sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O FUTURO DA FEITIÇARIA


::O FUTURO DA FEITIÇARIA::
Escrito por: Laurie Cabot
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Lanço o olhar para o futuro e encho-me de esperança e medo. Quando contemplo todos os amanhãs que se abrem diante de nós, fico alternadamente excitada pelas grandes oportunidades que nos aguardam como espécie e alarmada pelos muitos problemas que se nos apresentam em nosso caminho imediato. Pergunto-me como atingiremos o ano de 2089, um século a contar de agora. Não penso que qualquer caminho esteja predeterminado. Nós encontramos e fazemos os nossos próprios caminhos. O futuro está em nossas mãos e em nossas mentes.

Posso também olhar para o passado -os eventos da história recente, incidentes perdidos nas brumas do tempo, até lampejos ocasionais das mais remotas experiências de vida neste planeta Terra. A minha herança como Bruxa está repleta de formas de vida, presenças animais e auxiliares espirituais que abundam nas lendas contadas pelos povos do mundo inteiro. Animais míticos, continentes e raças perdidos e os numerosos caminhos antigos através dos quais o espírito penetrou na vida humana — tudo isso ainda vive em mim e em todos os que praticam a Arte da Magia. Os deuses celestes de muitas culturas, o "povo sideral", que pode ter habitado em partes da Terra, as raças originais, seres angélicos e mensageiros, os técnicos de civilizações desaparecidas, os gnomos e as fadas, gente pequena cuja presença lendária é encontrada em todo o mundo — esses nossos ancestrais ainda estão presentes no universo, estampados nos campos de energia cósmica, ou nos registros akáshicos. Seu legado está ao nosso alcance em alfa. O "tempo antes do tempo" ainda nos convida a entrar e a conhecer por nós mesmas as nossas raízes e origens comuns.
A consciência de uma Bruxa não está restringida ao tempo presente, estende-se até as fronteiras mais recônditas do universo e os extremos da experiência humana. Como Bruxa, sempre tive o desejo de vivenciar o passado e o futuro, de conhecer donde viemos e para onde estamos caminhando.

Muitas Bruxas sentem o mesmo. Um número surpreendente de Bruxos e Bruxas, assim como de outros neopagãos, têm empregos onde trabalham com computadores e programas de computação. Isso nada tem de incomum, visto que os computadores são a aquisição mais recente numa longa linha de tecnologias de processamento de informação que inclui os sistemas pitagóricos, o misticismo judaico encontrado na Cabala, o Taro e os antigos alfabetos rúnicos da velha Europa. Tal como esses antigos precursores, a linguagem de computador é uma espécie de código secreto que pode dar acesso à informação e ajudar a modelar nossas vidas e a edificar os nossos futuros. As nossas práticas feiticeiras preparam-nos para canalizar o conhecimento através da luz, cor e número.

Vejo diversos roteiros e programas para o próximo futuro e os importantes papéis que as Bruxas desempenharão neles. Neste último capítulo, gostaria de compartilhá-los com vocês.
Vejo Bruxas recuperando os dias sagrados da Terra e do céu. As antigas festividades do calendário das Bruxas - Samhain, Imbolc, Beltane e Lammas -- voltarão a ser importantes feriados culturais, celebrações vitais para as comunidades mais amplas em que vivemos. Vejo até pessoas que nada têm a ver com a Feitiçaria aguardando com ansiedade e reconhecendo os equinócios e solstícios como dramáticos momentos culminantes na Roda do Ano. Para que isso aconteça, as Bruxas devem trabalhar ativamente para reclamar esses dias como nossos. Devemos patrocinar esses feriados secularizados e comercializados e restabelecê-los como dias santificados. Proponho uma tríplice estratégia para fazer isso: educação, cerimônias públicas e boas obras.

