sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Tensão Pré Menstrual" por Cristina Cairo


Tanto a TPM como a menopausa fazem parte de um mesmo processo psicológico.
As informações médicas que nos bombardeiam, negativamente, fortalecem a CRENÇA de que somos movidas a hormônios e que nada podemos fazer se não for à base de tratamento médico ou de psicoterapia.

Realmente, a poucos dias do período menstrual o cérebro da mulher transforma-se física e psicologicamente em função das alterações hormonais.
O comportamento difere de mulher para mulher.
E, como num passe de mágica, apenas uma semana após o início do ciclo menstrual, tudo volta à normalidade: a mulher recupera seu equilíbrio emocional, "junta os cacos" e passa a avaliar o resultado de sua agressividade quando gerou profundas mágoas e conflitos no coração de seu companheiro ou de outras pessoas.
Algumas sentem-se mal, ficam deprimidas, tristes, ansiosas, preocupadas, distantes socialmente. Outras monstram-se agressivas, possessivas, controladoras e negativas. É como se fora possuída por uma força maior, cegando-a e controlando-a em suas atitudes e pensamentos.
Desperte para o seguinte fato: o inimigo não está do lado de fora, mas dentro de nós, em nosso próprio sangue.
Deve-se esse comportamento imprevisível (ou previsível) à nossa forte tendência em acreditar que tudo que vemos, ouvimos ou sentimos durante esta fase é a REALIDADE, isto é, que tem de ser assim. O pior é que, involuntariamente, exageramos nas emoções. Querida amiga, saiba que hormônio, em latim, significa HUMOR, e que os hormônios podem alterar nosso humor e vice-versa.
Cedo ou tarde ele acaba nos devolvendo, através de atitudes, palavras e pensamentos, aqueles sentimentos reprimidos no passado ou no presente.
A oscilação de humores nos leva a perder de vista a saída e o autocontrole necessários para o nosso próprio equilíbrio. O inconsciente recebe cargas emocionais que se alternam entre as mais sutis, às mais marcantes, e reage exatamente como um espelho: reflete em nosso corpo, tanto interna quanto externamente, tudo que foi guardado em termos de emoções. Saiba que a menstruação em si, além da limpeza uterina, processa também a limpeza de um subconsciente carregado.
Todas as vezes que você sentir RAIVA ou TRISTEZA durante o ciclo, REFLITA e pergunte para si mesma - O QUE PRECISO COMPREENDER OU SOLTAR?
A dádiva de poder ser feliz através da menstruação deve ser compreendida por todas as mulheres para que se tornem aliadas dos hormônios e não suas escravas. O ciclo menstrual deve ser visto como uma rara oportunidade de conhecermos o lixo que guardamos no subconsciente e assim podermos trabalhá-lo dentro de nossas mentes, produzindo o perdão, o desapego, e sentirmos o poder da criatividade que possuímos. Com certeza seu coração lhe dirá e você se acalmará, pois estará solucionando algo interno, mal resolvido, com seu parceiro ou alguém da família.
Quanto mais soltarmos nossos apegos e deixarmos de controlar pessoas e coisas, mais entenderemos que ninguém pode nos fazer mal.
Com essa atitude sensata você descobrirá que os hormônios são apenas exércitos comandados pelo seu subconsciente e terá oportunidade de perceber-se e esforçar-se para perdoar acontecimentos antigos, soltar pessoas, deixando-as viver como querem. Vai aprender, também, que o verdadeiro amor não é dono de nada e de ninguém, mas deixa fluir a vida como as águas da fonte. Com esse processo de liberdade da ALMA, as futuras menstruações e a menopausa vão aproximar-se SEM TRAUMAS OU GUERRAS INTERNAS e você, mulher, vai sentir-se cada vez mais GRATA e FEMININA quando o ciclo chegar ou quando chegar a hora de cessar. Desde que não vejamos o fato como mal, então estaremos livres de doenças, infortúnios e, principalmente, da incômoda TPM.
Quanto mais a mulher compreender que a TPM é sinônimo de temperamento difícil e que os hormônios apenas indicam a dureza de seu caráter, tanto mais ela sentirá que não precisa sofrer ou provocar perturbações em pessoas à sua volta se passar a ser mais flexível e amorosa para com os outros e para consigo mesma fora do período menstrual.
Aliás este ciclo deveria chamar-se LPMS ( Limpeza Pré-Menstrual do Subconsciente) ou PPM (Purificação Pré-Menstrual). A psicologia explica: quando repudiamos algo é porque nos identificamos, de alguma forma, com a coisa repelida. A negação é um mecanismo de defesa contra a verdade que dói. Por isso, muitas mulheres abominam a época de sua menstruação. Para elas é realmente difícil fazer MUDANÇAS INTERNAS de libertação de pessoas, acontecimentos e coisas. Contudo a TPM sempre ocorrerá com mulheres de temperamento difícil, rebeldes e teimosas, porque são essas que possuem maior resistência em soltar algo ou alguém. A mulher, por natureza, possui o privilégio de um ciclo que lhe traz às suas mãos todo o mal de seu coração para ser resolvido.
Diga sempre o que pensa e sente, aprenda, a cada dia, a soltar acontecimentos e compreenda de uma vez que tudo e todos que nos rodeiam fazem parte da vibração em que teimamos em permanecer.
Todo mês, por muitos anos de sua vida, ela terá a oportunidade de se encontrar consigo mesma e corrigir sua linha comportamental, para, assim, libertar-se de doenças e infelicidade. É gratificante saber que todo mal estar da TPM significa, apenas, SITUAÇÕES MAL RESOLVIDAS NO CORAÇÃO, que aparecem em forma de irritação, choro, agressividade e constantes desabafos aparentemente inesplicáveis aos olhos de quem assiste. Cabe à mulher buscar formas de ajuda para aprender a reconhecer seus verdadeiros sentimentos e permitir-se viver LIVRE de suas próprias cobranças. Deseje do fundo de sua ALMA encontrar dentro de si mesma o mal que a aflige e tenha CORAGEM de libertar-se dessas emoções MASCARADAS. É importante sempre ter em mente que os semelhantes se atraem, por isso não acuse mais ninguém pelas suas mágoas e ressentimentos.
A tensão pré-menstrual ocorre toda vez que a mulher não percebe que está perante seu lado "fera ferida" e que precisa parar de resistir às mudanças de seu próprio CARÁTER.
Enxergue no outro a sua parcela de erros e veja que os problemas, sejam eles quais forem, também foram gerados por você, por incrível que pareça. É difícil acreditar nisso, mas a verdade é que quando guardamos desde criança sem perceber, mágoas contra nosso pai ou mãe, acabamos transferindo para outros seres, INCONSCIENTEMENTE, situações mal resolvidas, como se pudéssemos, com isso brigar com nossos pais e sermos compreendidas. ACREDITE e EXPERIMENTE viver de forma mais SUAVE. Continue sendo uma GUERREIRA e lutando pelos seus ideais, mas saiba encontrar o equilíbrio e perceber o EXAGERO de alguns sentimentos e pensamentos durante a TPM e CONTROLE-SE, conscientemente, até que possa elaborar em sua mente a compreensão de si mesma e parar de transferir coisas que são somente SUAS. Enxergar seus próprios ERROS não é uma tarefa fácil e RENUNCIAR a eles é mais difícil ainda.
Mas, acima de tudo, seja HUMANA e não use seu período menstrual para DESCARREGAR seus fardos sobre os ombros de outras pessoas, ALEGANDO que estava sob o efeito da "droga" TPM.
Portanto, procure a ajuda através de um trabalho alternativo, de uma terapia comportamental cognitiva ou leia livros de autoconhecimento para, finalmente, despertar desse pesadelo e entender que não existiria à tal tensão pré-menstrual se as mulheres se decidissem com mais rapidez, ou seja, parassem de guardar em seu subconsciente tantos ressentimentos, frustrações, mágoas, desapontamentos e sentimentos de perda. Seja madura e sábia e reconheça que toda postura de VÍTIMA lhe trará mais frustrações e decepções. Vá à luta, mas desarmada! Entregue-se confiante, nos braços do Deus de seu coração e acredite que nada irá lhe faltar ou machucá-la se seus pensamentos, palavras e atitudes estiverem ao alcance Dele. Acredite nessa Força e PARE de segurar quem ou o que estiver controlando ou zelando demais. Deixe a vida fluir e veja como o cenário se transformará rapidamente em seu ambiente e em seu CORPO. Você pode aprender a controlar-se, e mais que isso, acabar de uma vez com seus sofrimentos armazenados. Seja feliz, amiga! Eu lhe garanto que isso é possível! AME A TUDO E SORRIA SEMPRE! Linguagem do Corpo 2
Cristina Cairo

