sexta-feira, 31 de outubro de 2014

INVOCAÇÃO E RITUAL DE HÉCATE

INVOCAÇÃO E RITUAL DE HECATE

Hécate, a misteriosa Deusa das Trevas e protetora de todos os Bruxos, é a personificação da lua e do lado escuro do princípio feminino. Seu nome é grego e significa "aquela que tem êxito de longe", o que a liga a Diana (Artemis), a virgem caçadora da lua.
Na mitologia, Hécate era filha dos titãs Perses e Asteria, e acreditava-se que vagava pela terra e assombrava as encruzilhadas nas noites sem lua com uma matilha de cães fantasmagóricos e uivantes. Como Diana, Hécate pertence à classe das deidades portadoras de archote, sendo retratada portando um, a fim de se ajustar à crença de que era a deusa lunar noturna e poderosa caçadora que conhecia seu caminho no reino dos espíritos. Controlava as fases de nascimento, vida e morte, e dizia-se que os poderes secretos da Natureza estavam sob seu comando.

Embora os cães fossem os animais mais sagrados para ela, Hécate estava associada às lebres na antiga Grécia, como a sua equivalente germânica, a deusa lunar Harek. (A lebre, de acordo com uma série de hieróglifos egípcios, é um "sinal determinador que define o conceito do ser, e simboliza, em consequência, a existência elementar. Para os antigos chineses, a lebre era tida como animal de augúrio, e dizia-se que vivia na lua.)
Na arte, Hécate é muitas vezes representada como uma mulher com três cabeças, com serpentes sibilantes entrelaçadas em seu pescoço. Por essa razão, ela é chamada de Triforme ― símbolo que pode estar ligado aos três níveis. Nascimento, Vida e Morte (representando o Passado, o Presente e o Futuro) e à trindade da Deusa Tripla: Virgem, Mãe e Anciã.
Hécate é uma poderosa deidade lunar, e todos os rituais realizados em sua honra devem ser feitos à meia-noite, em noites sem lua ou ao nascer da lua do dia 13 de agosto, o principal festival pagão de Hécate. Antes de começar a invocação e o ritual, escolha um local retirado numa clareira escura, calma e cercada de árvores, e trace um círculo de pedras com cerca de 3 a 4m de diâmetro. No ponto norte do círculo, monte um pequeno altar. Coloque um símbolo da Deusa (alguma estatueta ou figura feminina, por exemplo) no topo do altar e acenda um incenso de olíbano, mirra ou jasmim diante dela. A esquerda do símbolo da Deusa, coloque uma vela preta e um cálice com vinho branco. À direita, outra vela preta, um
punhal consagrado, um sino de latão, uma tigela com água e um prato com sal marinho. Velas dementais brancas deverão ser colocadas nos pontos leste, sul e oeste do círculo. Um vela elemental representando o norte deverá ser colocada por trás da figura da Deusa no altar. A Alta Sacerdotisa (ou o Solitário) acenderá as velas e, então, abençoará a água, mergulhando a lâmina do punhal na tigela com água, dizendo:
EU TE EXORCIZO, OH CRIATURA DA ÁGUA,
SOB O NOME DIVINO DE HÉCATE
E RETIRO DE TI
TODAS AS IMPUREZAS E ESPÍRITOS IMUNDOS.
ASSIM SEJA.
A Alta Sacerdotisa colocará a ponta do punhal no sal e o purificará, dizendo:
ABENÇOADO SEJA ESTE SAL
EM NOME DA DEUSA HÉCATE.
QUE TODA A MALIGNIDADE E TODOS OS OBSTÁCULOS
SEJAM AFASTADOS DAQUI PARA A FRENTE