Educação: Quando se avizinhar a data de cada feriado, as Bruxas escreverão aos comerciantes e à câmara de comércio de suas áreas a respeito do significado da celebração que está para acontecer. Sublinharemos a rica história dessas festividades e explicaremos o intuito original dos nossos ancestrais que celebraram esses momentos sagrados do tempo. Nos ofereceremos para realizar palestras em escolas e colégios sobre esses dias, e escreveremos cartas ou editoriais para os jornais locais.
Seja qual for o critério escolhido para isso, cuidaremos de que a informação posta à disposição do público seja sempre exata e precisa. Usaremos todas as formas de mídia, porque são poderosos veículos para a educação. Em nossa campanha pela mídia encorajaremos todos aqueles que exercem algum controle sobre o modo como esses dias são celebrados a renunciar às imagens comercializadas e aviltantes que acompanham as observâncias modernas, e a retornar às imagens mais antigas e mais corretas. As Bruxas serão as principais consultoras nesse capítulo. Para aqueles feriados que a sociedade moderna virtualmente esqueceu ou ignorou, como Imbolc, Lammas, Beltane e os equinócios, a tarefa pode ser mais fácil. Há menos desinformação e distorção a superar. Para muita gente, esses podem ser feriados totalmente novos. Com o tempo, a sociedade nos homenageará como portadoras de novas alegrias e festividades. Cerimônias Públicas: O grande problema com que se defronta a nossa Arte em tempos recentes tem sido a invisibilidade. Ninguém nos vê. Proponho que as Bruxas saiam a público nos principais dias santos da Terra e do céu com trajos característicos, música, danças e cantos, e magia. Se possível, obter licença para erguer os mastros (Maypoles) da celebração da festa da primavera em jardins e parques municipais, organizar desfiles ou procissões de velas em Samhain, celebrar Yule em centros comunitários ou nas Igrejas Unitárias Universalistas (as quais são, com freqüência, receptivas a liturgias não-cristãs). Podemos reunir-nos com estudantes universitários interessados em antropologia ou costumes medievais, e realizar rituais nos campi. Se os locais públicos forem inacessíveis, começaremos nos pátios dos fundos de nossas próprias casas. Notificaremos os vizinhos de que vamos patrocinar ou recriar algumas celebrações “populares e cheias de colorido", e os convidaremos para participar ou vir simplesmente assistir. Prevejo que, dentro de alguns anos, talvez até em apenas um ano, teremos metade do bairro dando se as mãos e girando em redor uns dos outros numa dança em espiral! E com trajos de época!

Penso ser importante que sejamos tão abertas quanto possível a respeito de nossas identidades como Bruxas. Hoje, Salem é um lugar seguro para as Bruxas usarem pantáculos e capas pretas na rua, e para patrocinar celebrações do sabá em lugares públicos, mas nem sempre foi assim. A razão primordial por que somos hoje aceitas está em que eu e outras Bruxas de Salem defendemos com firmeza o nosso direito de vestir como desejamos, usar o que queremos, e celebrar os nossos sabás. Não penso que devamos esconder os nossos ritos. Sei, porém, que nem todas as Bruxas vivem numa cidade segura. Se você não pode manifestar abertamente a verdadeira natureza das nossas celebrações, porque fazê-lo intimidaria os membros conservadores de sua comunidade, que poderiam causar problemas e até impedir as celebrações, encontre formas aceitáveis para explicar o que está fazendo. Termos como "Feitiçaria" ou "pagão" podem suscitar oposição. Entretanto, a maioria das pessoas não se sentirá ameaçada pelos Mastros de Maio, por exemplo, quando apresentados como um antigo costume popular inglês para festejar a primavera. Lammas pode ser explicado como uma simples festa da colheita. Yule celebra a nossa necessidade de luz e calor quando se avizinham os meses do inverno. Os rituais do equinócio e do solstício podem ser descritos como antigos costumes que concentram a nossa atenção na ecologia, as estações do ano e o equilíbrio na natureza. Ao apresentarmos os nossos sabás desse modo, podemos educar as pessoas quanto à verdadeira natureza e finalidade dos mesmos. Com o tempo, até mesmo as mais inflexíveis e hostis aprenderão que nenhum dano resulta de nossas festividades mas que, pelo contrário, elas propiciam bons e alegres momentos para todos. Algumas Bruxas que produzem cerimônias públicas saboreiam realmente o fato de que alguns espectadores e participantes pensam estarem elas encenando um mero espetáculo vistoso, quando uma poderosa liturgia e um ritual sacro residem, na verdade, sob tal aparência. No fim de contas, as origens do teatro, poesia e dança estão em cerimônias religiosas e muita gente acorreu somente para o espetáculo, pelo que não considero errado ou enganoso enfatizar esse aspecto se, ao fazê lo, ganhamos a aceitação pública dos costumes da Feitiçaria.

Recorde-se que a nossa meta é educar primeiro, e o ritual é o meio mais efetivo de educação. Façamos dos nossos rituais públicos eventos excitantes que despertem, inspirem, emocionem, deleitem e deem energias a todos os que estiverem presentes. Deixemos que as nossas próprias consciências se elevem nessas ocasiões e, assim fazendo, elevem a consciência de outros.