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Remédios e Tratamentos Ayurvédicos.

''A palavra Ayurveda é composta de dois termos, Ayush que significa vida e Veda que significa conhecimento ou ciência. Portanto, etimologicamente, Ayurveda significa a ciência da vida ou Biologia. Além da medicina, vários outros aspectos da vida são abordados pela Ayurveda. Sob uma perspectiva mais ampla, inclui a saúde e o tratamento das doenças dos animais e também das plantas. Assim, na Índia antiga, havia matérias especializadas como Ashva Ayurveda (para o tratamento dos cavalos), Gaja Ayurveda (para o tratamento de bois) e Vriksha Ayurveda (para o tratamento das doenças das plantas). Tratados sobre estas ciências foram escritos por eminentes estudiosos como Nakula, Shalihotra e Parashara.
O Ayurveda fornece procedimentos racionais de tratamento para muitas doenças que são consideradas crônicas e incuráveis por outros sistemas de medicina. Simultaneamente, enfatiza a manutenção da saúde positiva de um indivíduo. Isto auxilia tanto na prevenção quanto na cura das doenças. A Ayurveda estuda também a natureza básica do ser humano, e as necessidades naturais como a fome, a sede, o sono, o sexo, etc., e fornece medidas para a adoção de um modo de vida disciplinado e livre das doenças.
A prática da Ayurveda caiu em desuso após as repetidas invasões que aconteceram na Índia. Os trabalhos originais foram destruídos, e os charlatões prosperaram, introduzindo modificações não autorizadas no sistema.
No final do século XIX e início do século XX, as pessoas começaram a pensar no desenvolvimento da Ayurveda. Este pensamento ganhou ímpeto com o movimento swadeshi. Muitos comitês de especialistas foram constituídos pelo Governo para investigar os problemas desta ciência e sugerir medidas para resolvê-los. Após a independência, o Governo nacional mostrou profundo interesse em colocar os negócios da Ayurveda em linhas científicas e desenvolvê-lo de forma que muitas universidades, consultórios, hospitais e farmácias ayurvédicas foram estabelecidas em diferentes partes do país.
Este manual fornece uma análise geral da teoria e prática da Ayurveda. Direcionado para a família, a ênfase deste trabalho é para o tratamento geral das doenças comuns que pode ser administrado em casa. A parte teórica deste livro é, portanto, breve e não técnica. Tenho profunda esperança de que os leitores achem esta publicação útil em seu dia-a-dia.''
Dr. Bhagwan Dash
New Delhi, Índia

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA AYURVEDA
O corpo humano, de acordo com a Ayurveda, é composto de três elementos fundamentais denominados doshas, dhatus e malas. Os doshas governam as atividades fisiológicas e físico- químicas do corpo. Os dhatus entram na formação da estrutura básica de cada célula do corpo, realizando através disso, algumas ações específicas. Os malas constituem substâncias que são parcialmente utilizadas pelo corpo e parcialmente excretadas de uma forma modificada depois de exercerem suas funções fisiológicas. Estes três elementos estão em um equilíbrio dinâmico uns com os outros para promover a manutenção da saúde. Qualquer desequilíbrio ou predominância de um deles resulta em doença ou sofrimento.

Pancha Mahabhutas
O homem possui cinco sentidos e através destes sentidos ele percebe o mundo exterior de cinco maneiras diferentes. Os órgãos dos sentidos são os ouvidos, a pele, os olhos, a língua e o nariz. Através destes órgãos sensoriais, o objeto externo não é apenas percebido, mas também absorvido para dentro do corpo humano na forma de energia. Eles são a base na qual todo o universo está dividido, agrupado ou classificado, de cinco maneiras diferentes, sendo conhecidos como os cinco Mahabhutas¹. São denominados Akasa (céu), Vayu (ar), Agni (fogo), Jala (água) e Prithvi (terra). Os equivalentes em língua Ocidental, no entanto, não possuem a conotação correta e a totalidade das implicações destes termos. Por exemplo, a água comum não contém apenas jala mahabhuta, mas é composta de todos os cinco mahabhutas. É a força de coesão ou o poder de atração que é inerente em jala ou na água, sendo esta a principal característica de jala mahabhuta. Da mesma forma, o ar não é apenas vayu mahabhuta, mas contém os elementos que pertencem aos demais mahabhutas também. Por exemplo, o oxigênio estará mais próximo de agni mahabhuta e o hidrogênio, mais próximo de jala mahabhuta.
A física e a química modernas dividem a matéria disponível no universo em alguns elementos básicos. Estes elementos diferem uns dos outros em certos aspectos. Todos estes elementos podem ser classificados em cinco categorias de mahabhutas. Por outro lado, cada átomo possui os aspectos característicos de todos os cinco mahabhutas. Os elétrons, pósitrons, nêutrons, etc. presentes dentro dos átomos, representam prithvi mahabhuta. A força ou coesão que os mantém atraídos entre si é um atributo característico de jala mahabhuta. A energia produzida no interior do átomo quando este é rompido e a energia que permanece latente, na forma integral, representam atributos de agni mahabhuta. A força de movimento dos elétrons representa o aspecto característico de vayu mahabhuta e o espaço no qual se movem é o atributo primário de akasha mahabhuta.
Diferentes escolas de filosofia tentaram explicar a teoria dos Pancha Mahabhutas de diferentes maneiras. Enquanto algumas explicações são basicamente as mesmas, outras são amplamente diferentes. No entanto, todas as escolas de filosofia teológica possuem um fundamento comum em sua crença na criação do universo através dos Pancha Mahabhutas. Entre as demais escolas de filosofia, algumas, como a de Charvaka, não acreditam na existência do quinto mahabhuta, ou seja, akasha, porque não é perceptível ao sentido da visão comum. No entanto, a Ayurveda é muito clara sobre este assunto e baseia-se na teoria do Pancha Mahabhuta.
De acordo com a Ayurveda, o corpo de um indivíduo é composto de cinco mahabhutas. Da mesma forma, nas outras formas materiais também existem cinco mahabhutas. No corpo humano, estes cinco mahabhutas estão representados na forma dos doshas, dhatus e malas. Fora do corpo, eles formam os ingredientes básicos das drogas e dos alimentos. Os atributos característicos dos cinco mahabhutas são explicados em termos dos sabores ou rasa, das qualidades ou gunas, das potências ou viryas e dos sabores que se manifestam após a digestão e o metabolismo da substância, ou vipaka.
No corpo normal de um ser vivo, estas substâncias permanecem em uma determinada proporção. Entretanto, por causa da ação enzimática no interior do corpo humano, esta razão entre os cinco mahabhutas, ou o seu equilíbrio, torna-se alterado. O corpo, no entanto, possui a tendência natural de manter o equilíbrio. Desta forma, ele elimina alguns dos mahabhutas que estão em excesso e absorve outros mahabhutas que estejam deficientes. Este déficit de mahabhutas é preenchido com os ingredientes que compõem os alimentos, as bebidas, o ar, o calor, a luz do sol, etc. O processo pelo qual os Pancha mahabhutas exógenos são convertidos em Pancha mahabhutas endógenos será discutido em um estágio posterior.
Mesmo durante o processo da morte, estes cinco bhutas representam um papel muito importante. Eles podem ser separados em duas formas diferentes denominadas, literalmente, de forma grosseira e forma sutil. As cinco categorias de mahabhutas sutis no interior do corpo impregnam os cinco sentidos por cinco vezes e, então, eles se separam destes cinco sentidos, ocorrendo assim a morte. O corpo morto perde os cinco sentidos e torna-se composto, portanto, apenas dos cinco mahabhutas grosseiros.

