sábado, 17 de janeiro de 2015

A Fé Pagã - Final


A FÉ PAGÃ
extraído do livro: Feitiçaria - A Tradição Renovada.

Como muitas coisas na Arte, os poderes de cura são equilibrados pelos poderes de maldição. Na verdade, o poder invocado em ambos os casos é um só e o mesmo, diferindo no resultado. Em vez de transmitir o poder do bem por intermédio da cura, transmite o poder do mal por meio do ódio. A técnica usada é exatamente a mesma, e, se a Deusa concordar com a maldição, há aquela sensação sutil de uma barreira se afastando e das ondas frias e escuras do ódio pulsando no grupo e para além dele. Novamente, há o momento certo para realizar esse tipo de.
trabalho e, mais uma vez, esse momento é governado pela fase lunar. Como foi dito, a época para amaldiçoar ocorre durante a fase escura da Lua. Essa fase significa o lado escuro da Deusa, sob a forma da Velha Bruxa ou do Anjo da Morte. Com essa aparência é aquela que cobre a sua ninhada com os ossos dos poetas, a figura de Sheela-na-Gig com os órgãos sexuais que devoram. Do seu ventre parte toda a vida — e com a vida vem a morte. Nesse aspecto é a Deusa da Vingança.
Para invocar esse aspecto da Deusa, qualquer grupo ou coven deve ter certeza de que existe uma causa que justifique esse tipo de trabalho e essa súplica por justiça. Uma vez invocado e colocado em movimento esse lado da Deusa, muito será exigido do grupo. Por meses, ele se sentirá achatado e vazio. É rompida a conformidade e a harmonia que devem fazer parte da psique do grupo ou do coven, e, em alguns casos, pede-se um ano inteiro de trabalho. Somente o tempo pode curar. E, se o trabalho tiver sido de natureza particularmente pesada, deve-se realizar um ritual completo de purificação a fim de deixar para trás todas as influências negativas geradas pelo rito da maldição.
Vocês não lerão nestas páginas nenhum ritual de maldição, porque eles são nosso e para nosso uso exclusivo. Quem desejar amaldiçoar terá que os descobrir de outra maneira. Mostrarei posteriormente o ritual de purificação. Ele poderá ser usado não somente após algum trabalho particularmente pesado, mas também para ajudar membros ou amigos que estão totalmente desanimados, sentindo-se como se estivessem sob alguma influência maligna. Um simples fato de o ritual estar sendo realizado muitas vezes gera impulso psicológico que ajuda a superar as más sensações.
Sei que um dos possíveis comentários é que o conceito de trabalhar ligado às fases lunares e aos diferentes aspectos da Deusa está ultrapassado e pode ser considerado um tanto primitivo.
Concordo que seja primitivo, mas esses conceitos resistiram ao teste do tempo. Assim como a natureza e a vida são ciclos de eras e estações, da mesma maneira é a Deusa. Em cada uma das fases, Ela representa uma faceta da vida: juventude, maturidade, velhice, morte e o tempo escondido antes do renascimento. Ao trabalhar para determinados fins dentro da estrutura desses aspectos do Seu ciclo, experimenta-se a sensação de continuidade, compreensão e envolvimento instintivo. Uma das características da Arte é o conhecimento de quando trabalhar, de por que trabalhar em determinada época e das razões por que certa duração de tempo é a conveniente.
Pode-se discutir, teorizar, entrar em todos os tipos de razões e explicações intelectuais, mas existe um fato que ninguém p ode deixar de considerar ou ignorar: os instintos e o coração falam mais alto e mais verdadeiramente do que qualquer teoria intelectual. Os conceitos e os trabalhos estabeleceram-se, no passado, porque funcionaram, e o próprio tempo não invalidou a verdade neles contida.

***Fim***

Texto extraído do livro: Feitiçaria - A Tradição Renovada. pag 23 ao 47. Na íntegra.

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