Usar indumentária ritual é importante em todas as nossas celebrações festivas, não apenas em Samhain. As crianças devem ver seus pais em roupas mágicas ao redor dos Mastros de Maio, na véspera do solstício de verão, em Yuletide. Trajar vestimentas sagradas é um meio de incorporar o poder às nossas vidas e de projetar a magia e o significado do que fazemos. Fiquei desapontada ao ver, durante o desfile das crianças de Salem no Halloween, que tão poucas Bruxas se apresentaram em trajes característicos ou com seus mantos de Bruxas. Aplaudi aquelas que o fizeram. E importante dar às crianças o sentimento de que a vida de uma Bruxa engloba muitos mundos e se movimenta entre eles. Verem-nos em indumentárias especiais e vestidas para um lugar e um tempo diferente constitui um meio poderoso de ensinar às crianças (e aos adultos) que vivemos em mais de uma realidade. Algumas Bruxas afirmam que o trabalho e as carreiras não lhes deixam tempo para preparar e realizar celebrações públicas nesses dias do ano. É verdade que ainda não gozamos  de dispensa de trabalho para os nossos sabás como ocorre nos feriados nacionais, mas podemos tomar um dia de licença por nossa conta. Algumas Bruxas fazem questão de pedir esses dias de folga quando se candidatam a um emprego. É freqüente os patrões mostrarem-se mais do que dispostos a anuir, especialmente se uma Bruxa que tira folga para Yule, por exemplo, está disposta a trabalhar no dia de Natal. Encorajo as Bruxas a fazerem isso, mesmo que não gastem o dia aprontando-se para grandes celebrações. Esses dias são sagrados, e devemos criar tempo e espaço sagrados em nossas vidas, folgando no trabalho e passando o dia entregues, conscienciosa e produtivamente, às atividades próprias da nossa Arte.

Boas Obras: Uma das primeiras perguntas que me foram feitas por um pastor durante um debate na televisão foi: onde estavam os meus hospitais e orfanatos? Ele insistiu em que, para provar que eu era realmente uma pessoa "religiosa", devia produzir hospitais! Até o moderador se viu na obrigação de assinalar-lhe a incoerência dessa linha de lógica. Nem todos os grupos religiosos têm que ser proprietários e administradores de hospitais e orfanatos. Mas o nosso homem foi obstinado em citar que "por seus frutos, vós os conhecereis''. Bem, nesse ponto posso concordar totalmente com ele: nós somos conhecidas por nossas boas obras. E vejo as Bruxas do futuro serem conhecidas por suas boas obras, como éramos em tempos pré-cristãos, antes que a difamatória campanha começasse convencendo o mundo de que só éramos capazes de "más obras". Como parte de reclamarmos os nossos feriados tradicionais, encorajo todas as Bruxas e todas as Assembleias a organizarem em conjunto com cada feriado alguma forma de trabalho voluntário em benefício da comunidade em geral.

Por exemplo, as festividades da primavera podem incluir trabalho de conservação em jardins e plantio de flores em áreas cívicas. Podemos oferecer-nos como voluntárias para ajudar pessoas em casas de saúde a plantar jardins. Ou podemos levar ramos de flores aos hospitais. No solstício de verão, podemos ajudar inválidos, enfermos confinados a seus lares, crianças e anciãos a sair para o ar livre e desfrutar dos cálidos dias estivais. Podemos providenciar transporte para eventos públicos, patrocinar piqueniques, auxiliar voluntariamente na instalação de acampamentos de férias.
À medida que o ano avança, celebramos as colheitas e a necessidade da Terra de reciclar suas energias. Podemos empacotar caixas de alimentos para os pobres. Podemos reservar algum tempo para ajudar como voluntárias nos projetos locais de reciclagem. Podemos auxiliar os idosos a preparar seus lares para os frios meses de inverno que se aproximam, instalando guarda-ventos, armazenando lenha para a lareira, guardando as ferramentas de jardinagem usadas no verão. O inverno foi sempre a estação tradicional para contar histórias, quando a gente do povo passava longas noites em torno da lareira. Podemos renovar a tradição de contar histórias apresentando-nos voluntariamente em bibliotecas públicas e em centros de assistência diurna, e oferecendo programas adultos em centros comunitários. Podemos angariar vestuário e alimento para os desabrigados ou prestar serviços em abrigos locais. Em Salem, as Bruxas patrocinam uma campanha de brinquedo-e-alimento em cada Yuletide para as instituições infantis de caridade. O Imbolc tem lugar no mais frio e mais áspero período do ano, por que, então, não patrocinar uma ceia coletiva para os pedintes, a cargo da sopa-dos-pobres local? São apenas sugestões. Observe profunda e claramente a sua própria comunidade e veja o que precisa ser feito. Depois organize planos específicos para fazê-lo, sozinha, com um par de Bruxas amigas, ou com uma Assembléia. Se viver numa área que tem várias comunidades pagas ou de Bruxas, proponha um esforço conjunto para realizar boas obras como parte do nosso esforço para reclamar os nossos legítimos feriados. Vejo as Bruxas ficarem cada vez mais ativas em questões de interesse ecológico. Quando a Terra se torna um lugar cada vez mais insalubre para viver e quando a civilização moderna continua envenenando o planeta, as Bruxas falarão alto e em bom som em nome dos direitos da Terra. Nossas vozes estarão entre as mais veementes, convocando todas as pessoas a viverem em equilíbrio e harmonia com as comunidades de plantas, animais e minerais.