O conceito dos Tridoshas
Como descrito anteriormente, no interior do corpo existem três doshas que governam as atividades físico-químicas e fisiológicas. Estes três doshas são denominados vayu, pitta e kapha. Os equivalentes mais próximos a estes termos em língua Ocidental são ar, bile e fleuma.
Todos os constituintes do corpo são derivados dos cinco mahabhutas. Portanto, os doshas também são compostos de cinco mahabhutas. Todos os doshas possuem todos os cinco mahabhutas em sua composição. O dosha vayu é dominado pelos mahabhutas akasha (espaço) e vayu (ar). No dosha pitta predominam o mahabhuta agni (fogo) e no dosha kapha predominam os mahabhutas jala (água) e prithvi (terra).
A doutrina dos doshas representam um importante papel na Ayurveda considerando que eles formam a base para a manutenção da saúde positiva e para o diagnóstico, assim como para o tratamento das doenças. Uma correta apreciação desta doutrina é, portanto, essencial para a adequada compreensão e avaliação da teoria e prática da Ayurveda. Quando estão em seu estado natural, sustentam o corpo e qualquer distúrbio em seu equilíbrio resulta em doença e sofrimento. Estes três doshas penetram em todo o corpo. Há, no entanto, alguns elementos ou órgãos do corpo nos quais eles estão primariamente localizados. Por exemplo, a bexiga, os intestinos, a região pélvica, as coxas, pernas e ossos são primariamente sítios de vayu. Os sítios primários de pitta são a linfa, o suor, o sangue e o estômago. Da mesma forma, os sítios primários de kapha são o tórax, a cabeça, o pescoço, as articulações, a porção superior do estômago e o tecido adiposo. Cada um destes três doshas são novamente divididos em cinco tipos. Estas cinco divisões representam apenas cinco diferentes aspectos dos mesmos doshas e deve ficar claro que não constituem cinco diferentes entidades no corpo.
As localizações e as funções destas divisões de vayu, pitta e kapha são fornecidas na tabela abaixo.



Pode-se observar através da apresentação acima que os doshas e suas divisões estão localizados em quase todos os órgãos vitais do corpo e regulam todas as funções do corpo e da mente.
Durante as diferentes estações do ano, estes doshas passam por certas mudanças. Por exemplo, vayu torna-se desequilibrado no final do verão. Pitta torna-se desequilibrado durante o outono e kapha tende a se desequilibrar durante a primavera. Se determinadas precauções não forem tomadas durante estas estações a pessoa expõe-se a certas doenças causadas por estes doshas. As precauções a serem tomadas nestas estações serão descritas posteriormente. Nos textos clássicos do Ayurveda, sugere-se que para promover a saúde positiva e prevenir a ocorrência de doenças, a pessoa deve submeter-se a um enema medicinal no final do verão, a uma purgação durante o outono e a uma terapia emética durante a primavera.

Conceito de Sapta Dathu
Os elementos teciduais básicos do corpo são conhecidos como dhatus na Ayurveda. O termo dhatu significa, etmologicamente, aquele que ajuda o corpo ou que entra na formação da estrutura básica do corpo como um todo. Os dhatus são sete e estão relacionados a seguir:
1. Rasa ou quilo, inclui a linfa.
2. Rakta ou a fração hemoglobínica do sangue.
3. Mamsa ou tecido muscular.
4. Medas ou tecido adiposo.
5. Asthi ou tecido ósseo.
6. Majja ou medula óssea
7. Sukra ou tecido regenerativo, esperma no homem e óvulo na mulher.
Estes sete dhatus são compostos dos cinco mahabhutas.
- Prithvi mahabhuta (terra) predomina nos tecidos muscular e adiposo.
- Jala mahabhuta (água) predomina na linfa e no quilo.
- Tejas mahabhuta (fogo) constitui a fração hemoglobínica do sangue.
- Vayu mahabhuta (ar) compõe o osso.
- Akasha mahabhuta (espaço) compõe os poros no interior do osso.

Deve estar claro, no entanto, que todos os sete dhatus são compostos de todos os cinco mahabhutas e apenas os mahabhutas predominantes foram descritos acima. Estes dhatus permanecem no interior do corpo humano em uma proporção particular, e qualquer alteração em seu equilíbrio leva à doença e ao sofrimento.

