sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Iniciado e o Iniciante na Feitiçaria.

O Iniciado
Daqui em adiante, veremos que a realização do coven está nas mãos dos quatro oficiantes da Senhora. O resto do grupo em geral é formado por dois tipos de membros, a saber, os verdadeiramente iniciados e os novos membros, ainda no aprendizado de um ano e um dia. No caso dos iniciados, eles devem ser capacitados, desejar e ter experiência suficiente para substituir qualquer um dos oficiantes do seu sexo. No caso de doença de um deles, a Senhora poderá chamar qualquer um dos membros iniciados para realizar o ofício temporariamente. Se não for possível à Senhora oficiar um ritual, será tarefa do Leste selecionar a substituta entre as oficiantes, se a Senhora não tiver delegado suas obrigações de antemão, naturalmente.
No caso de a Senhora ou qualquer um dos oficiantes estar incapacitado ou não desejar renovar o juramento de sete anos de ofício, serão escolhidos alguns nomes para serem votados por todos os membros iniciados. No caso de ausência da Senhora, o juramento da aceitação será realizado pelo oficiante mais antigo. A qualquer momento o iniciado poderá reivindicar o direito de estabelecer seu próprio grupo ou coven dentro da tradição. Quem o desejar fazer deverá ser encorajado e auxiliado por todos os membros do coven principal. A única condição para essa ajuda é que o membro em questão garanta diante de todo o coven que manterá firmemente os objetivos, as idéias e os trabalhos no que passa, então, a ser um clã. Deve também admitir a suserania da Senhora sobre o coven recém-formado.
Em troca, poderá reivindicar cópia de todos os rituais. Poderá também convidar outros membros para atuar temporariamente como oficiantes até que o grupo esteja forte o suficiente para selecionar os seus. Poderá pedir à Senhora do coven principal para arbitrar em alguma disputa, que não se deve estabelecer no novo coven. Deve também ser capaz de trazer qualquer um ou todos os membros do novo coven para as reuniões do coven principal, sabendo que, como membros de um clã, haverá um lugar destinado a eles no círculo, pois de uma semente plantada surgirão várias outras.

O Iniciante
Um ou mais membros devem responsabilizar-se pelo iniciante, do qual têm conhecimento pessoal. É dever do membro iniciado apadrinhá-lo para explicar o que está abraçando. O estágio seguinte é traze-lo para um dos encontros menores de todo o coven e apresentá-lo. Isto proporciona ao iniciante e ao coven oportunidade de observarem-se em circunstâncias não muito formais. Se o iniciante sentir-se hesitante nesse estágio, não deverá, de maneira alguma, ser influenciado por algum membro do coven. Filiar-se ou não é questão de vontade, e não deve acontecer por influência indevida de outros. Se decidir que deseja continuar no coven, será dever do padrinho explicar-lhe esse compromisso com mais profundidade. O passo seguinte do iniciante é a aproximação informal do Oficial do Leste. O Leste, então, conferirá se ele realmente compreendeu o que dele está sendo esperado.
Primeiro, que ele fará um juramento no próximo encontro para servir num aprendizado de um ano e um dia. Segundo, que nunca revelará a alguém os trabalhos realizados nos rituais, independente dos ideais e objetivos envolvidos nesses trabalhos. Terceiro, como todos os membros recebem um nome na sua iniciação, o nome verdadeiro de qualquer membro jamais deverá ser revelado a um estranho. Quarto, que se manterá fiel à fé, ao clã e ao coven em todas as coisas. Quinto, que aceitará e sustentará todos os julgamentos pronunciados sobre ele pela Senhora na presença do coven. É comum, após certo tempo, o iniciante sentir que não deseja mais prosseguir. Ou então, os membros do coven concluírem que seria melhor o iniciante não prosseguir. Sei de casos em que a permanência causou danos tanto mentais como físicos na pessoa. Em casos deste tipo é melhor partilhar a tristeza de perder um companheiro do que permitir a insistência.
Quando o iniciante sente que não deseja mais continuar, faz um voto de silêncio e é, então, formalmente liberado de seu juramento. Parte sob amizade e compreensão de que não terá outro contato com o coven. O caso de alguém que deseja prosseguir, mas não se adapta à fé pelas razões expostas, é talvez o mais triste de todos. A pessoa deve ser gentilmente afastada do círculo. Porém deve-se explicar o porquê da atitude, com o mínimo de mágoa possível. Se o coven assim decidir, o membros observam a pessoa discretamente e, se ela vier a precisar de ajuda, auxiliam-na. Não é culpa sua se não conseguiu ser bem-sucedida. O fato de ter tentado cria em nós obrigações para com ela, que sempre buscamos honrar. No caso de um iniciante que, após ter feito o juramento solene, não o honra, faz entrar em ação o lado cruel e escuro da fé.
Se honrarmos sempre o nosso juramento, estaremos apto a defendê-lo. Como penitência por pequenas infrações das regras do coven, o transgressor é excluído de tantos encontros quantos o coven julgar necessários. Isto deve ser declarado pela Senhora e registrado pelo Oficial do Leste nos anais do coven. Se um iniciado prejudica deliberadamente um dos membros do coven, no caso ou de revelar intencionalmente o nome de um membro para um estranho, ou revelar os trabalhos internos de um ritual, a punição é o afastamento. A pessoa é trazida diante do coven, e a espada do julgamento, colocada dentro do círculo. A própria Senhora profere o ritual de afastamento. A pessoa é avisada da data em que o ritual será realizado, e, mesmo que não compareça, o ritual é executado. Por último, o Oficial do Leste do coven em questão deve, ele mesmo ou por intermédio do Invocador, informar o fato a todos os covens que formam o clã. O evento deve constar dos registros do clã presidido pelo coven mais antigo.
Após servir no aprendizado de um ano e um dia, o iniciante submete-se ao juramento pleno em seu próprio nome. Nesse momento, o iniciante pode reafirmar o uso do seu nome do coven ou adotar outro, pelo qual gostaria de ser conhecido. O nome, a data e a hora serão anotados pelo Leste nos registros do coven e passados para os do clã do coven mais antigo.

Fonte: Livro - Feitiçaria: A Tradição Renovada. De Doreen Valiente. 1992. pg 75 a 78.

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