Para muitas Bruxas, isso significará fazer um balanço de como vivem pessoalmente no planeta. É com freqüência desconcertante descobrir modos de vida para que os nossos valores como "guardiãs da Terra" não sejam negados ou contrariados pelos nossos próprios estilos de vida. Os nossos carros, computadores, combustíveis de aquecimento, nossas roupas e bolsas plásticas para as compras - - tantas coisas sem as quais achamos difícil viver — podem estar exaurindo os recursos da Terra, contribuindo para os lixos tóxicos, explorando as populações nativas em outros países e favorecendo os maus-tratos infligidos a animais. A vida moderna é uma tão complexa rede de relações que fica muitas vezes impossível conhecer que efeitos as nossas ações terão sobre outros. A rede comercial e industrial envolve literalmente o mundo inteiro e envolve cada um de nós.
É claro que não podemos voltar todos a viver da terra. Só na América já existe gente demais para que se possa fazer isso. Mas creio firmemente que cada um de nós pode levar uma vida mais simples, que desperdice menos, polua menos, destrua menos, até custe menos. As Bruxas do futuro serão pioneiras dos novos caminhos pelos quais os indivíduos reduzirão gradualmente suas necessidades e viverão mais leves, tocando a Terra com mais brandura e respeito. Se cada um de nós contribuísse com apenas cinco horas mensais, o que é cerca de uma hora por semana, para alguma organização local que esteja envolvida no trabalho ecológico ou de defesa ambiental, veríamos resultados extraordinários em nossas próprias vidas e na da comunidade em geral. Tais mutirões poderiam limpar bosques e parques; ajudar os escoteiros a coletar jornais; plantar árvores, flores e arbustos. Em Salem, a Witches' League for Public Awareness, comprou e plantou 200 mudas de abeto. Posso apenas, uma vez mais, oferecer algumas sugestões que me ocorrem. Você deve descobrir o seu próprio caminho para tornar-se ativamente engajado na luta pela saúde do meio ambiente. Adira ao capítulo local da Audubon Society ou do Sierra Club, a fim de tomar conhecimento de que programas estão disponíveis e são necessários em sua comunidade. Se quisermos que as Bruxas tenham maior impacto sobre o futuro da nossa sociedade, devemos adotar uma conduta mais orientada para o serviço. Quando se trata de questões ambientais, devemos instruir- nos mais. Devemos usar a mídia, a televisão em particular, para nos informarmos sobre outras culturas, além da nossa, e as atitudes delas em relação à Terra; sobre a ciência e a tecnologia que estão atualmente poluindo o meio ambiente; sobre as novas tecnologias que poderiam oferecer possíveis corretivos. Como Bruxas informadas e esclarecidas, podemos tornar-nos ativas em manifestações, protestos e toda ação em prol da reforma. Não hesitaremos em colaborar com funcionários e legisladores locais e federais que terão o poder político para promulgar mudanças.

A Terra está passando por importantes transformações.
Os americanos nativos previram isso há séculos, muitas vezes com extraordinária precisão, e muitas dessas previsões estão se concretizando agora. A Terra deve ajustar-se aos problemas que a vida humana criou para ela. Os grandes Titãs da Terra estão despertando para tomar parte em sua limpeza: incêndios, terremotos, vulcões, tempestades, secas, inundações. Os humanos tendem a ver esses fenômenos como "desastres" quando os interpretamos em função dos nossos próprios interesses mesquinhos Mas até o fim da Terra pode não ser um desastre quando considerado da perspectiva do Todo. Simplesmente não sabemos. Na melhor das hipóteses, cumpre-nos atentar para esses eventos como mensagens da Terra para que reformemos nossa conduta e vivamos em harmonia e equilíbrio com a Terra e suas numerosas comunidades. Vejo Bruxas realizando sortilégios pelo crescimento, a limpeza e a sobrevivência. Vejo a Arte da Magia tornar-se uma parte integrante do esforço mundial para fazer a vida humana mais sensível às necessidades da Terra. Vejo as Bruxas, coligadas com outras comunidades orientadas para a Terra, praticando a magia, repartindo conhecimentos e realizando grandes sortilégios de cura e purificação.