Conceito de Mala
As fezes, a urina e o suor são três importantes malas reconhecidos na Ayurveda. São produtos residuais do corpo e sua eliminação apropriada é essencial para a manutenção da saúde do indivíduo. Afirma-se que as fezes são compostas apenas de resíduos da alimentação ingerida pelo indivíduo, mas, na verdade, elas contém substâncias que são eliminadas dos tecidos celulares do corpo. A evacuação adequada é, portanto, essencial para a manutenção dos tecidos em seu estado de saúde perfeita. Se houver eliminação inadequada, as doenças ocorrem não apenas no trato gastrointestinal, mas também em outras partes do corpo. Nas doenças como a lombalgia, o reumatismo, a ciatalgia e a paralisia, e mesmo bronquite e asma, as precauções para assegurar uma adequada eliminação das fezes são essenciais antes de se iniciar qualquer tratamento ayurvedico. Se não for adequadamente evacuado, este mala fornece um ambiente propício para o crescimento de diferentes tipos de microrganismos intestinais e isto, às vezes, afeta o crescimento de algumas bactérias amigáveis no cólon que auxiliam na síntese de substâncias úteis ao corpo.
A urina é outro produto residual através da qual muitos resíduos corporais são eliminados. Mesmo que a pessoa com excesso de micções seja considerada doente, na Ayurveda aconselha-se que uma quantidade adequada de água deva ser ingerida, tanto no verão como no inverno, de forma que ocorram no mínimo seis micções durante do período diurno. A sudorese é essencial para a manutenção da saúde da pele. Exercícios apropriados, terapias como fomentação e certas drogas ajudam o organismo a transpirar e através da transpiração uma grande quantidade de produtos residuais é eliminada do corpo.
Normalmente, as fezes, a urina e a sudorese possuem cheiro desagradável. Mas, eventualmente, o odor torna-se intolerável e o indivíduo precisa tomar certos medicamentos para corrigir este mau cheiro.

Srotas ou Canais de Circulação
O corpo inteiro é composto de muitos tipos de canais de circulação através dos quais os elementos teciduais básicos, os doshas e alguns produtos residuais circulam ou se movem de um local para o outro constantemente e continuamente. Para o adequado funcionamento do organismo, é necessário que estes canais permaneçam perfeitos e que o processo de circulação continue ininterruptamente. Uma das mais importantes funções destes canais é transportar os produtos dos alimentos do trato gastrointestinal e torná-los disponíveis aos elementos teciduais básicos, ajudando em sua nutrição. Em resumo, incluem todos os grandes canais do corpo como o trato gastrointestinal, as artérias, os vasos linfáticos e o trato gênito-urinário, que são macroscópicos, até os minúsculos capilares que são microscópicos.
A Ayurveda reconhece 13 canais no corpo humano. Estes srotas ou canais de circulação representam um importante papel no advento da doença. Se o movimento ou a circulação nestes canais é interrompida ou bloqueada por fatores internos ou externos, isto resulta no acúmulo das substâncias que estão sendo transportadas naquele canal em particular e o metabolismo no tecido é afetado, dando origem, portanto, a produtos imaturos ou não metabolizados. Estes produtos incompletamente metabolizados não se acumulam apenas no local, mas podem circular através de todo o corpo sendo desviados para outros canais que ainda estejam funcionando. Estas substâncias bloqueiam as atividades daqueles canais, resultando na manifestação de uma doença. Para conservar os canais em perfeito estado ou em condições adequadas de funcionamento, muitas prescrições e proibições são apresentadas nos textos ayurvedicos. Algumas destas recomendações dizem respeito ao horário das refeições, à eliminação das fezes, ao atendimento das necessidades naturais do corpo e aos exercícios físicos. 

Digestão e Metabolismo
O alimento que vem do mundo externo ao corpo deve ser triturado, absorvido e assimilado. Uma substância heterogênea deve ser transformada em homogênea. Os fatores responsáveis por estas atividades no corpo são conhecidos como agnis. Eles representam os vários tipos de enzimas que atuam no trato gastrointestinal, no fígado e nos tecidos celulares. Quando os doshas do corpo estão em um estado de equilíbrio, estes agnis ou enzimas funcionam normalmente. No entanto, quando há qualquer distúrbio neste equilíbrio, ocorre um bloqueio nas funções destes agnis.
Os quatro estados dos agnis estão resumidos abaixo:




O conceito de agni na Ayurveda, que se refere a múltiplas funções relacionadas com pitta, é prontamente compreensível. Inclui não apenas os agentes químicos responsáveis pelo aharapachana no kashtha (corresponde à digestão gastrointestinal), que leva à separação do sarabhaga (fração nutritiva) do ahara (alimento) de seu kittabhaga (resíduo não digerível do alimento), mas também por eventos metabólicos – síntese de energia e manutenção do metabolismo. Além disso, compreende os processos de foto e quimiossíntese. Pachaka pitta, conhecido às vezes como jatharagni, koshthagni, antaragni, pachakagni e dehagni, quando localizado em seu próprio sítio, em uma área entre amashaya e pakvashaya, participa diretamente na digestão do alimento e ao mesmo tempo dá suporte e incrementa a função dos demais pittas presentes em outros lugares do corpo, ou seja, ranjaka (fígado, baço e estômago), sadhaka (coração), alochaka (olhos) e bhrajaka (pele). Acredita-se que pachaka pitta contribua com metade de sua totalidade para a ação dos sete dhatvagnis (enzimas localizadas nos elementos teciduais), e sustenta e eleva a função destes últimos.

Diferentes tipos de Agnis:
1 Tipo de Jatharagni
5 Tipos de Bhutagnis e
7 Tipos de Dhatvagnis.

O Jatharagni refere-se ao fenômeno da digestão gastrointestinal.
Os Bhutagnis auxiliam na transformação dos Mahabhutas externos em Mahabhutas internos. A função dos Bhutagnis é tornar homólogos os Mahabhutas exógenos. Os dhatvagnis ou enzimas estão localizados nos tecidos do corpo. Eles auxiliam na assimilação e na transformação do material nutriente recebido depois da transformação pelos Bhutagnis em substâncias homólogas aos elementos teciduais.
A Ayurveda coloca muita ênfase em todos estes agnis de forma que todos são tratados como sinônimos de corpo físico. Antes de iniciar um tratamento para qualquer doença, os problemas com estes agnis são localizados e esforços são despendidos para corrigi-los. A maioria dos medicamentos utilizados na Ayurveda contém substâncias que estimulam o funcionamento destas enzimas em diferentes níveis. Algumas terapias de eliminação são também prescritas na Ayurveda tendo em vista a limpeza dos canais de circulação e a remoção dos produtos residuais neles acumulados. Este procedimento ajuda no adequado funcionamento dos agnis.
Na infância, o estado dos agnis é moderado e com a idade o poder dos agnis aumenta, resultando em melhor digestão e metabolismo. Isto auxilia no processo de crescimento do corpo. Após os 40 anos, o poder dos agnis permanece estável até que o indivíduo alcance os 60. Após os 60, seu poder declina. Os tecidos contribuem com metade de sua totalidade para a ação dos sete dhatvagnis (enzimas localizadas nos elementos teciduais), e sustenta e eleva a função destes últimos. Os tecidos corporais não conseguem nutrição adequada, reduzem-se em número, tamanho e qualidade. Isto dá origem ao processo de envelhecimento.
Quando o indivíduo morre, o funcionamento das enzimas se interrompe. Através da Terapia de rejuvenescimento dirige-se o procedimento para rejuvenescer e revitalizar estas enzimas de forma que elas possam manter ou aumentar suas atividades. Isto ajudará a prevenir o envelhecimento e as doenças associadas ao mesmo.
Os alimentos que ingerimos se convertem em diferentes elementos teciduais e para todos estes tecidos há um tempo necessário para esta conversão. Este tempo de conversão dos alimentos em um tipo particular de tecido pode ser alterado através do uso de alguns medicamentos. Por exemplo, se o agni ou as enzimas forem estimuladas através de certas ações, os afrodisíacos ou estimulantes sexuais aumentam a produção de esperma e óvulo a partir dos ingredientes dos alimentos.
A doença é causada pela obstrução dos canais de circulação. A obstrução é causada pelo acúmulo de produtos residuais. Estes produtos residuais ou material não digerido (na Ayurveda diz-se também material não cozido pelas enzimas digestivas) podem ser convertidos ou eliminados se os agnis ou enzimas responsáveis aí localizadas são estimulados. Esta é a função da maioria dos medicamentos ayurvedicos e esta é maneira como as doenças são controladas e curadas.

