sábado, 17 de janeiro de 2015

A Fé Pagã - 3° parte do texto.

A Fé Pagã
extraído do livro: Feitiçaria - A Tradição Renovada.

Uma das habilidades da Arte consiste em penetrar essa memória inconsciente e traze-la de volta para a consciência. Para isto utiliza a forma de lembrar os sonhos. Mais uma vez é difícil explicar como conseguir. Pode-se dizer que depende somente de um ato da vontade para começar, mas, quando se inicia, é algo difícil de ser interrompido. Para mim, descobri que o momento mais produtivo para esse tipo de atividade acontece durante o período em que estamos adormecendo e a mente começa a vagar. Fixando a mente em uma determinada situação que desejamos explorar, o sono vem, e, com ele, os sonhos.

Com freqüência perguntam-nos por que se preocupar com uma coisa dessas. Inerente a qualquer desenvolvimento espiritual e aprendizado está a compreensão do que se é; o ser, no contexto do: "Por que nasci dessa maneira? Por que a minha vida é assim? Por que sinto necessidade de olhar para trás e só depois prosseguir?"A revelação das vidas passadas e a sua compreensão são a única coisa que poderá lançar alguma luz sobre as atuais circunstâncias.
Sem entrar mais profundamente em assuntos pessoais, lembro-me de uma coisa dita para mim por Robert Cochrane. Três de nós estávamos sentados conversando sobre generalidades quando, repentinamente, ele me olhou, ficou frio e distante e, então, disse: "John, a violência e a aura de violência que o envolvem é uma maldição criada por você mesmo. A menos que consiga rompê-la, pagará por ela várias e várias vezes." Nada mais verdadeiro. Do que eu sabia das minhas existências anteriores, a violência sempre havia sido a minha ruína. Nos primeiros anos desta vida, a violência contra os outros fazia parte de mim. A lição que teria que aprender desta vez seria rejeitar esse caminho. Levei muito tempo para compreender, mas sei que, numa próxima vez, poderei até evitar ser apanhado nesse mesmo círculo sem fim.
Na observação das vidas passadas, encontramos as lições para o futuro. Nesta vida, até mesmo a simples ideia de aceitação da Deusa significa que não mais aceitamos a fé estabelecida. Ao voltar-se para Ela, a pessoa deve aceitar que mudou a ponto de compreender que sua salvação espiritual está em suas próprias mãos. Deve aceitar que o código de conduta moral que escolheu para viver é criação sua. Por meio dessa conduta, cortando simbolicamente o nó górdio, ela está aceitando o destino de sua própria salvação. Não mais necessitará de que outra pessoa interceda por ela junto à Divindade. Avançou o suficiente na espiral para ser dona do seu destino. Não existe mais a possibilidade de outra pessoa absolvê-la, com algumas palavras, por qualquer ato cometido. Cada um pode ser o juiz de seus próprios atos, sabendo e compreendendo que, no fundo, a absolvição não pode ser dada, mas, sim, merecida. O caminho da Deusa nunca foi fácil de ser seguido.
Embora cada alma seja individual, acredito que determinadas
pessoas estão de alguma forma ligadas a outras, como componentes de um grupo de almas em uma existência
consanguínea. Essas almas interligadas avançam parte da espiral juntas não como um todo, mas como um grupo de pessoas que estão trabalhando com a mesma finalidade. Mais uma vez, não há como provar isto; é assunto de convicção pessoal; mas acredito que um dos fatores que me ajudou a chegar a essa conclusão foi a maneira pela qual isto foi discutido e examinado no meu antigo coven.
Parte da convicção dessa teoria é o fato de, ocasionalmente, encontrarmos alguém com quem sentimos identificação imediata. Instintivamente, sabemos o que pensa, e essa sensação de afinidade é tão forte, que a compreendemos melhor do que a um irmão ou irmã. Mesmo quando existe imensa diferença nos estilos de vida e nas condições anteriores dessa pessoa, que pela lógica seria totalmente incompatível conosco, ela não o é. Sentimo-nos bem em sua companhia. Idade, sexo e criação, tudo o que, pela razão, nos afastaria se desfaz, pois por meio da sensação instintiva ela é ligada a nós e nós sabemos e sentimos isto. Essas pessoas são almas-irmãs.
Infelizmente essa experiência não é facilmente encontrada em uma vida. Parte da explicação para isto é que cada indivíduo deve descobrir o seu próprio caminho de desenvolvimento dentro do seu destino, embora, ao mesmo tempo, experimentar esse tipo de harmonia com outra pessoa ou com um grupo de pessoas seja como uma lembrança de que não estamos sós em nossa busca pelo desenvolvimento pessoal. Pela natureza das interligações com as almas-irmãs e enquanto indivíduos não devemos somente a nós nosso progresso espiritual, mas também aos outros. Freqüentemente uma pessoa pode ficar aprisionada num círculo infindável de erros, vida após vida. Então, numa delas, encontra alguém que exerce profunda influência profunda em seu modo de pensar. Ê como se alguém segurasse sua mão para ajudar e dissesse: "Você já andou em círculo o suficiente. É o momento de parar e vir conosco." Outra maneira é a pessoa ser atraída para a Arte ou para o oculto sem razão aparente, mesmo quando sua experiência anterior e sua criação indicam, pela lógica, que não deve ter interesse nesse tipo de assunto. Quando a pessoa está nesse estágio, com freqüência um encontro pode mudar por completo sua maneira de pensar. Em vez de manter-se longe, brincando com a ideia, ela mergulha fundo e se entrega. Depois do encontro, não permanece presa em um lugar. Dá o primeiro passo no conhecimento de que existe algo mais na vida do que nascer, crescer, estabelecer-se numa existência mediana, envelhecer, tendo a morte como o fim de tudo. Mais uma vez, a mão que ajudou impulsionou-a um pouco mais no caminho em direção à Deusa.
Após ter aceito a ideia de nascimento, morte e renascimento da alma como parte básica no conceito da existência, o item seguinte a ser explorado é o conceito de magia. Esta palavra evoca gravuras de bruxas com nariz adunco encontradas nos livros infantis e que transformam pessoas em sapos; filmes satânicos com cenas de horror; e magos negros sacrificando virgens para seu senhor, o Diabo, a fim de obter poder. Doreen Valiente, em seu excelente livro Natural Magic, explicou a natureza da magia prática melhor do que qualquer outro autor que já li. Nesse livro ela explica as técnicas usadas na magia das cores, na magia dos números, na magia do tempo e em muitas outras. Sei que não existe outra maneira de igualar ou melhorar o seu trabalho sobre esse assunto.
Tudo que espero apresentar é um quadro geral e compreensível do conceito de magia natural.
Essa magia nada mais é do que uma série de leis naturais. Posto isto, devo especificar que muitas dessas leis aceitas como naturais não são as mesmas compreendidas e aceitas pela ciência atual. Sob a forma de pesquisa da percepção extra-sensorial (PÉS), algumas das faculdades que aceitamos como parte da Arte estão sendo estudadas e, em muitos casos, explicadas satisfatoriamente. Embora submetida a essa explicação, permanece um resíduo inexplicável cuja existência ninguém consegue alcançar ou identificar. Esse resíduo é parte da magia da fé. Como conceito básico, primeiro deve ser aceito, explorado e desenvolvido para, então, ser expandido como aplicação prática dos poderes mentais inerentes.

Continua>>>>

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