Estaremos na expectativa de futuras convergências harmônicas e novas eras, e colaboraremos com elas. A convergência passada foi bem-sucedida em aumentar a consciência de uma interligação entre o espírito e a Terra. As convergências harmônicas não serão apenas uma moda passageira, mas um apelo corrente às pessoas de inclinação espiritual em todo o mundo para que projetem saúde, bem-estar e equilíbrio entre o espírito e a matéria. Apesar do que os detratores disseram a respeito da convergência não passar de mais uma vigília em prenuncio do Juízo Final, os que participaram entenderam seu verdadeiro propósito — o alinhamento de nossas intenções com a evolução futura da Terra e suas comunidades de vida. Vejo um futuro em que não haverá guerra nem ameaça de guerra. Vejo o conflito passado no Vietnã e lembro-me de como foi sustado pela implacável visão e pelas vozes de incontáveis e corajosos homens e mulheres que protestaram contra a sua escalada e projetaram para um fim da guerra. Lembro-me dos grandes mantras da paz da década de 1960 -' 'Faça Amor, Não Faça a Guerra'' e “Dê à Paz uma Chance1" - e o símbolo da paz que se tornou um talismã internacional, operando sua magia na mente e no coração das pessoas por toda parte. Embora eu pense que o conflito faz parte da existência humana e sempre estará presente sob uma ou outra forma, não acho que o conflito entre pessoas ou nações tenha que redundar necessariamente em guerra, sobretudo no futuro, quando mais exércitos terão armas nucleares à sua disposição. E penso que a televisão continuará erodindo o apoio geral à guerra, como fez durante o conflito no Vietnã, ao trazer os horrores dos campos de batalha para dentro dos nossos livings, onde não podemos confundi-los com glória. As Bruxas devem fazer da paz uma importante meta. Devemos realizar sortilégios e magias em benefício de um mundo livre de guerras. Usar os sortilégios deste livro para a paz pode ser uma das nossas mais importantes contribuições para o futuro de nossos filhos e netos. Podemos fazer sortilégios restritivos, usando luz branca para neutralizar soldados e suas armas, e sobretudo restringir a ação dos líderes militares que os mandam para o campo de batalha. Podemos colocar escudos protetores em torno dos exércitos e das populações civis, as quais, agora mais do que no passado, são as maiores vítimas da guerra. Também devemos proteger a terra, as suas culturas e os seus animais, que também são as vítimas inocentes dos conflitos armados. Podemos entrar em alfa e dialogar com os líderes mundiais, encorajando-os a negociar entre si em vez de recorrer à guerra para solucionar disputas. Podemos emitir luz cor-de-rosa. Podemos projetar soluções para os problemas tanto internos quanto internacionais.

Devemos começar educando os nossos filhos a respeito da realidade de um planeta livre de guerras e não-violento. Há alguns anos, dei um curso de ciência de Feitiçaria para filhos de algumas Bruxas de Salem. Um dos nossos projetos era rodear Salem de luz cor-de-rosa, especificamente para neutralizar outros adolescentes na cidade que, por carência de orgulho cívico e de auto-estima, descarregavam suas frustrações no meio ambiente por atos de vandalismo. Esses jovens Bruxos e Bruxas realizaram fielmente seus sortilégios durante três para quatro meses, e, quando foi divulgado o relatório seguinte sobre criminalidade no Estado de Massachusetts, Salem registrou o mais baixo índice no tocante a atos de vandalismo. Quando o mundo se torna um lugar cada vez menos seguro para se viver, posso vislumbrar a crescente necessidade de indivíduos esclarecidos e eficientes, versados nos métodos antigos e modernos de cura. Para descobrir uma cura para o câncer, a AIDS, as doenças do coração, as alergias que ameaçam a vida e a série de doenças ambientais que parecem proliferar em ritmo alarmante, os nossos melhores cérebros e as nossas mais poderosas magias serão requeridos. Quando a Terra passa por seu próprio ajustamento e depuração, assistiremos a mais "desastres naturais", como secas, inundações e terremotos, e as Bruxas farão parte das missões de resgate para salvar e confortar as vítimas.

Mas, por agora, os muitos achaques da civilização moderna relacionados com o estresse — problemas cardíacos e pulmonares, dores nas costas, dores de cabeça, o resfriado comum -- devem tornar-se o nosso foco imediato porque estão ao nosso alcance. Conhecemos pessoas que padecem desses transtornos. São, por vezes, os nossos próprios achaques. Em nossos papéis tradicionais como curandeiras e conselheiras devemos oferecer a nossos vizinhos um estilo mais saudável de vida e a ciência da magia para que se curem. As Bruxas do futuro farão parte do sistema de assistência à saúde, trabalhando como voluntárias em hospitais, casas de saúde e hospícios, dando às pessoas visão e esperança por causa de nossas perspectivas ímpares sobre a vida e o sofrimento, morte e renascimento, a eterna permuta de energia entre os domínios material e espiritual. Como clero feiticeiro, devemos exigir os mesmos privilégios de visitação de que hoje goza o clero cristão para aconselhar e curar os nossos pacientes quando estão hospitalizados.