Texto extraído do Livro: Remédios e Tratamento de Doenças comuns pela Ayurveda. - 
Dr. Bhagwan Dash, Ph.D. - paginas 8 ao 25. Direitos Reservados.

sábado, 14 de novembro de 2015

A 'Árvore' nas mais diferentes concepções e crenças.


A ciência materialista do século passado legou-nos uma imagem do universo, na qual objetos à semelhança de esferas executariam movimentos de rotação e translação, no espaço-tempo. Sua linguagem era matemática.
Por seu turno, a ciência espiritual das eras medievais, cujas verdades são atualmente corroboradas pelas descobertas da psicologia profunda, representava o universo, ou melhor, o Todo espiritual, como um templo, uma árvore, ou monte, ou, mais especificamente, uma combinação integrada dos três itens. E, obviamente, esta ideia era apresentada em linguagem mitológica.
A árvore cresce no monte dos deuses, o Olimpo dos gregos, seu lar e templo. Estava situada "no centro do paraíso" (Gen, II, 9), mas em vários rituais pode-se constatar que seus galhos alcançavam os confins do universo.
Os egípcios, hebreus, fenícios, persas, druidas, escandinavos, hindus, chineses, japoneses, os maoris da Nova Zelândia, os astecas do México, os maias do Yucatan e os incas do Peru, sem exceção, falam dessa árvore.

A árvore cabalística da vida
Entre os hebreus, havia um diagrama filosófico-cabalista que simbolizava a árvore da vida, da qual pendiam os dez sephiroth (sing. sephira). Cada um deles era representado por uma romã, cujas cores eram diferentes entre si, e pertinentes aos seus significados.
Existe, é claro, vasta literatura sobre a Cabala, e por certo, muitos leitores poderão, se o desejarem, familiarizar-se com o assunto. 

A árvore da vida escandinava
A versão escandinava desta lenda é bem conhecida, já que se acha incorporada ao folclore e incluída nas Edas, coletâneas de fatos tradicionais da mitologia dos antigos povos escandinavos. Nestas, a árvore da vida é simbolizada por um freixo gigantesco situado nocentro de uma montanha, na qual os deuses reúnem-se em conselho.
Seus galhos ultrapassam os limites "celestiais". Três raízes destacam-se sobre as demais, amplamente espaçadas entre si. Podem ser descritas resumidamente da seguinte forma: (1)
uma delas leva ao Niflheim, uma espécie de inferno frio, úmido e escuro, onde habita o lobo Fenris, e abaixo desta encontra-se a fonte da primavera chamada de Hvergelmir, junto à serpente Nidhug, que se alimenta continuamente da raiz; (2) leva à terra dos gigantes congelados, Jotunnheim, cuja cidade principal chama-se Utgard; abaixo desta raiz acha-se a fonte da sabedoria, guardada pelo gigante Mimir; (3) leva à terra dos deuses abaixo da qual acha-se a fonte sagrada de Urd, assistida pelas três deusas do destino ou parcas, segundo a mitologia romana.
Nos galhos da árvore, quatro cervos alimentam-se de brotos. Representam os quatro ventos ou quatro elementos. Pousada no galho mais alto há uma águia e, entre seus olhos, um falcão¹. Um esquilo sobe e desce a árvore, levando mensagens que geram conflitos entre a águia e a cobra anteriormente citada.
Esta árvore da vida da tradição escandinava denomina-se Yggdrasil, e representa o poder de Ygg ou Odin, o rei dos deuses, o qual, segundo a lenda, teria permanecido pendurado à mesma durante nove dias.

A "Árvore-Bodhi"
Entre os budistas era costume associar um buda a uma árvore, da mesma forma que gregos e romanos com relação a plantas. Nas manifestações da arte, a mais conhecida era a pipala (Ficus religiosa), sob a qual Sáquia-Muni, ou Gautama, o Buda histórico, foi iluminado.
Esta árvore juntamente com as suas correlatas, a Ficus indica e a benghalensis, são provavelmente as maiores plantas que se conhece devido seus galhos crescerem continuamente, muito mais que os das outras árvores. Suas raízes são tão grossas que se parecem com troncos. Uma só destas árvores vale, simbolicamente, por uma floresta inteira. Não é de surpreender o fato dos budistas a considerarem a árvore da vida.

As três sementes
De acordo com a lenda, quando Adão e Eva foram expulsos do Paraíso, levaram consigo (ou segundo uma outra lenda, enviaram) seu terceiro filho, Seth, aos portões do mesmo a fim de apanhar três sementes da árvore da vida.
Dessas sementes, cresceram árvores que forneceram: (1) a madeira para o cajado de Moisés; (2) o ramo que foi usado para tornar doces as águas de Marah; (3) a madeira usada na construção do templo de Salomão; (4) a madeira usada para fazer o banco no qual sentaram-se as sibilas ao profetizarem a vinda do Messias; (5) a madeira para a cruz de Cristo. Esta lenda acha-se representada num quadro acima do altar de uma igreja em Leyden, Holanda.

O homem arquetípico
É interessante notar que os cabalistas sempre representam o homem arquetípico em sua árvore da vida. Também afirmam ser a cruz de Cristo chamada de árvore (Atos, V, 30; Atos, X, 39; Gálatas, III, 13; Pedro, 11, 24).
Diz a lenda que Zoroastro foi suspenso numa árvore e chamado de luz gloriosa dessa árvore. Tanto Adônis da Síria como Atis da Frígia, eram associados à vegetação. Osíris, deus da vegetação do antigo Egito, foi morto por sepultamento em uma caixa que eventualmente se alojou em um pé de acácia ou tamarga. Krishna, suprema encarnação de Vishnu, na mitologia hindu, foi morto por uma flecha que o deixou preso a uma árvore.
Já mencionamos Odin. Há numerosos exemplos de associação de deuses encarnados e sacrificados e árvores, na mitologia de todos os povos conhecidos.

