quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A Senhora e o Coven.


Antes de descrever com detalhes os rituais dos Grandes Sabás, parece necessário explicar a estrutura do coven e como ele funciona. O número total de membros deve ser fixado em 13 pessoas. Quando possível, a congregação deve ser constituída de seis homens e seis mulheres. A décima terceira pessoa deve ser uma mulher, que se mantém afastada do resto do coven e é conhecida como a "Senhora".
Sob a sua direção encontram-se quatro oficiantes, conhecidos como o Norte, o Sul, o Leste e o Oeste. Norte e Sul são sempre femininos. No Norte deve estar a mais velha das duas, e a cor de seus paramentos é o preto. No Sul, estando a mais nova, as roupas devem ser claras e coloridas. Leste e Oeste são sempre masculinos; as roupas do Leste são claras, e as do Oeste tendem a ser mais escuras, e seu manto tem sempre um capuz.

A Senhora
A Senhora é escolhida por seleção e ocupa o cargo enquanto se sentir capaz para tal e assim o desejar: deve renovar seu juramento do ofício a cada sete anos. Suas obrigações começam com a consagração do círculo, a fim de, em seguida, conduzir as pessoas para dentro do mesmo, auxiliando-as a saltar sobre cabo de vassoura ou da própria vassoura que marca o ponto de entrada. (O significado e a colocação da vassoura serão explicados posteriormente.) Com o auxílio do Leste, ela consagra os bolos e o vinho e faz o encerramento do ritual. Seu lugar no círculo é ao norte; além de observadora, ela é a ponte ou o elo e o canal ao longo do qual flui o poder.
Outra tarefa da Senhora é receber os juramentos. O de iniciação no coven é realizado em sua presença. O do membro aceito, após um ano e um dia de serviço, é por ela supervisionado, e os quatro oficiantes assumem seu compromisso sob a sua direção. Também preside debates, e, se surgir alguma discussão, é ela quem pronuncia a sentença de afastamento de qualquer membro. Preside todas as atividades do coven, e, dentro do círculo, sua palavra é lei.

Norte
A Senhora do Norte é a Anciã, o Lado Obscuro. Representa o lado escuro da Deusa, a Face Sem Cor que toma conta do caldeirão.
No ritual da Véspera de Todos os Santos, seu reino é no segundo círculo. É ela, junto com o Oeste, que consagra as maçãs e a cidra. Seu aspecto é frio e escuro, e seus pensamentos são obscuros. Seu caráter é forte, silencioso e poderoso, e sua marca registrada, a sabedoria.

Sul
A Senhora do Sul representa o aspecto jovem da Deusa: a mulher madura, gentil e afetuosa, a mãe amorosa. É ela quem lembra o que acontece no ritual da Candelária e quem chama a Senhora para cortar as hastes do milho. Sua natureza é afetuosa e gentil, pois representa o aspecto mãe da Deusa. Suas características são a bondade e a benevolência.

Leste
É o mais jovem, trazendo consigo o aspecto da luz da manhã. No círculo, é o homem que serve a Senhora na consagração dos bolos e do vinho. É o guardião dos registros e quem traz os iniciados para o círculo. Seu aspecto deve ser claro e vivido, em harmonia e equilíbrio com a Senhora do Sul. É o portador dos assuntos do grupo para as reuniões, registrando todas as decisões tomadas. Suas características são as da vida e as do fogo.

Oeste
É o equilíbrio masculino da Senhora do Norte. É o Senhor da Colina, e seu aspecto, o do antigo Deus celta Gwynn ap Nudd. Na Véspera de Todos os Santos serve a Senhora do Norte em seu círculo. É também o que traz a luz para o coven, quando ela cruza de um círculo para o outro. Suas vestes são escuras e seu aspecto, sombrio, pois é o guardião da colina e dos portões do submundo. Os Cães do Inferno estão sob seu controle, e, com o nome de Herne, ele os conduz na Caçada Selvagem na Candelária. É o portador da sabedoria oculta, e suas características são a sabedoria, a força e o silêncio.

Fonte: Livro - Feitiçaria: A Tradição Renovada. De Doreen Valiente. 1992. pg. 73 a 75.

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