As pessoas estão morrendo por causa de tóxicos, solidão, medo e preconceito. Vejo Bruxas oferecendo programas de cura, centrados no ritual, para viciados em drogas e alcoólatras. As nossas Assembléias oferecerão cerimônias e rituais para grupos de pessoas desoladas, aflitas, solitárias ou abandonadas que buscam uma esperança e uma justificação para viver. Como terapeutas geocêntricos, oferecemos uma nova visão às pessoas alienadas da Terra e dos ritmos naturais que colocam a vida em perspectiva e criam um contexto significativo. Ensinaremos meditação, ofereceremos jornadas espirituais guiadas e ajudaremos os indivíduos a descobrirem suas próprias fontes de saúde e felicidade através do ritual e da magia que os colocarão em contato com os seus mais íntimos e mais profundos eus. Vejo a Feitiçaria tornar-se de novo uma importante religião, ocupando seu legítimo lugar ao lado de outras disciplinas espirituais. Enriqueceremos outras religiões mostrando-lhes como a ciência da Magia é a base para todas as práticas espirituais eficazes. Mas devemos dar o primeiro passo. Encorajo todas as Bruxas que tiverem essa oportunidade a tornarem-se "sacerdotisas diplomadas" aderindo à Assembléia da Deusa ou à Aliança Nacional de Panteístas, organizações que obtiveram reconhecimento governamental como órgãos religiosos com o direito a “ordenar sacerdotes". Devemos compreender que, aos olhos da cultura dominante, rótulos como "reverendo" e "ministro" são necessários para nos conferir status oficial. Sem eles, nossos ungimentos, casamentos, funerais e socorros hospitalares não serão aceitos como legítimos ritos religiosos.

"Diplomadas" ou não, as Bruxas desempenharão um papel sempre crescente em atividades ecumênicas. Participaremos em seminários e retiros em centros cristãos, judaicos e budistas, e no crescente número de agências e seminários interconfessionais. Bruxas já estão sendo convidadas para tais conferências porque só nós estamos verdadeiramente versadas nas cerimônias e rituais das tradições da Deusa que estão se tornando um importante campo dos estudos teológicos. As Bruxas não só compreendem mas vivem a visão espiritual dos nossos ancestrais, que reconheceram o poder divino na Terra e nos processos naturais. As Bruxas possuem os conhecimentos e as técnicas para realizar os nossos próprios poderes divinos, tão necessários para viver em harmonia com a criação. O que está sendo denominado "teologia da criação'' em alguns círculos cristãos é o que nós e as nações ameríndias estivemos vivendo por milhares de anos. É aquilo por que o mundo vem clamando tão desesperadamente em nosso próprio tempo e o que poderá ser a nossa definitiva salvação — uma visão espiritual que reconhece a santidade de toda vida e a interligação de todas as coisas vivas.
Desafio os teólogos e estudiosos da religião, e os homens e mulheres comuns nas comunidades cristãs e judaicas, a que nos estudem e aprendam quem somos. Lanço-lhes um repto, desafiando-os a que ponham de lado mentiras e distorções que têm caracterizado seus sentimentos a nosso respeito e os impediram de verdadeiramente nos compreender. As principais religiões modernas têm estudado o Zen-budismo e a espiritualidade ameríndia em anos recentes, descobrindo nessas antigas e respeitadas tradições muita inspiração e sabedoria sacra. Desafio todos os estudantes de religião a que façam o mesmo com a Feitiçaria e as ricas tradições da Deusa, das quais procedemos.

Não faz muito tempo, Barbara, uma Bruxa amiga minha, era professora voluntária numa escola particular local que tinha a meritória reputação de fornecer uma educação de alto nível. Os anos de serviço de Barbara à escola foram reconhecidos pelo corpo docente, pelos estudantes e pelos pais dos alunos. Quando o cargo de diretor ficou vago, ofereceram o posto à minha amiga. Depois, começou a circular a notícia de que Barbara era uma Bruxa. De súbito, uma mulher cuja reputação na comunidade era irretocável, tornou-se uma "desconhecida". As pessoas reagiram como se realmente não a conhecessem.
Numa conferência com funcionários escolares, ela confirmou o fato de que era Bruxa, assim como seu marido e filhos. A oferta da direção foi retirada. Ironicamente, quando saiu da conferência, passou por uma sala de aula onde estava sendo projetado um filme para explicar a beleza e os mistérios da espiritualidade ameríndia. No futuro, esses filmes serão sobre nós. E não perderemos os nossos empregos por sermos o que somos.