Elementares e dementais. 
(espíritos das árvores)
A maioria dos que são realmente versados em ocultismo sabem perfeitamente qual a diferença existente entre elementares e elementais. O primeiro termo designa assombrações ou aparições fantasmagóricas de espíritos que se encontram num estágio atrasado, no qual permanecem por algum tempo, antes de passarem a níveis mais elevados. Neste caso incluem-se os fantasmas ou visões ocorridas e as entidades que costumam assombrar casas velhas ou abandonadas.
Já os dementais, pelo contrário, são espíritos da natureza. Pertencem a uma classe inferior a dos anjos e não são imortais, podendo vir a sê-lo segundo a tradição, desde que convivam com seres humanos. Há seis classes principais:² os gnomos, ou espíritos da terra; as ondinas ou ninfas das águas; as sílfides ou graciosas criaturas do ar; as salamandras, do fogo: as dríades, ou ninfas dos bosques; e os faunos, elementais do reino animal. Trataremos aqui apenas das dríades, elementais dos bosques.
Nos tempos clássicos acreditava-se que toda árvore fosse habitada, ou de certa forma, estivesse relacionada com um desses espíritos ou ninfas, os quais morriam juntamente com a árvore. Estas ninfas eram chamadas de hamadríades. Frequentemente o povo do campo fazia oferendas de leite, azeite e mel, e as feiticeiras, vez por outra, sacrificavam cabras em sua honra. Alguns grupos de ervas também incluíam suas dríades, distintas daquelas existentes nas árvores, provavelmente as oríades e as napeias que dominavam as montanhas, colinas e vales, respectivamente.

Metamorfose
Na mitologia clássica, os seres humanos, à vezes, eram transformados em animais ou plantas. Isto sem dúvida, refere-se a uma mudança a nível psicológico, e o ser vivente em particular, no qual a vítima era transformada, certamente corresponderia à propriedade oculta envolvida.
Em Metamorfose, obra de Ovídio, há inúmeras citações sobre esse tipo de transformação. Com respeito àquelas do reino vegetal, podemos citar a ninfa Dafne, transformada em loureiro para escapar aos avanços de Febo, Siringe transformada em bambu para fugir à luxúria de Pan. O jovem Narciso, que para evitar o sexo oposto, especialmente a fofoqueira ninfa das fontes e florestas, Eco, transformou- se na flor de mesmo nome.
Clítia, ninfa abandonada pelo Deus Sol, foi transformada em girassol, e daí, provavelmente, sua posição inclinada na direção do astro-rei. Adônis, amante de Vênus, ferido por um javali, foi transformado por Astarte num pé de mirra, por ter cometido incesto com seu próprio pai. Entretanto, acreditava-se existir antídotos para tais transformações.
Por exemplo, na Odisséia de Homero, o herói usa amóli, uma planta do gênero da cebola (Allium) para fazer seus companheiros — transformados em porcos por Circe — recuperarem a forma humana. 0 alho, outra planta do mesmo gênero, foi utilizada mais tarde contra vampiros.

A Bernaca
A metamorfose, na mitologia, prenunciou a descoberta do mesmo tipo de processo existente na natureza, como, por exemplo, a transformação do girino em sapo.
Em crendices que perduraram até meados do século XVII, citam -se casos de metamorfoses imaginárias, nas quais, por exemplo, os pinheiros próximos às regiões costeiras do norte e oeste da Escócia e Irlanda, geraram um tipo de percevejo conhecido como bernaca, que se transformavam nos gansos selvagens de mesmo nome. Há realmente uma grande semelhança — embora superficial — entre os membros de um percevejo bernaca e as pernas de um pássaro.³ Para estudantes do ocultismo, não há razão alguma para a não existência dessa afinidade, entre árvore, ganso e bernaca, apesar de não haver nenhuma metamorfose física e os mesmos pertencerem a tipos de estruturas completamente diferentes e, portanto, a diferentes domínios da natureza.

Alfabeto da árvore druídica
Já vimos que na mitologia havia grande número de plantas especialmente dedicadas a deuses. Na mitologia céltica, havia uma lista de deuses com suas árvores correspondentes. A batalha das árvores é um desses mitos. As árvores eram consideradas quase como totens das tribos.
O alfabeto gálico original também apresentava correspondência com essa lista de árvores. Era constituído de dezessete letras. A letra H foi acrescentada posteriormente (o Uath ou espinho-branco). Sua seqüência é a seguinte: BLNFS(H)DTCMGPRAOUEI, sendo cada letra representada pelo nome de uma árvore.
Atualmente, o alfabeto apresenta seqüência diferente, algo como (em galês): Ailm, Beite, Coll, Dur, Eagh, Fearn, Gath, Huath, Togh, Luis, Muin, Nuin, Oir, Peith, Ruis, Suie, Teine, Ur. As árvores correspondentes são: olmeiro, bétula, aveleira, carvalho, álamo, amieiro, hera, espinheiro, teixo, sorveira-brava, videira, freixo, epônimo, pinheiro, sabugueiro, salgueiro, tojo e urze.

NOTAS:
¹ - Em outras culturas também há relatos de mitos que associam pássaros a árvores. 
² - Mais relatos sobre classes não inseridas nesta obra podem ser encontrados nas páginas 110 e 111 do livro de W.B.Crow: História da Magia, Feitiçaria e Ocultismo, Londres, 1968.
³ - Um relato completo sobre o assunto pode ser encontrado na obra de E.Heron-Allen, Bernacas na Natureza e Mitologia, Londres, 1928.

Trecho extraído do Livro: Propriedades Ocultas das Ervas e Plantas - W.B.Crow - 56 à 60.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Ervas que curam.

ERVAS QUE CURAM
W. B. Crow

Com base em estudos históricos e arqueológicos, hoje dispomos de uma extensa lista de plantas utilizadas pelos antigos na arte da cura. Algumas delas ainda podem ser encontradas na farmacopeia moderna enquanto outras já foram eliminadas. Apesar da introdução da psicologia aplicada na medicina moderna, supõe-se a existência de uma ação química das drogas sobre o funcionamento do organismo.
Presume-se que, mesmo aquelas que afetam o psiquismo, agem, de algum modo, através de ações químicas sobre as células do cérebro. A romã era usada na Babilônia e antigo Egito, mas atualmente é considerada inútil. Os babilônios usavam o açafrão-da-índia, considerado apenas um agente corante, em nossos dias. O Espicanardo, uma das drogas mais importantes para os hebreus e hindus, é hoje considerado como um mero material adulterante, encontrado em algumas amostras de valerianas. A erva-de-passarinho, à qual os druidas atribuíam poderes quase milagrosos de cura, já não se inclui em livros atuais de farmacologia.

Propriedades ocultas
Parece fora de dúvida que os povos da Antiguidade conheciam as propriedades ocultas das ervas, às quais creditavam efeitos metafísicos sobre aspectos mais sutis do homem, fato considerado imaginário pela ciência materialista atual. Somente poucos videntes atreveram-se a falar sobre o assunto nos últimos anos. Em 1906, um senhor idoso, de nome Charubel, publicou um livro¹ no qual abordava a cura de moléstias através do uso de magia simpática, utilizando ervas e pedras, tratamento este ao qual denominou de "plano da alma".
Posteriormente, o Dr. Rudolf Steiner, fundador da Sociedade Antroposófica, elaborou medicamentos com base em suas pesquisas sobre a ciência espiritual, e dentre tais medicamentos, inclui-se a erva-de-passarinho. Steiner acreditava que os elementos espirituais atuavam por meio de substâncias físicas, de maneira que seu método não representava um antagonismo, e sim um sistema complementar à medicina moderna.
Acreditava-se que o exorcismo, bastante encontrado nas páginas do Novo Testamento, incluía, segundo babilônios, egípcios e hindus, uma clíster ou lavagem intestinal². A maioria dos métodos de administração de medicamentos, conhecidos hoje em dia pelos farmacêuticos, tem origens que remontam à Antiguidade.