E QUE PENETRE TODO O BEM.
ASSIM SEJA.
O punhal voltará para o altar, e o sal será, então, despejado na tigela com água. A Alta Sacerdotisa traçará o círculo com a sua espada na direção destrógira, dizendo:
EU TE CONJURO, OH CÍRCULO DE PODER,
PARA QUE TU SEJAS UM ANEL DE PROTEÇÃO
QUE PRESERVE E CONTENHA
O PODER QUE SURGIRÁ DENTRO DELE,
UM ESCUDO CONTRA TODA A INIQUIDADE E TODO O MAL
PARA O QUE TE ABENÇOO
E CONSAGRO EM NOME DE HÉCATE,
DEUSA DAS TREVAS,
DEUSA DA LUA.
A Alta Sacerdotisa acenderá um fogo no centro do círculo e colocará sobre ele o caldeirão pintado com símbolos lunares e cheio de uma mistura perfumada de água da fonte, óleo de rosa e mel. A bebida deverá ser colocada para ferver e, então, a Alta Sacerdotisa adicionará uma pitada de pedra lunar em pó, penas de corvo preto, um pouco de geada colhida à luz da lua e plantas místicas governadas pela lua: erva moura e lunária. (Os ingredientes originais do caldeirão na antiga versão do ritual de Hécate falava nas vísceras de um lobo juntamente com os outros mencionados; entretanto, esse ingrediente foi omitido na versão moderna, pois seria extremamente difícil, além de perigoso, de ser obtido pelo Bruxo.)
Após todos os ingredientes terem sido colocados, a mistura fervente será mexida com um galho seco de oliveira. A Alta Sacerdotisa ficará de pé diante do caldeirão, voltada para o norte, com os braços estendidos , e dirá:
EU VOS CONVOCO,
OH FORÇAS INVISÍVEIS DA NATUREZA,
A SE REUNIREM EM TORNO DE MIM NESTE CÍRCULO,
POIS NA HORA MÍSTICA DA NOITE
INVOCO A DEUSA ESCURA
DA LUA.
INVOCO E CONJURO A TI, HÉCATE,
DEUSA DO SUBMUNDO
E PROTETORA DE TODOS OS BRUXOS.
VEM AGORA PARA ESTE CÍRCULO DE FOGO,
POIS EU REALIZO ESTE RITUAL
EM TUA HONRA.
Todo o coven deverá ajoelhar-se diante do altar, voltado para a imagem da Deusa, enquanto a Alta Sacerdotisa tomará o cálice de vinho com ambas as mãos e dirá:
EM TUA HONRA,
OH GRANDE DEUSA HÉCATE, EU FAÇO ESTA
LIBAÇÃO E TOMO ESTE BRINDE.
A Alta Sacerdotisa derramará algumas gotas de vinho no chão diante do altar, como oferenda à Deusa. Levará o cálice aos lábios, tomará um gole do vinho e entregará ao Alto Sacerdote, que beberá um pequeno gole e o colocará de volta em seu lugar no altar. Ele pegará o sino e o tocará três vezes, enquanto a Alta Sacerdotisa segurará o punhal com a mão direita, apontará com ele o céu, dizendo:
NESTA HORA ESCURA E MÍSTICA DA NOITE A DEUSA HÉCATE
REINA SUPREMA E EM TEU NOME EU LOUVO AGORA:
EU TE SAÚDO, OH HÉCATE! EU TE SAÚDO, OH
HÉCATE! BENDITA SEJAS!
A Alta Sacerdotisa beijará a lâmina do punhal e o colocará de volta no altar, enquanto o coven repetirá o cântico:
EU TE SAÚDO, OH HÉCATE! EU TE SAÚDO, OH
HÉCATE! BENDITA SEJAS!
Em seguida, todo o coven deverá relaxar e meditar sobre a imagem da Deusa. Poderão ser entoadas músicas folclóricas em sua honra ou recitadas poesias místicas nela inspiradas.
Após o término do ritual, o coven agradecerá à Deusa pela presença, e a Alta Sacerdotisa desfará o círculo com a espada em movimento levógiro.

Fonte: Wicca - A Feitiçaria Moderna - Gerina Dunwich. pag 24, 26.

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