Vejo crescer rapidamente o número de Bruxas, não porque recrutemos novos membros, pois não o fazemos e nunca o fizemos, mas porque a Deusa conclamará as pessoas a descobrirem sua herança espiritual original. Nós ainda exigimos que as iniciadas deem provas de si e de suas intenções estudando conosco durante "um ano e um dia", antes de as aceitarmos em nossas Assembleias, mas um contingente cada vez maior de homens e mulheres se mostrará disposto a isso quando se aperceberem de que chegou o momento e de que talvez o tempo também seja curto. Novas Assembleias surgirão, novos rituais serão desenvolvidos, novos métodos para usar a nossa magia para o bem de todos serão descobertos. Devemos acolher de braços abertos esses recém-chegados. Devemos estar à disposição daqueles que nos procuram e nos observam, vivendo publicamente como Bruxas, orgulhosas de nossa Arte e dê, nossas tradições revigorantes. Vejo hoje as religiões ocidentais procurando identificar sua herança mística/mágica, e vejo-as descobrirem-nas nos antigos procedimentos da nossa Arte. Vejo homens e mulheres, descontentes com suas próprias religiões, virem a nós impelidos pelo tédio e a desesperança. Serão atraídos para os nossos rituais públicos e para a ciência e a arte que tornam a Feitiçaria tão excitante e significativa. À medida que o mundo se torna mais democratizado, vejo pessoas de vocação espiritual ansiando por uma tradição sagrada em que homens e mulheres possam participar plenamente, sem hierarquia nem súditos, um caminho espiritual que todos percorram juntos como iguais.

Quando as pessoas começam a sentir-se fartas de "verdades reveladas", transmitidas por pastores e clérigos, virão pedir-nos que lhes mostremos os caminhos de alfa, no qual podem aprender diretamente as verdades espirituais do cosmo e criar suas próprias relações pessoais com o Todo. Enquanto outras religiões erguem muralhas à sua volta e dividem as pessoas em categorias de "gente da casa" e "estranhos", de "redimidos" e "malditos", de "santos" e '”pecadores", as pessoas gravitarão para nós, onde todas são bem acolhidas. Verão, por exemplo, que em nossas cerimônias matrimoniais por jungimento das mãos, não separamos as famílias de um casal de noivos nos lados opostos de uma nave mas pedimos que todos se mantenham juntos num círculo em redor da noiva e do noivo, dando-se as mãos e tornando-se uma família. Vejo mulheres de visão e poder, procurando maneiras para expressar o que há de mais profundo em sua natureza feminina, descobrindo-nos e ingressando em nossas Assembleias. Já teólogas nos convidam a falar, a explicar a Feitiçaria, a mostrar-lhes o nosso ritual. As nossas Assembleias converter-se-ão em fóruns para todas as questões femininas - tanto sociais, econômicas e políticas quanto espirituais - atraindo mulheres fortes, orientadas para o serviço, que querem realizar uma mudança no mundo e salvar a Terra para seus filhos e netos. Vejo mulheres que se tornarão líderes empresariais, dirigentes governamentais e comunitárias, usando o pentáculo em torno do pescoço e falando com a sabedoria da Divina Mãe.

Vejo uma nova estirpe de adolescentes que não julgarão necessário voltar-se para o mundo das letras satânicas dos seus rocks, para os filmes e vídeos que glamourizam o mal ou para os cultos que encorajam a violência. Ao invés da geração de hoje, que se rebela contra um vazio espiritual e um crescente sentimento de impotência, os adolescentes do futuro serão conhecedores dos fatos acerca da Feitiçaria. Se optarem por aderir a ela, fá-lo-ão com pleno conhecimento de que ser Bruxo ou Bruxa significa repudiar a noção de Satã e do poder demoníaco sobre a Terra, rejeitar a violência e o ódio como armas de mudança social, voltar-se para os mistérios divinos da Grande Mãe e descobrir rituais que nos inspiram à cooperação com a sociedade. Os filhos de Bruxas crescerão com a lei da Feitiçaria inscrita em seus corações, dedicados ao princípio de não praticar o mal contra ninguém.
Vejo cientistas e místicos empenhados num fecundo diálogo, contribuindo uns e outros com suas próprias visões do universo e descobrindo que estão a falar a mesma língua e a descrever as mesmas realidades. Esse diálogo já começou, e a ciência e o misticismo voltam, uma vez mais, a ser aliados. Em breve os seus insights chegarão, pouco a pouco, aos homens e mulheres comuns que, pela primeira vez, poderão perceber que o universo é um entrelaçamento de luz, galáxias, estrelas, planetas e miríades de formas de vida. Com novos olhos, as pessoas verão que o Todo é uma teia de energias e auras, pensamentos e palavras, visões e vozes. Com o tempo, todos participarão na grande dança de luz e vida que as Bruxas vêm conduzindo há séculos.

