nome eu oro para que ela torne essa estaca um verdadeiro símbolo do seu seguidor. Pelo seu nome, assim será."

A próxima etapa é segurar a estaca com ambas as mãos e soprar três vezes sobre ela, usando as palavras:
"Assim como a vida é soprada em nós, eu sopro vida sobre esse símbolo do Deus Cornudo, filho da Nossa Senhora. Assim, parte de mim é transferida para essa minha estaca."

A parte final do ritual é a ligação entre o possuidor e a estaca, por meio do cordão. Ele é passado em torno da estaca, e as extremidades, seguras pelo dono, na mão esquerda. As palavras a serem usadas nessa parte são:
"Pelo cordão uno-me à minha estaca, como símbolo do que me trouxe para o círculo; e, por essa união, mais uma vez assumo o meu compromisso com a Senhora e com a Fé. Em seu nome, assim seja. O ritual foi cumprido."

O ato final, embora não seja parte do próprio ritual, é expor a vara à lua cheia. Com a estaca entre você e o disco lunar, encha uma taça com vinho, usando uma pequena oração sua ou como a que uso, repetindo a Oração do Santo Graal. Levanta-se a taça, usando a prece como forma de consagração:
Abençoada Mãe, fonte da minha vida. 
Vem a mim nesse momento com o teu ventre condescendente. 
Permite-me viver em amor a tudo o que és, 
Para que o meu espírito buscador sirva ao Santo Graal.

Após alguns minutos de silêncio, é feita uma pequena libação do vinho, derramando-o na terra:
"Para a Deusa, em toda a sua glória e beleza. Que por muito tempo ela inspire meus pensamentos e minha mente a seu serviço."

A segunda libação é feita aos pés da estaca, cuidando para que um pouco de vinho caia sobre a sua extremidade. Ao mesmo tempo, repetem-se as seguintes palavras:
"Ao Rei Carvalho, ao Rei Freixo e ao Senhor, que uma parte de seus poderes faça morada nesse símbolo."

O restante do vinho é bebido como brinde, e, antes de bebê-lo, repete-se:
"Em honra da Nossa Senhora e de todos do coven. Que uma parte da paz e da compreensão que aqui encontrei possa ser passada para todos em nome da fraternidade e do coven. Em seu nome. Assim seja."

Mais uma vez, repito, a partir desse momento, a estaca não é mais um pedaço de madeira, mas símbolo magnetizado da Arte, e, como tal, deve ser respeitado.

Fonte: Livro - Feitiçaria: A Tradição Renovada. De Doreen Valiente. 1992 - pg 111 a 114.

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