Ayurveda, O Sistema Hindu
As quatro Vedas são as obras mais importantes da literatura hindu, e a Ayur-veda é o suplemento médico a uma delas, o qual, segundo a tradição, foi escrito por Dhanwantari, médico dos deuses. Trata do assunto sob um ponto de vista extremamente amplo, pois o termo sânscrito ayur quer dizer vida³. Sua tese é a de que a saúde é o equilíbrio harmonioso das três forças importantes que atuam sobre o organismo humano, e seus sete tecidos principais. Há três tipos principais de doença: a de natureza física, acidental, e mental, e todas elas possuem fundo espiritual.
Existem também três tipos de medicamentos: (1) Os mantras (vibrações sonoras reguladas), rituais e oferendas, plantas, e pedras preciosas; (2) artigos usados de forma correta, e (3) mente isenta de atos ou pensamentos que possam acarretar prejuízos a outrem.

As ervas, por conseguinte, constituem apenas parte do tratamento, embora muitas delas pertencentes à abundante flora nativa da Índia tenham sido incorporadas ao método. Muitas delas foram importadas pela medicina ocidental e por ela adotadas devido seus efeitos sobre a fisiologia humana. Um exemplo disso é a Rauwolfia, gênero venenoso da família das pervincas, há muito usada na índia como um purgante e antídoto contra picadas de cobras e insetos. Alguns anos mais tarde começou a ser empregada na Europa como medicamento ansiolítico.
No entanto não é só por seus efeitos fisiológicos que as drogas Aiurvédicas são utilizadas na Índia. De acordo com a opinião do Dr. Raman, as seguintes características também são levadas em consideração:
(1) a predominância dos cinco bhutas (termo sânscrito) na composição da droga; (2) o sabor; (3) as qualidades físicas, por exemplo, se líquida ou sólida, leve ou pesada; (4) a potência ou energia ativa; (5) os efeitos posteriores; e (6) quaisquer particularidades especiais.
Aquele que aplica o sistema aiurvédico também leva em consideração a estação do ano, o estado do paciente, sua alimentação e todos os aspectos de seu meio ambiente.

Moxa
Na China, desde seus primórdios, era prática usual uma metodologia médica que visava curar moléstias através da introdução de agulhas em vários pontos do corpo humano. Este método é a acupuntura, bastante difundida atualmente. 
Diagramas e modelos especiais indicam o lugar exato onde se deveria aplicar as agulhas. Este método estendeu-se à Europa e, na França, por exemplo, sua aplicação é bem elevada. Como a acupuntura não está relacionada às ervas, deixamos de apresentar maiores comentários a respeito, visto não ser o objetivo precípuo desta obra.
Entretanto, os praticantes da acupuntura utilizam-se, em certas ocasiões, do que se chama moxa. Pertencem a uma categoria diferente. A moxa consiste no emprego de pequenos cones ou cilindros feitos de folhas de Artemísia em pó, uma planta composta relacionada à camomila, que é usada como um contra-irritante. Estes cones são colocados em posições definidas em certas partes do corpo, posições estas indicadas pelos diagramas-moxa, perfeitamente distintos dos diagramas de acupuntura, acesos com vela ou incenso elevando-se uma pequenina bolha dentro da qual a cinza pode ser esfregada. A moxa tem sido eventualmente praticada na Europa.

Doutrina das características
Na Idade Média, na Europa, uma curiosa propriedade oculta era atribuída a determinadas plantas e ervas. Observou-se que certas partes de uma planta assemelhavam-se, na forma ou na cor, com algumas partes do corpo humano e acreditava-se que uma moléstia porventura apresentada por algum órgão, poderia ser curada por meio da aplicação da planta correspondente. Este princípio era denominado doutrina das características, que afirmava ter cada planta um caráter próprio específico, como seu próprio uso, e bastava apenas contemplá-la detidamente para compreender sua característica. Em algumas plantas era fácil definir este procedimento. As hepáticas, por exemplo, eram assim chamadas porque o caule, freqüentemente, assemelha-se à forma de um fígado. Conseqüentemente eram aplicadas no tratamento de doenças do fígado. A pulmonária, planta relacionada à borragem e ao miosótis, apresenta folhas semelhantes a pulmões e era usada para o tratamento de doenças deste órgão. A utriculária é uma planta aquática cujas folhas são submersas, e sobre estas nascem pequeninas bolhas dentro das quais são capturados insetos. Foi muito empregada no tratamento de moléstias da bexiga. É vagamente relacionada com a dedaleira.
A orquídea, uma monocotilédone, recebe esta denominação devido a seus tubérculos subterrâneos, parecidos com os testículos do homem. Por esta razão, acreditava-se ser valiosa no tratamento de moléstias dos órgãos sexuais masculinos, principalmente.
A aristolóquia, pertencente a um grupo relativamente isolado de dicotilédones, possui flores enormes tendo a corola parecida com o útero feminino, e, em conseqüência disso, utilizada nas doenças da mulher, e freqüentemente para atenuar as dores do parto. Devido à cor, o sândalo vermelho era usado para doenças sanguíneas, como também as pétalas das rosas vermelhas. Pensava-se que o amarelo do açafrão, do estigma de uma planta monocotilédone do tipo croco, por ser parecido com a bile, seria adequado para o tratamento de estados biliosos.

Tratamentos com ervas
No início da Idade Média os médicos faziam uso de inúmeras ervas como medicamentos, seguindo os grandes trabalhos clássicosde Hipócrates (460-377 a.C.) e Galeno1 (por volta de 130-200 d.C), porém aproximadamente à época da Reforma Luterana, Paracelso (1493-1541) introduziu o uso de muitas drogas minerais. Na Inglaterra, o Real Colégio de Cirurgiões obteve cartas-patente em 1518 (durante o reinado de Henrique VIH — 1491-1547) que outorgavam poderes semelhantes aos atualmente conferidos pelas Associações Médicas.