Mas as Bruxas devem levar a efeito essa visão lendo e estudando ciência. Devem estar tão instruídas sobre as realidades científicas quanto sobre as espirituais. Educar, mudar e, em última instância, salvar a sociedade significa estar apta a falar com fatos e números, mostrar relações, explicar significados. As Bruxas devem poder falar a linguagem da nova física e a linguagem do espírito. Devemos apresentar-nos diante do mundo como pessoas capazes de reconciliar os aparentes opostos na experiência humana, aptas a afirmar que o que o mundo vê como "superstição" ou "misticismo" é, na realidade, a base da ciência. Inspiraremos outros para que levem a sério as palavras de Einstein: "O misticismo é a base de toda verdadeira ciência e a pessoa que já não é capai de ficar extasiada está morta sem o saber.'' Mostraremos ao mundo que o nosso "êxtase" leva-nos de volta à ciência da Feitiçaria, que é a base de todo o trabalho espiritual. Por nossas vidas jubilosas e produtivas, convenceremos o mundo de que a nossa visão de realidade sagrada está firmemente assente em realidade material.

Como somos cada vez mais adeptas do uso de alfa para curar e ensinar, ajudaremos a inaugurar a plenitude da Era de Aquário e a deixar em paz a Era de Peixes, a era da crença cega. Outros nos procurarão para aprender os procedimentos de alfa e para descobrir por si mesmos o significado da vida, em vez de tentar ajustar os mistérios pessoais de suas existências a um paradigma padronizado e gasto que já não reflete mais o novo conhecimento. Necessitamos de novas fronteiras no desenvolvimento psíquico: meios instantâneos de transporte sem veículos, métodos sólidos e seguros de bilocalização, técnicas controladas para operar fora do corpo, processos de cura instantânea, de cirurgia psíquica, de manifestação dos nossos ancestrais e do passado como hologramas, de modo que possamos estudar história penetrando e participando nela.
Os artistas integrantes da Feitiçaria desempenharão um papel vital, pois os símbolos e as imagens são os parteiros de novas idéias. Eles expressarão em suas pinturas, canções e poemas o entrelaçamento do sagrado e do secular. À semelhança de Michael Pendragon, um compositor e músico de Salem, os autores de canções usarão a filosofia e a astrologia pitagóricas para escrever suas músicas. Os estilistas de moda criarão roupas de tecidos e cores que são naturais, confortáveis, expressivas de cada indivíduo, quer seja para refletir as energias femininas da Deusa, os poderes masculinos do Deus, ou a mistura andrógina de ambos.

Fortemente assentes na Feitiçaria, artistas como Lisa St. John, Tammy Medros e Penny Cabot demonstrarão que a arte, a ciência e a espiritualidade são apenas três lados do mesmo triângulo. Artistas Bruxos lembrarão aos seus públicos, ou talvez lhes ensinem pela primeira vez, que todas as coisas estão interligadas. Vejo o dia em que compositores, atores, escultores, pintores e tecelões Bruxos influenciarão as principais correntes artísticas com as nossas imagens e os nossos símbolos. Aguardo ansiosamente o dia em que a Deusa e o Deus serão, uma vez mais, o motivo dominante da vida humana.

Vejo um futuro em que o interesse atual pela ficção científica entre tantos Bruxos e neopagãos provará ter sido um estudo sagaz de coisas vindouras, não a fantasia escapista que muitos detratores consideram-na ser. As Bruxas sempre foram propensas a pensar em termos da galáxia como um todo, a ver todo o espaço e tempo no momento presente, na medida em que adivinham o futuro. O nosso interesse natural pelo espaço e pelos "tempos além do tempo" resultará em estarem as Bruxas entre as primeiras pessoas a entender e a aceitar visitantes extraterrenos, pois sempre os contatamos em nossos sonhos e visões. Sabemos que o universo está estruturado de tal modo que qualquer coisa poderá ser verdadeira em algum tempo e em algum lugar, pelo que estamos livres para especular e sonhar. Os planos e projeções que instilamos em nossos filhos hoje podem vir a ser o núcleo para a vida no espaço e em outras galáxias amanhã. Dos nossos sonhos sairão as comunidades e os modos de vida que alcançarão além dos planetas e nos conduzirão de volta às estrelas. Como ensinou Platão, como os ameríndios sabiam, como os antigos povos em todo o mundo depreendiam, e como as Bruxas sempre acreditaram, nós somos gente celestial que veio das estrelas. O nascimento é uma espécie de "esquecimento" de todos os conhecimentos que possuíamos enquanto vivíamos nas galáxias, e a vida é uma "recordação" de quem somos e para o que estamos destinados. As raças radicais, os seres ancestrais, as formas de vida originais que povoaram o nosso planeta tantas eras atrás, aguardam-nos nos tempos por vir. Eles nos acolherão de volta.

Texto extraído na íntegra do Livro: O Poder da Bruxa - Laurie Cabot. pag 301 à 320.

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