Porém, nessa época, foi decretado um Ato Parlamentar segundo o qual qualquer pessoa que possuísse conhecimentos das propriedades de cura das plantas, podia, legalmente, fazer uso dos mesmos. Afirma-se que tal Ato foi um privilégio concedido aos inúmeros praticantes da medicina popular que não haviam estudado anatomia, fisiologia e demais matérias pertinentes ao currículo de uma escola de medicina. Tais profissionais tornaram-se conhecidos como herbanários. As plantas utilizadas no começo deste século eram ervas silvestres (Dicotiledóneas), sendo que apenas um reduzido número delas era reconhecido como valioso pelos médicos. Abaixo segue-se uma lista² disposta segundo as famílias:

Familia da Lorantácea (Lorantáceas): Erva-de-passarinho (Viscum).
Família das Plantas Floríferas (Poligonáceas): Bistorta (Polygonum).
Família da Cariofilácea: Morrião-dos-passarinhos (Stellaria).
Família das Rosáceas: Agrimonia (Agrimonia), Ulmária (Ulmaria),
Framboesa Silvestre (Rubus).
Família do Feijão e da Ervilha (Leguminosas): Giesta (Sarothamnus).
Família do Linho (Lináceas): Linho (Linum).
Família da Litrácea (Litráceas): Salgueirinha (Lythrum).
Família da Cenoura (Umbelíferas): Azevinho (Eryngium), Cenoura
Silvestre (Daucus), Sanícula (Sanícula).
Família da Genciana (Gencianáceas): Fava-do-brejo (Menyanthes),
Centáurea-menor (Erythraea).
Família da Borragem (Borragináceas): Consolda (Symphytum).
Família das Urtigas Mortas (Labiadas): Marroio-negro (Ballota), Marroio-
branco (Marrubium), Hera terrestre (Glechoma), Erva-das-feridas (Prunella), Barrete (Scutellaria), Betônia (Betónica), Salva(Teucrium), Salva Vermelha (Salvia), Hortelã (Mentha), Hissopo (Hyssopus).
Família da Banana de São Tomé (Plantagináceas): Banana-de-São Tomé (Plantago).
Familia da Valeriana (Valerianáceas): Valeriana (Valeriana).
Família do Girassol (Compostas): Bardana-maior (Arctium), Erva-picão (Bidens), Tussilagem (Tussilago), Dente-de-leão (Taraxacum),
Artemisia (Artemesia), Tasneirinha (Senecio), Milefólio (Achillea).

O tratamento com ervas difundiu-se na América por intermédio dos imigrantes ingleses que fundaram a colônia de Plymouth, e um conjunto de plantas bastantes variadas começou a ser usado, entre as quais incluem-se as seguintes, sendo as duas primeiras famílias monocotilédones:

Família das Orquídeas (Orquidáceas): Orquídea Silvestre (Cypripedium).
Família das Taiobas (Aráceas): Arão (Arum).
Família das Mirtáceas (Mirtáceas): Murta-do-brejo (Myrica).
Familia das Aristolóquias (Aristoloquiáceas): Aristolóquia (Aristolochia), Serpentária Canadense (Asarum).
Família dos Nenúfares (Ninfáceas): Nenúfar (Nymphaea).
Familia dos Ranúnculos (Ranunculáceas): Erva-de-São Cristóvão (Cimicifuga), Hidraste (Hydrastis).
Familia das Uvas-Espim (Berberidáceas): Uva-Espim (Berberís).
Familia das Hamamélis (Hamamelidáceas): Hamamélis (Hamamelis).
Familia da Azedinha Grande (Oxalidáceas): Azedinha Grande (Oxalis).
Família das Arrudas (Rutáceas): Espinho-de-vitém (Zanthoxylum).
Familia das Piroláceas (Piroláceas): Pirolácea (Pyrola).
Familia das Batatas (Solanáceas): Pimenta-de-caiena (Capsicum).
Familia das Urtigas-mortas (Labiadas): Poejo (Mentha), Marroio aquático (Lycopus).
Familia da Dedaleira (Escrofulariáceas): Quelone (Chelone).
Família do Girassol (Compostas): Raiz-de-cascalho (Empatorium).
Família das Lobélias (Lobeliáceas): Lobélia (Lobelia).

Muitas destas ervas já eram adotadas na medicina natural dos nativos. A Lobélia e a Pimenta-de-caiena eram os principais medicamentos dentro do sistema Thomsoniano, assim chamado em homenagem ao seu criador, Samuel Thomson (1769-1843). O uso de ervas foi causa de muitas controvérsias entre a classe médica que se opunha aos herboristas.

Homeopatia
O sistema homeopático foi introduzido por um médico alemão e sua prática é adotada por milhares de médicos legalmente habilitados. Difere, porém, da medicina comum, denominada alopática. As diferenças são: (1) Toda e qualquer droga usada em homeopatia deve ser testada antes numa pessoa saudável; (2) a droga deve produzir, nessa pessoa, sintomas idênticos àqueles da doença que se quer tratar; (3) deve-se usar apenas um medicamento de cada vez; (4) a droga é usada na forma diluída. De fato, acha-se que a solução diluída ativa a ação da mesma. Daí serem chamados de potências os graus de diluição. 
A homeopatia foi criada por Samuel Hahnemann (1755-1843). Enquanto traduzia a obra de Cullen Materia Medica, verificou a existência de certo número de medicamentos chamados específicos, os quais agiam apenas em certas sintomatologias. Um destes medicamentos era a quina, do gênero da Cinchona, planta sul-americana da família das garanças que era muito conhecida à época no tratamento da malária.
Possuidor de espírito pesquisador, Hahnemann experimentou a droga em si mesmo e descobriu haver produzido sintomatologia semelhante à da malária, em seus mínimos detalhes. Então, auxiliado por amigos experimentou grande número de drogas, obtendo resultados análogos.
Assim, sabe-se que a beladona {Atropa Belladonna) produz os sintomas característicos da escarlatina, a trepadeira venenosa (Rhustoxicodendron), causa os da erisipela, o estramonio (Datura stramonium) os da asma, a colocíntida (Citrullus colocynthis), os da cólica, e assim sucessivamente. O medicamento é sempre usado em pequenas quantidades, diluído em água ou misturado em pó neutro, tal como o açúcar do leite (lactose), por exemplo.
Alguns dos primeiros médicos homeopatas usavam diluições tão extremas que, dizia-se, somente poucas moléculas ou mesmo nenhuma delas permanecia. Isso leva a teses, que acreditamos foram formuladas pelo Dr. Rudolf Steiner, segundo as quais estariam envolvidas no sistema certas propriedades ocultas ou metafísicas.
Sabe-se que algumas pesquisas nesse sentido foram efetuadas pela Sociedade Antroposófica.

NOTAS:
1 Psicologia da Botânica (Leigh, 1906), relacionando os efeitos psíquicos de trinta e nove plantas, três metais e onze minerais preciosos, bem como seus respectivos símbolos.

2 C. J. S. Thompson, Mistério e Artes do Farmacêutico, Londres, 1929.

3 Afirmativa baseada no Ayur-veda ou Sistema Médico Hindu, de B. V. Raman, editado e anotado por W. B. Crow, e publicado originariamente no The Search Quarterly, periódico trimestral, em 01/04/34, sendo reeditado posteriormente em Bangalore.

1 Anteriormente citado.

2 O bhuta é um elemento alterado mas - como observa o Dr. Raman - não se trata de um elemento químico no sentido exato do termo; antes, seria equivalente a um elemento, se considerado do ponto de vista natural-filosófico ou ciência arcana.

1 As drogas vegetais são também chamadas de galênicas em homenagem a Galeno, médico grego criador deste sistema. 
2 Lista elaborada por W.H. Webb em: Guia-padrão de Remédios Herbáceos não-Venenosos, Southport, 1916.

Trecho extraído do Livro: Propriedades Ocultas das Ervas e Plantas - W. B. Crow - 20 a 26.
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